LUTA DE CLASSES DENTRO DA IGREJA (3): Postura do vigário episcopal, padre Anísio Hilário, que se revelou um duro emissário do cardeal Odilo Scherer, desagradou católicos em reunião em S.Paulo. “Chorei de raiva”, conta uma fiel. Movimento que defende manutenção dos párocos vai manter mobilização. Fiéis das quatro igrejas estudam realização de protestos em frente à Catedral da Sé e da casa de Dom Odilo

O padre Anísio Hilário, vigário episcopal de São Paulo e o cardeal Odilo Scherer. O homem que já esteve cotado para ser papa em substituição a Bento 16, com suas decisões autoritárias, hoje se transformou em ponto de conflito na comunidade católica da maior cidade do Brasil.

O padre Anísio Hilário, vigário episcopal de São Paulo e o cardeal Odilo Scherer. O homem que já esteve cotado para ser papa em substituição a Bento 16, com suas decisões QUE um grupo de paroquianos aponta como autoritárias, hoje se transformou em ponto de conflito na comunidade católica da maior cidade do Brasil.

Vigário defende arcebispo e se mostra “irreversível” com católicos

 Movimento Quero Nosso Pároco protesta contra Dom Odilo Scherer

O vigário episcopal de São Paulo, padre Anísio Hilário, se reuniu com católicos na manhã deste sábado (28) para discutir o movimento que protesta contra o arcebispo metropolitano, Dom Odilo Scherer, nas redes sociais.O cardeal promoveu ação no começo de dezembro para trocar os párocos entre seis igrejas da região episcopal do Ipiranga, sem justificativa. Fiéis de quatro das igrejas criaram o Movimento Quero Nosso Pároco que vem atraindo na internet pessoas solidárias a interrupção das mudanças.O blog do movimento, até este sábado, tinha mais de mil visualizações após ter sido criado há cinco dias. Católicos debatem sobre o assunto na página e no perfil do movimento no Facebook.

A reunião ocorreu na Igreja Nossa Senhora da Aparecida, no Ipiranga, onde em um encontro “acalorado”, com choro e cerca de trinta paroquianos, o vigário episcopal disse que o arcebispo não voltaria atrás em sua decisão. O padre não comentou os supostos motivos políticos da troca de padres e respondeu a todos os questionamentos que “a Igreja trabalha com a realidade e não com o ideal”.

“Ele deixou as pessoas falarem, mas em nenhum momento mostrou sentimento. Um vigário deveria conversar de forma aberta, não se mostrar insensível e irredutível”, afirmou Beatriz Velicu, uma das paroquianas na reunião.

Para a católica Cássia Lima, o vigário não ouviu os fiéis. “Chorei de raiva. Iremos continuar os abaixo-assinados (um online divulgado pelo movimento e outro deixado na porta das paróquias) e levaremos até Roma”.

O Movimento decidiu por continuar a divulgação para atrair a ajuda de mais pessoas e organizar protestos. O vigário não explicou porque Dom Odilo não compareceu a reunião. Também teria se mostrado preocupado com os paroquianos estarem conversando com a imprensa.

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ENTENDA O CASO

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Arcebispo de São Paulo contraria Papa Francisco


Dom Odilo remove padres de suas paróquias que divergem de sua linha políticaO Arcebispo da cidade de São Paulo, Dom Odilo Scherer, promoveu ação no começo de dezembro para trocar os párocos entre seis igrejas da região episcopal do Ipiranga. Não foi dada justificativa para mudança.Comenta-se, nos bastidores, que já há algum tempo Dom Odilo queria retirar o poder de padres que divergem de sua linha política. O cardeal pertence à ala conservadora da Igreja e parte dos padres alvos da ação é moderada ou progressista. Ele teria ficado frustrado ao perder a sucessão de Bento XVI, conservador, para um bispo moderado como Bergoglio.

O Papa Francisco publicou em novembro o documento “Evangelli Gaudium” onde defende a descentralização do poder do Papa e do poder hierárquico dos bispos. Uma das críticas internas do clero é contra a hierarquia da Igreja.

