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Marta de Arruda: Livro refaz itinerário do viajante Hércules Florence

Livro refaz itinerário do viajante Hércules Florence 

Por Marta de Arruda
 
 
     Foi interessante meu conhecimento com a escritora Dayz Peixoto, residente em Campinas, SP, que recentemente anda as voltas com o viajante francês Hércules Florence, já que escreveu a obra “O Viajante Hércules Florence – águas, guanás e guaranás”.
     Trata-se de um livro nascido pela admiração da paisagem brasileira viajante Florence, foi o que me escreveu na dedicatória, assinada em 10 de novembro de 2008.
     Homenageia a tribo Guaná, da qual tenho orgulho de ter seu sangue a correr nas minhas veias e, foi por encontrar na internet o nome do meu e-mail martaguana@gmail.com, que se dirigiu a mim, primeiramente a perguntar: “É uma guaná?” A partir da minha resposta de que era e me sentia muito feliz de ser descendente dos Guanás, cujo sangue também corria nas veias do saudoso marechal Cândido Mariano da Silva Rondon e do Presidente de Mato Grosso, na época colonial, Generoso Paes Leme de Souza Ponce, meu ilustre bisavô, pai de vovó Adelina Ponce de Arruda, casada com o usineiro, coronel João Pedro de Arruda, dono da“Usina“Flechas”, Rio Cuiabá Abaixo.
     Fincamos profundamente as bases da nossa amizade na era eletrônica.
     E-mails vão e vêm e, no momento pelo seu belo e bem escrito livro, editado pela editora Pontes, capa amarela com figuras das embarcações daquela época, índios e outras características de um tempo que já se foi. Hoje está recebendo os lauréis do seu trabalho. É notícia da mídia campinense e paulista. Receberá inúmeras homenagens.
     A fotografia do francês – Hércules Florence – encontra-se na terceira página. Reproduzo a ficha técnica: “Fonseca, Dayz Peixoto. O viajante Hércules Florence: águas, guanás e guaranás / Dayz Peixoto Fonseca. – Campinas, SP : Pontes, 2008. Bibliografia: ISBN 978-85-71113-271-9”. Não vou me alongar mais, porque desejo falar sobre meus queridos ancestrais, na carona deste livro.
     O português Ricardo Franco de Almeida Serra foi designado pelo Rei de Portugal a faze as demarcações entre o Brasil e o Paraguai, portanto veio direito para a fronteira, onde ergueu o Forte de Coimbra. Era geógrafo e engenheiro. 
     Por certo, macambúzio e ávido de ter uma mulher no Brasil, pois a sua portuguesa não quis vir e arriscar a vencer léguas e léguas de distâncias, a enfrentar lobos, onças, cobras, macacos e outros animais, recusou-se a acompanhar Ricardo. Permaneceu no Porto, cidade portuguesa onde que vivia com os filhos.
     Um dia em que lua estava cheia e as vibrações se tornam mais fortes nos humanos, não titubeou e mandou laçar uma bela índia, de feições delicadas, de nome Mariana. A princípio, a indiazinha bonita esperneou, blasfemou e fez um berreiro, porque era enjoativo para os índios sentir o cheiro forte dos lusos. No entanto, pouco a pouco se acostumou e até apreciava as noites em que faziam amor e trocavam carícias. Ricardo soube conquistá-la. Viveram bem e tiveram dois filhos, sendo que um deles morreu na infância, mas a filha mulher vingou. E é dela, que era boa parideira que nasceram vários filhos, seus descendentes, entre os quais me incluo.
     Mamãe era filha de Cacylda de Almeida Serra Lima, que se uniu ao líder operário João Bento Rodrigues de Lima, e tiveram vasta prole: Olavo, Oder, Amaro, Angico Jorge, Iza, Maria da Glória, Maria Olívia, Maria Salomé, Lygia, Carolina, Brasil, Arnaldo, Augusto Gaspar, Celso, Othon e Cacylda, última filha do casal. Vovó morreu de forte hemorragia pós-parto. Novamente, vovô casou, para ajudá-lo a criar os filhos, unindo-se a uma paulista de nome Aracy Santiago de Lima, com quem teve quatro filhos: Flores, Leon Tolstoy, Gaspar e Zila. Desta última é filha a jornalista da Globo, Delys Ortis, cujo pai chama-se Alfredo Ortis. Não sei se é columbiano ou boliviano. Não importa!
