PREFEITURA SANEAMENTO

Marcel de Cursi aponta possível omissão de Ana Bardusco, que ficou calada. Promotora teria aliviado e deixado de denunciar deputados Romoaldo Júnior, Mauro Savi, Wagner Ramos e Guilherme Maluf e a prefeita Luciene Bezerra.

Marcel de Cursi, no Fórum de Cuiabá, nesta sexta, 28 de julho de 2017, com seus advogados Marcos Dantas e Goult Valente. Foto João Vieira, A Gazeta

 

 

Em meio aos membros da antiga administração do governador Silval Barbosa, há um homem que insiste em afirmar que é inocente, que não tem nada a ver com toda a bandalheira que tem sido denunciada. É o servidor público e ex-secretário de Fazenda, Marcel de Cursi, que prestou depoimento nesta sexta-feira diante da juiza Selma Arruda e da promotora Ana Bardusco.

Marcel se manteve firme repetindo o que vem dizendo desde que o MP pediu sua prisão, prontamente autorizada pela juiza Selma, garantindo que não participou de nenhuma das falcatruas já confirmadas por Pedro Nadaf e Silval Barbosa, que são réus confessos. Em tom candente, na audiência desta sexta-feira, MarceL de CursI acusou a promotora Ana Bardusco de ter destruido sua vida, com uma denúncia que ele entende como manipulada.
E mais: Marcel argumentou que Ana Bardusco e o Ministério Público Estadual teriam se omitido e, enquanto o remetiam para a prisão preventiva, onde permaneceu por quase dois anos, a promotora e o MP teriam deixado de denunciar nada menos que quatro dos atuais deputados estaduais de Mato Grosso – Romoaldo Junior, Mauro Savi, Wagner Ramos e Guilherme Maluf, além da atual prefeita de Juara e também ex-deputada Luciene Bezerra.

“Eu acredito que há pessoas com foro privilegiado que estão sendo preservadas. Eu gostaria de citar a Luciane Bezerra”, disse Marcel de Cursi durante o seu depoimento, quanto também citou os deputados Romoaldo Júnior (PMDB), Mauro Savi (PR), Wagner Ramos e Guilherme Maluf (PSDB). “Esses nomes não aparecem na denúncia do Ministério Público!” – declarou, falando com contundência.

Depois que a juíza Selma Arruda encerrou seu interrogatório, passando a vez para a promotora Ana Bardusco, representante do Ministério Publico de MT, e responsável pela denúncia, neste caso, a promotora preferiu ficar calada – um fato raro.

Veja como transcorreu o depoimento de Marcel de Cursi, conforme registro da repórter Celly Silva, da Gazeta Digital

16h14 – Marcel de Cursi, ex-secretário de Fazenda, inicia seu depoimento, negando que tenha participação no esquema de corrupção na desapropriação do Jardim liberdade. “É até difícil falar sobre algo que você desconhece. Eu não conheo o processo, não tratei desse assunto com ninguém. A Sefaz não faz pagamento, a Sefaz arrecada, quem faz pagamento é o ordenador de despesa”, se defende.

16h17 – Cursi apresenta um papel e diz que o ex-chefe da Casa Civil Pedro Nadaf se retratou com a Polícia Civil em relação ao que disse sobre ele. Na opinião dele, estão querendo encobrir pessoas com foro privilegiado e cita que Nadaf afirmou que realizou pagamento à ex-deputada Luciane Bezerra (PSB), atual prefeita de Juara.

16h19 – Marcel afirma que à época, estranhou a contabilidade do Intermat e indagou o então presidente da autarquia, Afonso Dalberto, sobre a despesa. Ele também negou que tenha tido reunião com Silval Barbosa, onde este teria lhe dito para providenciar recursos para o pagamento da desapropriação, já que haveria um “retorno”. “Eu nunca tive nenhum conversa que não fosse republicana com ele”, diz.

16h22 – O ex-secretário classifica como “revelações assombrosas” o esquema de corrupção e diz que está sendo “penalizado” porque foi acusado de forma “leviana”. “Eu acredito que há pessoas com foro privilegiado que estão sendo preservadas. Eu gostaria de citar, por exempo a Luciane Bezerra”, afirmou Cursi, que também cita os deputados Romoaldo Júnior (PMDB), Mauro Savi (PR), Wagner Ramos e Guilherme Maluf (PSDB). “Esses nomes não aparecem na denúncia!”.