Comenta-se que com a troca de padres entre as paróquias, o objetivo seria interromper o trabalho de anos nas igrejas dos padres moderados ou progressistas.

O pároco da Igreja Santa Rita de Cássia, Celso Paulo Torres, por exemplo, está há mais de vinte anos na Paróquia. Muitos foram batizados pelos padres e hoje são adultos. O padre da igreja Nossa Senhora de Fátima, João Cícero, ficou sabendo da ação do arcebispo por meio de fiéis que leram a notícia no Facebook do novo padre que vai ser nomeado nesse mês, Wilson Santos da igreja Santa Cristina. Comenta-se que Dom Odilo teria pressa na ação por algum motivo.

Os padres alvos da ação seguiriam a “opção preferencial pelos pobres” defendida pelo papa, contrária a Odilo e próxima a defendida pelo antigo clero brasileiro progressista. Esse foi desarticulado nos anos 80 pela ação do papa João Paulo II e do então prefeito da Congregação da Fé (antiga Inquisição) Bento XVI, por meio também da troca de bispos e padres de suas igrejas.

Os fiéis das paróquias estão indignados pelo motivo da mudança e tristes por poder perder alguém da “família” com quem convivem há anos.

Os paroquianos das igrejas Imaculada Conceição (pároco Benedito de Abreu), Nossa Senhora do Sion (José Geraldo Moura Rodrigues), Santo Afonso (Márcio Manso) e Santa Rita (Celso Paulo Torres) se articulam para impedir as mudanças. O bispo Dom Odilo não responde aos seus e-mails, mensagens no Facebook, telefonemas e outras tentativas de contato.

Fiéis das quatro igrejas se articulam para fazerem abaixo-assinados e também protestos em frente
à Catedral da Sé e da casa de Dom Odilo.

Outro boato é que os párocos Márcio e Vicente teriam “traído” os colegas concordando com a mudança achando que iriam para paróquias maiores, o que não aconteceu. Eles participaram do conselho presbiteral que votou pelas trocas. Parte deste seria composto por padres novos “carreiristas em busca de igrejas com mais status político e econômico”.

Os fiéis das três outras igrejas nas trocas Santa Cândida (pároco Jorge Bernardes), Santa Cristina (Wilson dos Santos) e Nossa Senhora de Fátima (João Cícero) não participam das mobilizações. Os dois primeiros seriam conservadores como Dom Odilo.

Parte dos padres removidos das igrejas também enfrentou o “modelo de pastoral conservador e hierárquico” do antigo bispo auxiliar da região, Dom Tomé, conservador e aliado de Dom Odilo. Dom Tomé foi transferido para a diocese de São José do Rio Preto por ter atingido o tempo limite como bispo auxiliar em São Paulo. Fiéis de lá fizeram recentemente um abaixo-assinado pedindo seu afastamento da região.

Leis da igreja

Ainda de acordo com os artigos 1.740 a 1.752 do Direito Canônico da Igreja, um padre só pode ser removido de sua Paróquia por motivo de escândalos e questões morais, financeiras etc que coloquem em risco “a salvação da alma dos fiéis”.

Demissão na PUC

Dom Odilo demitiu o professor e padre Edson Tonetti da PUC-SP que não quis assumir o paroquiado da Imaculada Conceição. O pároco da Nossa Senhora do Sion, José Geraldo, não aceitou também ir para a paróquia e vai ser transferido para a região do Belém. A igreja é associada à universidade e enfrenta problemas como a disputa pelo uso do estacionamento.

