LUTA DE CLASSES: Greve dos bancários atinge 99% dos bancos da Grande Cuiabá. De 140 agências, grevistas conseguiram fechar 140. Os bancários reivindicam índice de 11,93% (aumento real de 5%) e os bancos propõem 6,1% (sem aumento real). Lucros dos 6 maiores bancos totalizaram R$ 29,6 bilhões no 1º semestre, alta de 18,2%. Um diretor executivo ganha no Santander R$ 7,9 milhões, no Itaú R$ 7,8 milhões, no Bradesco R$ 4,6 milhões e no Banco do Brasil mais de R$ 1 milhão.

O primeiro dia de greve nacional dos bancários começa forte na grande Cuiabá. As agências amanheceram adesivadas com cartazes de greve e com trabalhadores nas portas dos bancos dialogando com a população sobre as reivindicações da categoria que luta por melhorias para toda sociedade. Somente na Grande Cuiabá foram 140 agências e departamentos que tiveram suas atividades paralisadas, no total das 141. Estes dados correspondem a 99 % de adesão em Cuiabá e Várzea Grande.

Na avaliação do presidente do Sindicato dos Bancários de Mato Grosso (SEEB-MT), José Guerra, a tendência bancários é greveé que a greve se intensifique cada vez mais com o aumento de adesão nos municípios do interior.

“Nossa luta é por valorização tanto dos bancários quanto da população que sofre com a escassez de trabalhadores e pela demora no atendimento. Os bancos se negam em investir em segurança, em mais contratações, em melhorias nas condições de trabalho. Nossa luta é por reajuste salarial de 11,9%, sendo 5% de ganho real, e os bancos nos apresentaram a indecente proposta de 6,1% e nenhum avanço nas reivindicações da categoria”, afirma o presidente José Guerra.

PL da Terceirização

A Campanha Nacional dos Bancários 2013 também defende o arquivamento do Projeto de Lei 4330 da Terceirização que está em fase de tramitação em Brasília. Caso este PL seja aprovado, a mão de obra será ainda mais precarizada, os direitos dos trabalhadores perdidos e o sigilo bancários dos clientes ficará em risco.

Avaliação do primeiro dia

Os bancários se reunirão hoje às 17 horas no auditório do SEEB-MT para avaliar o primeiro dia de greve e traçar estratégias para o próximo dia de luta. A greve segue por tempo indeterminado e a categoria aguarda uma nova proposta dos bancos, mas desta vez, que atenda os anseios dos trabalhadores.

 

fonte SEEB MT
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ENTENDA O CASO

 

São 22.627 agências bancárias no Brasil. Os bancários são uma das poucas categorias no país que possui Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) com validade nacional. Os direitos conquistados têm legitimidade em todo o país
Cecilia Negrão
Assessora de imprensa do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região

Bancários de todo o país param a partir desta quinta-feira (19), por tempo indeterminado. A categoria entregou pauta com as reivindicações no dia 30 de julho e, após quatro rodadas de negociação com a federação dos bancos (Fenaban), não houve acordo para o índice de reajuste. Os bancários reivindicam índice de 11,93% (aumento real de 5%) e os bancos propõem 6,1% (sem aumento real). Diante do impasse, assembleias em todo o Brasil, feitas no dia 12, definiram greve por tempo indeterminado a partir desta quinta-feira 19.

Durante esse período, os caixas de autoatendimento vão continuar funcionando para atender à população. O direito de greve está previsto na Constituição Federal e estabelece algumas exigências, como a publicação de aviso de greve em jornal de grande circulação. O Comando Nacional dos Bancários também encaminhou às instituições financeiras o calendário até a deflagração da greve (por lei, a greve deve ser aprovada em assembleia dos trabalhadores e, após isso, comunicada ao empregador com antecedência de 72 horas): assembleia nos dias 12 e 18, com paralisação a partir do dia 19. Essas determinações da lei foram rigorosamente seguidas pelo Sindicato. Para o empregador, a Lei de Greve proíbe a dispensa de trabalhadores ou a contratação de funcionários substitutos durante a greve.

“Esperamos que os bancos retomem as negociações o mais rápido possível, com reajuste compatível com a riqueza do setor. Só assim a greve vai acabar”, disse Juvandia Moreira, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.

Lucro – Somados, os lucros dos seis maiores bancos totalizaram R$ 29,6 bilhões no primeiro semestre do ano, alta de 18,2% em relação ao mesmo período do ano passado. O lucro dos maiores bancos em 2000 foi de R$ 4,6 bilhões. Em 2012, R$ 52,1bilhões. Ou seja, entre 2000 e 2012, o crescimento foi de 1.025% (descontando a inflação o crescimento foi de 426%).

Altos executivos – Enquanto propõem reajuste sem ganho real para a categoria bancária, os bancos praticam elevada política de remuneração para seus altos executivos. A remuneração anual média de um diretor executivo do Santander em 2013 será de R$ 7,9 milhões, no Itaú R$ 7,8 milhões, no Bradesco R$ 4,6 milhões e no Banco do Brasil mais de R$ 1 milhão (os dados são da Comissão de Valores Mobiliários (CVM)).