     Bem, não posso fugir da minha intenção de  falar sobre os Guanás, os quais vivam às margens do rio Paraguai. Paralelo 20, perto dos Guaicurus, que lhes estorvavam a progressão. Como estes eram mais poderosos, os Guanás se acomodaram às porções de terra que lhe foram permitidos ocupar, na parte Ocidental do rio.
     Disse Alexandre Rodrigues Ferreira, em carta de 5 de junho de 1791, ao governador João de Albuquerque, que havia pouca diferença entre Guaicurus e Guanás, dos quais eram vizinhos e aliados. Casavam entre si e se auxiliavam quando alguma surgia alguma pendência pública ou particular.
     A linguagem dos Guanás era própria, mas geralmente sabiam palavras em português, que pronunciavam ao modo dos demais índios ou dos negros nascidos na costa d’África. Plantavam milho, aipim, cana de açúcar, algodão, tabaco e outras plantas do Brasil. Possuíam engenhos de moer cana e faziam grandes peças de pano de algodão, com as quais se vestiam. Ainda fabricavam redes e cintas. Comercializavam tudo no Porto de Cuiabá. Outros se entregavam à pescaria e faziam comércio do peixe em Cuiabá. Construíram algumas choupanas às margens do rio.
     Viviam menos às intempéries da natureza que os outros, daí terem a pele clara, como os Mandurucus, índios mansos do Pará. A feição era amena e de suavidade especial. Se não chegavam ao tipo europeu como os Guatós, eram indiáticos puros, a modo dos Caiapós ou Xamacocos. Não eram traiçoeiros como os Guaicurus e nem possuíam a ferocidade dos Botocudos e Bororos. Pareciam com os Apiacás, que conforme a amiga Dayz, são seus ancestrais.
     As guanás, em especial, eram bem feitas de corpo, de rostos bonitos, olhos apertados e um pouco oblíquos, nariz pequeno, afilado, boca em geral grande, lábios grossos, dentes claros e bem implantados. O exotismo dessas mulheres era que reinava entre elas a mais completa devassidão, tanto que os maridos desconheciam o ciúme e as entregavam a viajantes e vendedores com grande facilidade, desde que recebessem algumas moedas ou peças de roupas.
     Apesar de Ricardo se unir a Mariana Guaná, com seus preconceitos europeus, fazia um juízo pouco lisonjeiro sobre aqueles índios, se bem que Mariana se fez sua companheira e, afirmam os historiadores, foi-lhe fiel até morrer.
     Traz no livro de Dayz, ao comentar sobre os Guanás, que Guanitá era o capitão-mor dos Guanás, que Hércules conheceu e admirou.  Hércules reproduziu bela pintura do capitão Guanitá e da jovem Guaná em meio à paisagem brasileira. Comenta, ter feito a pintura com muita saimpatia.
     Volto ao livro de Dayz, quando comenta que os tecidos fabricados pelas Guanás eram em formato de panões, com listras coloridas com tintas naturais.
     É muito confortante ler o livro da escritora paulista Dayz, nascida em Miguelópolis, SP, mas que mora em Campinas, desde 1956, onde se dedica com amor e carinho à pesquisa cultural.  Filósofa, Pedagoga e Orientadora Educacional são alguns de seus títulos. Seu curriculum é rico. Criou o site sobre o inventor da fotografia no Brasil, Hércules Florence. Anotem: WWW.dayzpeixotofonseca.com.br/Hercules Florence.
     Vamos ler o seu magnífico livro? Encontra-se à venda nas principais livrarias do País.       

 

Categorias:Cidadania

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