Raio-X das trocas de párocos:

• Imaculada Conceição: Benedito Vicente de Abreu (próximo de Dom Odilo e vai para a Paróquia Santo Afonso em data não informada).
• Nossa Senhora de Fátima: João Cícero (conservador e vai para Santa Cândida em fevereiro)
• Santa Cândida: Jorge Bernardes (conservador e vai para a Santa Rita de Cássia em fevereiro)
• Santa Cristina: Wilson dos Santos (conservador que vai para a Nossa Senhora de Fátima já em dezembro)
• Santo Rita: Celso Paulo Torres (progressista e vai para Nossa Senhora do Sion em fevereiro)
• Santo Afonso: Márcio Manso (moderado que vai para Santa Cristina em março)
• Nossa Senhora do Sion: José Geraldo Rodrigues (progressista e vai ser transferido para região Episcopal Belém, em data indeterminada, por não ter aceitado ir para a Imaculada)

Esse texto é divulgado por fiéis interessados em suspender as mudanças. O Clasp (Conselho de Leigos da Arquidiocese de São Paulo) apoia a iniciativa. Para o presidente da entidade, Edson Silva, o arcebispo perdeu uma oportunidade de mostrar que está alinhado ao chefe do Vaticano. “O cardeal Dom Odilo podia renovar as estruturas das paróquias ouvindo os fiéis de cada comunidade e promover tudo de uma forma mais participativa”, afirma.

O artigo 212 do Direito Canônico diz que “os leigos devem advertir seus pastores e tornar público suas opiniões” quando não são ouvidos por um bispo.
Os padres receberam a notícia das trocas no dia 7 na véspera dos seus aniversários de ordenação. Os fiéis recebem a notícia próximo às festas de natal.

Movimento Quero Nosso Pároco
divulgacaoigreja@gmail.com

Blog: http://queronossoparoco.blogspot.com.br/
Facebook: https://www.facebook.com/pages/Movimento-Quero-Nosso-P%C3%A1roco/787339577948639?ref=hl

 

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Arquidiocese de São Paulo omite clima “acalorado” de reunião com fiéis

 

Dom Odilo Scherer vai remover padres de suas paróquias que divergem de sua linha política

 

 

Após reunião entre cerca de trinta paroquianos do Ipiranga e o vigário episcopal de São Paulo, padre Anísio Hilário, na manhã deste sábado (28), a arquidiocese de São Paulo omitiu o clima “acalorado” do encontro. Fiéis da região protestam contra a troca de párocos feita pelo arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer, que teria tido motivos políticos.

 

O assessor de imprensa do cardeal, Rafael Alberto, publicou texto no site da arquidiocese em que ressalta que o vigário explicou “que o rodízio entre padres é corriqueiro” e que os padres envolvidos já sabiam das transferências antes dela se tornarem públicas.

 

Entretanto, ele omitiu os supostos motivos políticos das trocas e que os padres ficaram sabendo da notícia no dia 7 de dezembro e parte deles preferiu não contar aos fiéis para “não estragar a festa de Natal”. A notícia demorou alguns dias para se espalhar.

 

A notícia da remoção dos párocos foi dada para a maioria deles na véspera de seus aniversários de ordenação. Alguns receberam um telegrama do cardeal e outros foram avisados por ele na sacristia da Catedral da Sé. O Pároco João Cícero, da igreja Nossa Senhora de Fátima, ficou sabendo de sua remoção pelo Facebook.

 

“Fiquei nervosa, chorei de raiva”, afirmou a paroquiana Cássia Lima. “O Padre Anísio é cínico, ele estava com um olhar sarcástico, com um sorriso nos lábios (na reunião). Estou revoltada e indignada”.

 

Para a católica Beatriz Velicu, o vigário ouviu os fiéis, mas não demonstrou atenção. “Ele deixou as pessoas falarem, mas em nenhum momento mostrou sentimento. Um vigário deveria conversar de forma aberta, não se mostrar insensível e irredutível”, disse.

 

O Movimento decidiu por continuar a divulgação para atrair a ajuda de mais pessoas e organizar protestos. O padre também teria se mostrado preocupado com os paroquianos estarem conversando com jornalistas.

 

O assessor de imprensa do cardeal, também presente na reunião, prometeu levar pedido de audiência dos fiéis a Dom Odilo que está “incomunicável” até 13 de janeiro. O blog do movimento tem já mais de 1.200 visualizações em sete dias.