Acionistas x trabalhadores – Entre 1999 e 2005, em média, os acionistas ficavam com 25,9%, os impostos, 24%, e os bancários, 50,1% da riqueza gerada no banco. Entre 2006 e 2012, uma inversão: o governo continua em 23%, mas acionistas passaram a receber quase 40% e aos trabalhadores restaram 37%. E isso num cenário em que os bancários trabalham cada vez mais. Os balanços dos seis maiores bancos mostram que o lucro gerado por trabalhador subiu 19,4%; cada bancário ampliou em 13,6% a receita com tarifas; o número de contas correntes por bancário aumentou 6,9%. Só caiu a quantidade de trabalhadores por agência: menos 5% (comparação entre o primeiro semestre deste ano e o mesmo período de 2012).
Fonte: Relatório Anual Febraban

Cenário favorável – O PIB brasileiro apresentou crescimento de 1,5% na comparação do segundo trimestre de 2013 com o primeiro trimestre do ano. Trata-se do maior aumento desde o primeiro trimestre de 2010, ano em que o país cresceu 7,5%. Todos os setores da economia tiveram bom desempenho. A agropecuária teve crescimento de 3,9%, na indústria houve aumento de 2,0%, enquanto que os serviços registraram expansão de 0,8%. Tais resultados são bastante expressivos se levarmos em conta o ambiente de crise internacional que levou a maioria das economias a apresentarem baixo crescimento ou mesmo recessão. A economia brasileira cresceu mais do que, por exemplo, Alemanha, Coréia do Sul, França, EUA, Japão, México, Reino Unido, Espanha etc.

Nos últimos dez anos a economia brasileira cresceu fortemente ancorada no enorme potencial de seu mercado interno. No 2º trimestre de 2013 o consumo das famílias apresentou seu 39º crescimento trimestral consecutivo, o que é fundamental já que esse componente da demanda é responsável por 62,3% do PIB brasileiro. A força do consumo das famílias é explicada por dois fatores: crescimento do crédito e, principalmente, avanço da massa salarial do país. O crescimento dos salários fortalece o potencial de consumo da economia e aumenta a expectativa de ganho dos empresários, estimulando decisões de investimento produtivo, o que gera um ciclo virtuoso de crescimento com distribuição de renda. Nesse sentido o bom desempenho das campanhas salariais nos últimos anos tem sido um dos pilares de sustentação de nossa dinâmica econômica. Segundo o Balanço dos Reajustes do Dieese, 84,5% das negociações no 1º semestre deste ano tiveram reajuste acima da inflação (INPC).

Desde que o regime de metas de inflação foi criado em 1999, apenas em 2001, 2002 e 2003 a inflação oficial superou a meta estabelecida. Desde 2004, o IPCA esteve sempre dentro da meta do governo. Para 2013, a expectativa é que o IPCA encerre o ano em 5,8%, mais uma vez dentro da meta estabelecida e no mesmo patamar observado em 2012. A inflação de alimentos apresentou tendência de queda constante, contribuindo para a redução do índice geral de preços.

Demissões e terceirização – Se em 1990 havia mais de 730 mil bancários no país, em 2001, eram menos de 390 mil. A retomada do crescimento econômico e a expansão das operações de crédito levaram a categoria ao patamar atual de cerca de 500 mil trabalhadores. Em 1996, cada um era responsável por cuidar, em média, de 83 contas correntes. No ano passado, eram pelo menos 326 contas cada que, nesse período, passaram de 40 milhões para 162,9 milhões. Diante da alta de 307%, o número de bancários subiu apenas 3,5%. O cenário de recuperação do emprego bancário foi interrompido a partir de 2012, principalmente em função da forte onda de redução de postos de trabalho verificada nos bancos privados atuantes no país (dados da Rais e do Caged).

Entre os meses de junho de 2012 e de 2013, o Itaú eliminou 4.458 vagas. No mesmo período, o Santander cortou 3.216 postos; o Bradesco, 2.580. O BB reduziu 276 empregos e a Caixa contratou 7.423 (março de 2012/2013, dados dos balanços dos bancos). De acordo com dados do Caged, somente nos seis primeiros meses deste ano foram extintas quase cinco mil vagas nos bancos múltiplos com carteira comercial (onde se enquadram Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Santander, HSBC entre outros).

