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Mahon: Na OAB de Faiad este é chamado de “traidor”, aquele de “egoísta”, um de “fraco”, outro de “desarticulado”. Coleção de pequenas crises e desprestígios recíprocos

OAB de Verdade – 2
Por Eduardo Mahon

No primeiro artigo, deixei publicadas as razões pelas quais não sou candidato. Recapitulando: é preciso ter capilaridade entre jovens advogados (maioria da classe), estar em contato com advogados públicos, reconhecer a importância do advogado do interior de Mato Grosso e, finalmente, agregar o máximo de colegas que tenham larga experiência nos assuntos e práticas da Ordem.
Mesmo calejado pela vida profissional, acredito que o senso de realidade e humildade deve falar mais alto à razão para limitar-me a apoiar um nome da oposição. Nesse quesito, as coisas do Ego só fazem atrapalhar e devo lembrar um famoso adágio romano: “sapateiro, não vá além das sandálias”. Nesse sentido, sou apenas um companheiro solidário, alguém que ajude a carregar o fardo da crítica e de ser criticado, porque o maior covarde é o que não se expõe, aquele que acocora-se a espera de migalhas do poder.
Prosseguindo na reflexão, é importante decifrarmos as razões pelas quais a oposição está densa, coesa, mobilizada e, por outro lado, porque o Conselho Estadual da OAB encontra-se rachado como um copo de cristal. Múltiplos grupos uniram-se em torno de um ideal: pôr fim ao continuísmo feudal na Ordem dos Advogados; arejar a casa com novos ares e despejar desse longo aluguel os inquilinos que acreditam-se donos. Explicam-se os movimentos de força centrifuga e centrípeta rumo à oposição e para longe da situação, respectivamente. Como o Presidente da OAB não apóia abertamente nem mesmo os conselheiros pré-candidatos, quedam-se queimados no processo um a um sem avalistas, esforçando-se cada um deles por disputar o mesmo espaço e comer do mesmo pão, o que não é recomendável num momento delicado que demanda empenho pela unidade. Vêem-se, de camarote, espetáculos de desagregação, de lutas fratricidas, embates públicos, desencontros e divergências na condução do processo.
Este é chamado de “traidor”, aquele de “egoísta”, um de “fraco”, outro de “desarticulado”. Enfim, uma coleção de pequenas crises e desprestígios recíprocos que alargam distâncias dentro do próprio grupo, fogueira alimentada com a perspectiva de um terceiro mandato, possibilidade cogitada pelo grupo de oposição e pelos próprios áulicos que circulam no meio. Quem quer que seja apontado como traidor deve agigantar-se para bradar independência, sob pena do reate desacreditar a própria coerência, imagem e brio.
Pessoalmente, custa-me acreditar na hipótese do terceiro mandato consecutivo. Não é possível que o espírito chavista tome conta de nossas consciências. Será que teremos uma “revolução bolivariana” na OAB?! Todas aquelas justificativas – continuidade do progresso, garantia de estabilidade, experiência comprovada, confiabilidade popular, liderança forte – podem servir ao espelho do castrismo sul-americano, mas não cabe dentro das balizas constitucionais de uma Ordem dos Advogados do Brasil.
Os “golpes brancos”, sustentados por um perigoso populismo, dificilmente contaminará os advogados, acostumados que estão com toda a sorte de argumentos, debates, exposições, teses e antíteses. Assim como ter um único juiz é morte certa à democracia, um único líder na classe é um sufocamento absoluto, alheando milhares de profissionais para o silêncio obsequioso. Não queremos um “grande irmão”. E mesmo os próprios conselheiros jamais se arriscariam a ombrear-se com um projeto de cunho nitidamente populista, cujo objetivo é o claro trampolim para vôos políticos. Portanto, essa é uma hipótese possível, mas esdruxulamente improvável. Tratemos, pois, de descartá-la enquanto tese e enfrentá-la na prática para rumar por um novo consenso de oposição e situação: é hora de mudar. Mudar de verdade.

Eduardo Mahon é advogado.

a seguir: OAB de Verdade – 3.    Fique  de olha nesta Página do E.

Na foto, de Johnny Marcus,  Eduardo Mahon no encontro que o Movimento pela OAB Democrática promoveu no Sintep, no dia 6.

Categorias:Cidadania

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