16h30 – Segundo Marcel de Cursi, há falhas na denúncia do MPE porque cita vários pagamentos em tese realizados com os R$ 15 milhões da propina da desapropriação, que, segundo ele, “estouraram” em mais de R$ 1,8 milhão. “Esse número não fecha, esse número não bate”, diz.
Cursi acusa 4 deputados e prefeita de terem recebido propina. O ex-secretário cita uma série de pagamentos que foram citados ao longo das invetigações, dentre eles, pagamentos de R$ 474 mil para Filinto Muller, R$ 159 mil para Chico Lima, R$ 230 mil para Alan Malouf, R$ 700 mil para Arnaldo Alves, R$ 600 mil para Afonso Dalberto, R$ 1,1 milhão para Chico Lima, R$ 700 mil para Luciane Bezerra, R$ 190 mil para um assessor do deputado Mauro Savi, R$ 1,5 milhão para Pedro Nadaf, R$ 90 mil para Chico Lima, R$ 950 mil para Alan Malouf, entre outros.

16h40 – Marcel de Cursi diz que houve alterações em um dossiê que foi entregue por Filinto Muller às autoridades e que de zero, seu nome passou a ser envolvido em um suposto recebimento de R$ 1 milhão. “A minha explanação é no sentido de que eu não consigo entender porque eu estou nisso, mas eu consigo perceber que um monte de gente com prerrogativa de foro ficou de fora. (…) Não estou acusando as autoridades, só que são os colaboradores, eles estão induzindo a justiça”, afirmou.

16h45 – Sobre reunião com o arquiteto Antônio Carvalho, dono da Santorini Empreendimentos, Marcel nega tê-lo extorquido a pagar propina. “Eu penso que eu fui inserido. Eu não conheço o Antônio Carvalho, não sei quem é, nunca vi esse homem na minha visa, a não ser por vídeo. Pra você chegar na Secretaria de Fazenda, você tem que passar por três portarias. Quem faz mal pro outro, o outro guarda!”, diz.
João Vieira

“Não participei dessa engenharia toda que está sendo trazida a luz, esses fatos são lamentáveis. Pautei minha vida na administração pública pelo equilíbrio, não participei de reunião no Condes, não recebi propina do senhor Pedro Nadaf. Aliás, ele mesmo se retratou. Não adquiri produto algum proveito de propina”.

16h50 – Sobre suposta compra de ouro com dinheiro ilícito, Marcel nega. “Eu não comprei. Se eu não recebi a propina, se a propina foi pra Luciane Bezerra, com que dinheiro eu compraria ouro?”
Ele também apontou que houve conluio entre pessoas com interesses em comum para prejudicá-lo e preservar terceiros. “O senhor Antônio Rodrigues de Carvalho fechou acordo de delação premiada e ofereceu imobiliária do advogado dele como garantia”.
“Essas pessoas que estão me acusando, elas têm relações econômicas entre si”, diz em reação a João Justino Paes de Barros, Pedro Nadaf e Antônio Carvalho, por meio de seu advogado.
“Essas pessoas [Pedro Nadaf, Pedro Elias, Cesar Zílio, Afonso Dalberto] ficaram presas na mesma sala! O tempo que eles tiveram pra fazer acordo de versões”.
“É muito estranho que o Antônio tenha um advogado que paga pra trabalhar. É muito estranho. O cidadão vai lá, trabalha no acordo de delação, dá a imobiliária dele como garantia…Tem situações, no mínimo, curiosas”.

16h58 – Marcel de Cursi acusa a promotora Ana Bardusco de ter acabado com a vida dele e de tirar todo seu patrimônio. Ele reclama que no caso da JBS, em que Joesley Batista fez declarações à promotora sem sequer citá-lo, mesmo assim, ela o processou. A promotora não usou seu direito de fazer perguntas ao ex-secretário.

17h – a oitiva de Marcel é encerrada.

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