LUTA DE CLASSES: Em conversa com o blogueiro Enock Cavalcanti (antes da greve ser suspensa), sindicalista Pedro Aparecido lamentou que mobilização dos trabalhadores do Judiciário Federal por melhores salários tenha esbarrado na truculência do presidente do TRT de Mato Grosso. Desembargador Edson Bueno não dialogou e mandou cortar ponto de grevistas.

Pedro Aparecido (de vermelho) conversa com Enock Cavalcanti sobre os desafios de fazer greve enfrentando como repressores do movimento os magistrados encarregados de julgar todas as greves no Brasil. Quando colocados na condição de patrões, eles se comportam, pelo que se vê, como patrões truculentos

Pedro Aparecido (de vermelho) conversa com Enock Cavalcanti sobre os desafios de fazer greve enfrentando como repressores do movimento os magistrados encarregados de julgar todas as greves no Brasil. Quando colocados na condição de patrões, eles se comportam, pelo que se vê, como patrões truculentos. Foto de Hegla Oleiniczak

O sindicalista Pedro Aparecido de Souza, que comanda o Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário Federal em Mato Grosso conversou com o jornalista e blogueiro Enock Cavalcanti, que comanda esta PAGINA DO E, sobre a greve que paralisou, mais uma vez, até o dia 17, quarta-feira, a sua categoria. A conversa foi gravada no início de setembro.

Os dois conversam sobre uma paralisação que fora parcial, já que, no Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região, o sindicato não conseguiu grande adesão ao movimento paredista devido à ameaça lançada pelo presidente do Tribunal, desembargador Edson Bueno, de que aquele servidor que aderisse à greve teria o seu ponto cortado e os dias de paralisação descontados imediatamente de seus salários. Um corte de ponto antecipado, já que a ameaça fora lançada antes mesmo do início do movimento dos trabalhadores.

A truculenta decisão do dirigente da Justiça do Trabalho – justamente aquela corte que, mais adiante, irá avaliar a legalidade do movimento de seus servidores – conseguiu fazer recuar o ímpeto da maioria dos servidores das diversas repartições do TRT em Mato Grosso. Tanto que a adesão à greve fora mínima naquelas repartições.

No âmbito da Justiça Federal e do Tribunal Regional Eleitoral, que formam, com o TRT, a estrutura do Judiciário Federal em nosso Estado, os dirigentes  foram menos draconianos com os sindicalistas e com os grevistas que lutam para garantir pelo menos os reajustes das perdas inflacionárias. Pedro Aparecido avalia que metade dos servidores da Justiça Federal estiveram parados.

O Sindicato está marcando, para a próxima sexta-feira, dia 19 de setembro, uma assembleia geral, em sua sede,  à Av. Rubens de Mendonça, nº 917 – Bosque da Saúde, Ed. Eldorado Executive Center – Sala 402, para avaliação da paralisação e definição dos desdobramentos da luta. Com a suspensão da greve no judiciário federal, foi instalado o Comando de Mobilização do Sindijufe-MT, que ficará encarregado de planejar a retomada da luta ainda neste ano e o acompanhamento das negociações com os tribunais sobre o retorno ao trabalho.

 

Confira, no vídeo, a conversa do sindicalista Pedro Aparecido com Enock Cavalcanti.

Pedro Aparecido avalia que a atual conjuntura não é favorável para os trabalhadores e suas lutas, em Mato Grosso e no Brasil

Pedro Aparecido avalia que a atual conjuntura não é favorável para os trabalhadores e suas lutas, em Mato Grosso e no Brasil

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  1. - IP 179.252.50.67 - Responder

    O Sindijufe havia acabado de sair de uma greve e cumpria um acordo de reposição das horas não trabalhadas durante a primeira greve. Na primeira paralisação, a Direção do Sindijufe repetiu diariamente que aquele movimento não objetivava salário mas a defesa e a unidade das carreiras do Judiciário FEDERAL, bem como o afastamento da pretensão de isonomia dos servidores do Judiciário dos Estados (fato nunca admitido pelo Sindijufe). Nesta segunda greve, alguns dias depois, Pedro apontou a necessidade de defesa de reposição salarial, demonstrando a falta de estratégia ou o equívoco daquela adotada pelo movimento. Além disso, o movimento paredista enfrentou a truculência e o autoritarismo de Edson Bueno e sua equipe. O atual presidente do TRT, logo após assumir a presidência, visitou várias Federações patronais e nunca abriu diálogo com as categorias profissionais. O tratamento dispensado ao Sindijufe e aos servidores públicos do TRT muito mais que uma medida da ignorância difusa em relação à História das lutas sindicais e dos movimentos de lutas dos trabalhadores, realça de modo muito claro as preferências e posicionamentos diante dessa disputa desumana entre o Capital e o Trabalho. Diante disso, é necessário firmar posição para resguardar as conquistas das últimas décadas, com a identificação muito clara dos adversários das lutas dos trabalhadores.

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