LUTA DE CLASSES DENTRO DA IGREJA (4): Cresce movimento de protesto contra cardeal Dom Odilo Scherer. Agora jovens católicos lançam movimento “Juventude Contra o Príncipe” para denunciar atitudes autoritárias de Scherer. “Impressiona-me o fato de cada vez mais Dom Odilo se mostrar príncipe e não pastor”, afirma Felipe Santana, 19, um dos jovens que articulam o grupo que reúne representantes de diversas comunidades católicas da capital paulista

O padre Anísio Hilário, vigário episcopal de São Paulo e o cardeal Odilo Scherer. O homem que já esteve cotado para ser papa em substituição a Bento 16, com suas decisões autoritárias, hoje se transformou em ponto de conflito na comunidade católica da maior cidade do Brasil.

O padre Anísio Hilário, vigário episcopal de São Paulo e o cardeal Odilo Scherer. O homem que já esteve cotado para ser papa em substituição a Bento 16, com suas decisões autoritárias, hoje se transformou em ponto de conflito na comunidade católica da maior cidade do Brasil.

Jovens católicos de São Paulo se unem para protestar contra arcebispo
“Juventude Contra O Príncipe” vai apoiar paroquianos que reclamam de transferências de padres no Ipiranga

Um grupo de jovens católicos em toda a arquidiocese de São Paulo começou em reunião na noite deste domingo (6) a articular a formação de um grupo jovem para protestar contra o arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer. O “Juventude Contra O Príncipe” é formado por jovens de toda a cidade que ficaram “indignados” com o fato do cardeal não querer conversar com paroquianos que protestam na Região Episcopal do Ipiranga.

O Movimento Quero Nosso Pároco, de fiéis da região, protesta desde o dia 23 de Dezembro contra a transferência de párocos entre sete igrejas. O grupo reclama que Dom Odilo promoveu a ação próximo às festas de Natal e Ano Novo, época de festas e em que “muitas pessoas” estão desatentas para protestar. Já foi ouvido pela imprensa e pede que seja marcada audiência com o arcebispo.

O Direito Canônico também determina que os párocos devem ser avisados das mudanças por telegramas. Parte foi pega de surpresa pelo cardeal na sacristia da Catedral da Sé e um dos padres ficou sabendo das trocas pelo Facebook.

O Juventude surge para dar apoio ao movimento com protestos mostrando sua “força jovem”. Também aceita a participação de jovens não católicos indignados com ações recentes do cardeal, como a eleição da reitora Anna Cintra em novembro de 2012 na PUC-SP (que desencadeou greve entre os alunos) e o lobby do cardeal em novembro do ano passado para o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, vetar lei que permitiria o enterro de animais de estimação em cemitérios.

“Impressiona-me o fato de cada vez mais Dom Odilo se mostrar príncipe e não pastor”, afirma Felipe Santana, 19, um dos jovens que articulam o grupo. “O pastor é aquele que cuida do rebanho, dá atenção, tem um carinho grande por cada ovelha. Já o príncipe é aquele que se vê superior, se sente mais importante que qualquer outro e não dá atenção às pessoas a sua volta. Não é isso que precisamos na nossa querida Igreja e temos que lutar contra isso. Não é a Igreja que quer (o Papa) Francisco”, afirmou o paroquiano.

O Papa Francisco declarou em entrevista para a TV Globo, em setembro do ano passado, que “jovem que não protesta, não me agrada” e que “o jovem é, essencialmente, inconformista”.

Entenda o caso

O arcebispo de São Paulo, cardeal Dom Odilo Scherer promoveu ação no começo de dezembro para trocar os párocos entre sete igrejas da região episcopal do Ipiranga. Não foi dada justificativa para mudança e os paroquianos buscam serem ouvidos.

Após reunião entre cerca de trinta paroquianos do Ipiranga e o vigário episcopal de São Paulo, padre Anísio Hilário, na manhã deste sábado (28), a arquidiocese de São Paulo omitiu o clima “acalorado” do encontro.

O assessor de imprensa do cardeal, Rafael Alberto, publicou texto no site da arquidiocese em que ressalta que o vigário explicou “que o rodízio entre padres é corriqueiro” e que os padres envolvidos já sabiam das transferências antes dela se tornarem públicas.