Outro ponto crítico do emprego bancário diz respeito ao aumento das terceirizações em diversos setores de atividade dos bancos. O número de estabelecimentos que prestam serviço de correspondente bancário cresceu 2.558% entre 2000 e 2013, atingindo 365 mil em setembro deste ano, de acordo com o Banco Central. Estudos do Dieese e da CUT apontam que na economia brasileira o trabalhador terceirizado recebe salário 27% menor que o contratado diretamente, tem jornada semanal de três horas a mais, permanece 2,6 anos a menos no emprego, e sua rotatividade é mais do que o dobro (44,9% contra 22%). Além disso, aponta o Dieese, a cada 10 acidentes de trabalho, oito acontecem entre os terceirizados.
Adoecimento – O SAT (Seguro Acidente de Trabalho) é uma contribuição que as empresas pagam para custear benefícios do INSS oriundos de acidente de trabalho ou doença ocupacional, referente a um percentual sobre a folha de pagamento, em alíquotas que variam entre 1 e 3% de acordo com o risco de acidentes de trabalho da atividade. Segundo a Lei 8212/91- Art. 22: A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social é de:
a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve;
b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio;
c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave.

Os bancos se enquadram na terceira categoria, ou seja, empresas com grave risco de acidente de trabalho ou doença ocupacional. A categoria bancária está entre as que mais sofrem com doenças ocupacionais relacionadas à forma de gestão dos bancos que apostam numa rotina de metas abusivas, extrema pressão e assédio moral como forma de aumentar sua produtividade. Mais de 21 mil bancários (21.144) foram afastados no ano passado, de acordo com dados do INSS, em todo o país – sendo 27% por LER/Dort e 25,7% por transtornos mentais e comportamentais (como stress, depressão, síndrome do pânico). Somente nos três primeiros meses de 2013, 4.387 pessoas se licenciaram pelos mesmos motivos (25,8% transtornos mentais e 25,4% por LER/Dort). Em 2011, o número de bancários afastados foi de 20.714. (Fonte: INSS)

Segurança – Outra reivindicação dos trabalhadores é mais segurança nas agências bancárias. Os ataques a bancos alcançaram 1.484 ocorrências em todo país no primeiro semestre de 2013, média de 8,24 por dia, o que representa crescimento de 17,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Desses casos, 431 foram assaltos (inclusive com sequestro de bancários e vigilantes), consumados ou não, e 1.053 arrombamentos de agências, postos de atendimento e caixas eletrônicos. No primeiro semestre de 2012, foram registrados 1.261 ataques, sendo 377 assaltos e 884 arrombamentos. No primeiro semestre de 2013, o levantamento apurou a ocorrência de 30 assassinatos, média de cinco vítimas fatais por mês, um aumento de 11,1% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram registradas 27 mortes. Os dados são da 5ª Pesquisa Nacional de Ataques a Bancos, elaborada pela Confederação Nacional dos Vigilantes (CNTV) e Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), com apoio técnico do Dieese, a partir de notícias da imprensa, estatísticas de Secretarias de Segurança Pública (SSP) e informações de sindicatos e federações de vigilantes e bancários.

Dados da categoria – Os bancários são uma das poucas categorias no país que possui Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) com validade nacional. Os direitos conquistados têm legitimidade em todo o país. São cerca de 500 mil bancários no Brasil, sendo 142 mil na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, o maior do país. Nos últimos nove anos, a categoria conseguiu aumento real acumulado entre 2004 e 2012 de 16,22%: sendo 1,50% em 2009; 3,08% em 2010; 1,50% em 2011 e 2% em 2012.
Principais reivindicações da categoria no ano de 2013:

• Reajuste salarial de 11,93%
• PLR: três salários mais R$ 5.553,15
• Piso: salário mínimo do Dieese (R$ 2.860,21)
• Vales alimentação, refeição, 13ª cesta e auxílio-creche/babá: salário mínimo nacional (R$ 678)
• Emprego: fim das demissões em massa, ampliação das contratações, combate às terceirizações e contra o PL4330 (que libera a terceirização e precariza as condições de trabalho), além da aprovação da convenção 158 da OIT (que inibe dispensa imotivada)
• Fim das metas abusivas e assédio moral: a categoria é submetida a uma pressão abusiva por cumprimento de metas, que tem provocado alto índice de adoecimento dos bancários
• Mais segurança nas agências bancárias, com a proibição do porte de chaves de cofres e agências por bancários
• Igualdade de oportunidades, com contratação de pelo menos 20% de trabalhadores afrodescendentes

 

3 Comentários

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  1. - IP 177.193.164.168 - Responder

    passa o tempo e a situação não muda: banqueiros cada vez mais rico e bancários cada vez mais no olho da rua. e a gente tendo que fazer o trabalho deles, nessas máquinas eletronicas

  2. - IP 200.140.22.42 - Responder

    leiam o site maracutaianotjmt.com e verifiquem que o sistema de controles de debito e credito do Banco do BRasil saca automaticamente dinheiro do cliente. é o maior barato um processo que virou caso de policia

  3. - IP 177.66.117.15 - Responder

    Falta um mínimo de inteligência na cabeça dos patrões, pois se temos uma inflação basicamente controlada o próximo acordo deveria ser válido para três ou cinco anos, pois a greve só é boa para os banqueiros “para mostrar quem é que manda”. P. exemplo: se o aumento concedido para o fim da greve for 8%, então fica válido este índice para os períodos seguintes. Já que a lucratividade dos banco é historicamente uma certeza. Usem a cabeça seus manés.

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