Entretanto, ele omitiu os supostos motivos políticos das trocas e que os padres ficaram sabendo da notícia no dia 7 de dezembro e parte deles preferiu não contar aos fiéis para “não estragar a festa de Natal”. A notícia demorou alguns dias para se espalhar.

A notícia da remoção dos párocos foi dada para a maioria deles na véspera de seus aniversários de ordenação. Alguns receberam um telegrama do cardeal e outros foram avisados por ele na sacristia da Catedral da Sé. O Pároco João Cícero, da igreja Nossa Senhora de Fátima, ficou sabendo de sua remoção pelo Facebook.

O Direito Canônico determina que todos os avisos devem ser dados por telegramas. Os paroquianos também reclamam que tudo foi feito próximo as festas de Natal e Ano Novo, época de comemoração e em que muitas pessoas estão desatentas para os acontecimentos.

“Fiquei nervosa, chorei de raiva”, afirmou a paroquiana Cássia Lima. “O Padre Anísio é cínico, ele estava com um olhar sarcástico, com um sorriso nos lábios (na reunião). Estou revoltada e indignada”.

Para a católica Beatriz Velicu, o vigário ouviu os fiéis, mas não demonstrou atenção. “Ele deixou as pessoas falarem, mas em nenhum momento mostrou sentimento. Um vigário deveria conversar de forma aberta, não se mostrar insensível e irredutível”, disse.

Boatos

Comenta-se, nos bastidores, que já há algum tempo o arcebispo queria retirar o poder de padres que divergem de sua linha política. O cardeal pertence à ala conservadora da Igreja e parte dos padres alvos da ação é moderada ou progressista. Ele teria ficado frustrado ao perder a sucessão de Bento XVI, conservador, para um bispo moderado como Bergoglio.

Parte dos padres removidos das igrejas também enfrentou no passado o “modelo de pastoral conservador e hierárquico” do antigo bispo auxiliar da região, Dom Tomé, conservador e aliado de Dom Odilo. Dom Tomé foi transferido para a diocese de São José do Rio Preto por ter atingido o tempo limite como bispo auxiliar em São Paulo. Fiéis de lá fizeram recentemente um abaixo-assinado pedindo seu afastamento da região.

A ação de Dom Odilo surpreendeu os fiéis, pois ocorreu logo em seguida à publicação do documento “Evangelli Gaudium” em novembro pelo Papa Francisco, onde o pontífice defende a descentralização do poder do Papa e do poder hierárquico dos bispos. Uma das críticas internas do clero é contra a hierarquia da Igreja.

Comenta-se que com a troca de padres entre as paróquias, o objetivo seria interromper o trabalho de anos nas igrejas dos padres moderados ou progressistas.

O pároco da Igreja Santa Rita de Cássia, Celso Paulo Torres, por exemplo, está há mais de vinte anos na Paróquia. Muitos foram batizados pelos padres e hoje são adultos. O padre da igreja Nossa Senhora de Fátima, João Cícero, ficou sabendo da ação do arcebispo por meio de fiéis que leram a notícia no Facebook do novo padre que vai ser nomeado nesse mês, Wilson Santos da igreja Santa Cristina. Comenta-se que Dom Odilo teria pressa na ação por algum motivo.

Os padres alvos da ação seguiriam a “opção preferencial pelos pobres” defendida pelo papa, contrária a Odilo e próxima a defendida pelo antigo clero brasileiro progressista. Esse foi desarticulado nos anos 80 pela ação do papa João Paulo II e do então prefeito da Congregação da Fé (antiga Inquisição) Bento XVI, por meio também da troca de bispos e padres de suas igrejas.

Os fiéis das paróquias estão indignados pelo motivo da mudança e tristes por poder perder alguém da “família” com quem convivem há anos.

Os paroquianos das igrejas Imaculada Conceição (pároco Benedito de Abreu), Nossa Senhora do Sion (José Geraldo Moura Rodrigues), Santo Afonso (Márcio Manso) e Santa Rita (Celso Paulo Torres) se articulam para impedir as mudanças. O bispo Dom Odilo não responde aos seus e-mails, mensagens no Facebook, telefonemas e outras tentativas de contato.

Fiéis das quatro igrejas fazem abaixo-assinados nas portas das paróquias e na internet e também se articulam para fazerem protestos em frente à Catedral da Sé e à casa de Dom Odilo, no bairro da Luz.

Outro boato é que os párocos Márcio e Vicente teriam “traído” os colegas concordando com a mudança achando que iriam para paróquias maiores, o que não aconteceu. Eles participaram do conselho presbiteral que votou pelas trocas. Parte deste seria composto por padres novos “carreiristas em busca de igrejas com mais status político e econômico”.

Os fiéis das três outras igrejas nas trocas Santa Cândida (pároco Jorge Bernardes), Santa Cristina (Wilson dos Santos) e Nossa Senhora de Fátima (João Cícero) não participam das mobilizações. Os dois primeiros seriam conservadores como Dom Odilo.

Parte dos padres removidos das igrejas também enfrentou o “modelo de pastoral conservador e hierárquico” do antigo bispo auxiliar da região, Dom Tomé, conservador e aliado de Dom Odilo. Dom Tomé foi transferido para a diocese de São José do Rio Preto por ter atingido o tempo limite como bispo auxiliar em São Paulo. Fiéis de lá fizeram recentemente um abaixo-assinado pedindo seu afastamento da região.

Leis da igreja

Ainda de acordo com os artigos 1.740 a 1.752 do Direito Canônico da Igreja, um padre só pode ser removido de sua Paróquia por motivo de escândalos e questões morais, financeiras etc que coloquem em risco “a salvação da alma dos fiéis”.

Demissão na PUC

Dom Odilo demitiu o professor e padre Edson Tonetti da PUC-SP que não quis assumir o paroquiado da Imaculada Conceição. O pároco da Nossa Senhora do Sion, José Geraldo, não aceitou também ir para a paróquia e vai ser transferido para a região do Belém. A igreja é associada à universidade e enfrenta problemas como a disputa pelo uso do estacionamento.

Raio-X das trocas de párocos:

· Imaculada Conceição: Benedito Vicente de Abreu (próximo de Dom Odilo e vai para a Paróquia Santo Afonso em fevereiro).
· Nossa Senhora de Fátima: João Cícero (conservador e vai para Santa Cândida em fevereiro)
· Santa Cândida: Jorge Bernardes (conservador e vai para a Santa Rita de Cássia em fevereiro)
· Santa Cristina: Uilson dos Santos (conservador que vai para a Nossa Senhora de Fátima em fevereiro)
· Santo Rita: Celso Paulo Torres (progressista e vai para Nossa Senhora do Sion em fevereiro)
· Santo Afonso: Márcio Manso (moderado que vai para Santa Cristina em fevereiro)
· Nossa Senhora do Sion: José Geraldo Rodrigues (progressista e vai ser transferido para região Episcopal Belém, em data indeterminada, por não ter aceitado ir para a Imaculada)

Esse texto é divulgado por fiéis interessados em suspender as mudanças. O Clasp (Conselho de Leigos da Arquidiocese de São Paulo) apoia a iniciativa. Para o presidente da entidade, Edson Silva, o arcebispo perdeu uma oportunidade de mostrar que está alinhado ao chefe do Vaticano. “O cardeal Dom Odilo podia renovar as estruturas das paróquias ouvindo os fiéis de cada comunidade e promover tudo de uma forma mais participativa”, afirma.

O artigo 212 do Direito Canônico diz que “os leigos devem advertir seus pastores e tornar público suas opiniões” quando não são ouvidos por um bispo.
Os padres receberam a notícia das trocas no dia 7 na véspera dos seus aniversários de ordenação. Os fiéis receberam a notícia próximo às festas de natal.

PARA MAIS INFORMAÇÃO ACESSE

Blog: http://queronossoparoco.blogspot.com.br/
Facebook:https://www.facebook.com/queronossoparoco?ref=hl
Abaixo-assinado: https://secure.avaaz.org/po/petition/Cardeal_Dom_Odilo_Pedro_Scherer_As_transferencias_dos_padres_da_Regiao_Episcopal_Ipiranga_sejam_suspensas/sign/

1 Comentário

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  1. - Responder

    “O Cardeal e os cachorrinhos”
    ou
    “Bispo Francisco e a Liberdade dos Outros”
    ou
    “Deixe que os mortos enterrem seus mortos, quanto a tu vai e anuncia o reino de Deus.” –NSJC

    · Estado de S. Paulo –

    O arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer, foi recebido ontem na Prefeitura com uma missão: impedir a aprovação do projeto de lei que libera o sepultamento de animais domésticos, como cães e gatos, em jazigos comuns dos cemitérios municipais

    · Gazeta do Povo –

    E a Igreja Católica, por meio do bispo de São Paulo, d. Odilo Scherer, fez lobby contra. Diz que isso diminui a dignidade humana, ao torná-la equivalente à dignidade de um cão. A Igreja não pode querer proibir o enterro dos cães. Não tem como forçar o Estado a aceitar a sua posição. Pode, obviamente, se recusar a aceitar sepultamentos de “não humanos”em seus campos santos. Ninguém poderia obrigar isso.

    · Revista Exame –

    Igreja quer vetar enterro de cão e gato em cemitério. Arcebispo de São Paulo tenta impedir a aprovação de lei que libera o sepultamento de animais domésticos em cemitérios municipais.

    · http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/113930/

    DOM ODILO SCHERER PRESIDE ONG ACUSADA DE DESVIAR R$ 47,5 MI

    · http://www.comerj.com.br/pf-investiga-ong-catolica-suspeita-de-desviar-r-18-milhoes/
    PF investiga ONG católica suspeita de desviar R$ 18 milhões

    16 SETEMBRO 2013 – ARCEBISPO NÃO RECONHECE DIGNIDADE DOS ANIMAIS?
    A pessoa que compra o espaço pode usá-lo como quiser. Se quiser enterrar um cachorro ali, qual é o problema? A liberação é uma demanda da sociedade e um direito do cidadão, que paga para adquirir e manter um túmulo.

    · Bispo Francisco de Roma – 25 de Julho de 2013

    Se a Igreja não sai às ruas, se converte em ONG, diz papa.

    Estarrecido vejo que o bispo Odílio se converteu ou sempre foi um grande lobista, conforme o que se publica na imprensa. Preocupado com finanças e outros assuntos, nega em obras a ordem e conselho de seu superior o bispo de Roma, Francisco, em suas recentes declarações no Brasil. As atitudes desses condenados e censurados homens purpurados, que deveriam representar NSJC cem exemplos, como recomenda o Papa, teimosamente se repetem nas desobediências que derrotou o Bento XVI, recalcitrantes à direção da Sé. Persistem e continuam a agir como Príncipes e se metendo em assuntos mundanos e politiqueiros e constrangendo “os pecadores” com super-poderes que os creem divinos. Impertinência lobista na Câmara de S.Paulo e indo além nessa prática mundana, ainda faz lobby a espremer o prefeito, afim de que ele vete e obste a lei aprovada que concede o direito de exercerem o livre-arbítrio, os cidadãos não Católicos-romanos. Pregue na sua paróquia o Príncipe Gestor-lobista, , intimide seus subalternos a pregarem nos seus púlpitos para que os católicos-romanos não façam isso e os lembrem que nos “campos santos” já é proibida essa prática. Qual a finalidade do Espírito Santo[?] a inspirar a tentativa de proibir o direito de escolha do cidadão laico, num pais laico. Essa prática já causou muita tortura, fogueiras, injustiças e nada a favor do Amor. Porém politicagem e se por a carregar bandeiras temporais para “vantagem de NSJC” já causou muitas fogueiras e guerras. Tirar a liberdade de quem não é de sua religião e lutar para impor proibições nada religiosas, não é da competência de tal bispo, Odílio Pedro. Quanto as estimadas ONGS, canais de dinheiro público e corrompido, os Príncipes do Vaticano S/A não precisam de confissões e perdões, o Estado Laico representado por seus policiais federais e agentes de combate ao crime, certamente irão passar a mão nas suas cabeças coroados se sucumbidos a corrupção da Cúria.

    Espero receber um e-mail contendo o endereço eletrônico de mais alto poder do Vaticano S/A, pois quero levar adiante essa minha queixa. Ao dirigir-me a primeiramente a outra entidade romana, em Brasília, fui orientado a queixar-me ao bispo, coisa que ridiculamente o faço agora, ou seja, queixar-me da infração para o infrator.
    *a tempo:
    Não recebi resposta alguma.
    Sei que o prefeito foi “prensado pelo Príncipe” e rejeitou a lei, aprovado em dois turnos pela maioria absoluta na Camara.
    Ou seja, ninguém em São Paulo pode exercer seu livre-arbítrio, pois a Igreja Romana por poder do seu Príncipe, proibiu aos não romanos o exercício da livre-escolha.

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