 

Entenda o caso

 

O arcebispo de São Paulo, cardeal Dom Odilo Scherer promoveu ação no começo de dezembro para trocar os párocos entre sete igrejas da região episcopal do Ipiranga. Não foi dada justificativa para mudança.

 

Comenta-se, nos bastidores, que já há algum tempo o arcebispo queria retirar o poder de padres que divergem de sua linha política. O cardeal pertence à ala conservadora da Igreja e parte dos padres alvos da ação é moderada ou progressista. Ele teria ficado frustrado ao perder a sucessão de Bento XVI, conservador, para um bispo moderado como Bergoglio.

Movimento Quero Nosso Pároco

1 Comentário

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  1. - Responder

    Presente de Natal inusitado: um levante da Teologia da Libertação contra D. Odilo?

    André Roncolato SianoCirculam em alguns jornais e na internet notícias sobre transferências de párocos feitas por D. Odilo neste final de ano, na Região Episcopal Ipiranga. Este fato teria comovido alguns paroquianos que, pelo grande apego cultivado ao cura, sofreriam com a ausência deste em virtude de sua substituição pelo novo pároco.A transferência de párocos é, de certo modo, comum nas Dioceses, e particularmente comum na Diocese de São Paulo, sendo muito bem conhecida pelos párocos e paroquianos. O fato também é previsto no Código de Direto Canônico, que regula as leis na Igreja Católica. Portanto, não há qualquer novidade neste tipo de transferência, embora sendo evidente que, quando ocorrem, há lamentações de uns e regozijos de outros, sabe-se que agrado e desagrado fazem parte de mudanças deste tipo.Mas o curioso é que desta vez um assunto tão cotidiano e tão comum na diocese, ganhe notoriedade na internet e em até alguns jornais de circulação nacional como o piedosíssimo Estado de São Paulo, sempre muito favorável à doutrina da Igreja, como se sabe…É inevitável perguntar: o que leva o jornal Estado de São Paulo a se solidarizar com paroquianos magoados, publicando uma notícia estritamente eclesiástica? Não é este jornal tão favorável a separação entre a Igreja e o Estado e, em consequência, ao que ocorre na esfera civil e na esfera religiosa?Quem articula o ataque contra D. Odilo é o genérico Edson Silva – será para não ser encontrado na internet? – ou o ainda bem genérico e truncado, Edson G. P. O. Silva. Na verdade, Edson Gonçalves Pelagalo Oliveira Silva, presidente do CLASP, Conselho de Leigos da Arquidiocese de São Paulo. Esse conselho marxista tem seus estatutos aprovados pela Arquidiocese de São Paulo, sendo uma das condições para sua atuação a de não ter vínculos político-partidários.O tal Edson, entretanto é ligado ao PSB, Partido Socialista Brasileiro, que tem como finalidade a “implantação da democracia e do socialismo no País” e disputou cargo de vereador em 2004: Figura 1: http://www.seade.gov.br/produtos/eleicoes/candidatos/index.php?page=pol_det&cand=97468 A aliança de Edson com o esquerdismo não se limita a pertencer a um partido repetidamente condenado pela Igreja. Ele ideologicamente se alinha com as ideias esquerdistas, comungando das ideias da Teologia da Libertação, que também foi condenada pelo Papa Bento XVI quando este ainda era o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Assim, a dissertação de mestrado de Edson, claramente marxista, foi uma ampla defesa, embora misturada com sutilezas, da Teologia da Libertação. Veja-se a seguinte afirmação:“O Serviço Social no Brasil surge como campo para a crítica social e para elaboração de projetos que atendam às necessidades humanas. (…) Consequentemente contribui com o Movimento de Reconceituação nos anos 60, preparando os caminhos que viabilizam o rompimento com o que se considerou conservadorismo, adotando a teoria marxista como eixo de seu projeto político e pedagógico do curso, a partir de 1979.”(Edson Gonçalves Pelagalo Oliveira Silva, Serviço Social e a ação sócio-pastoral da Igreja Católica: Assistência, promoção humana e emancipação social, 2010, p. 145 – Destaques nossos)É preciso lembrar que a adoção de ideias do socialismo ou comunismo foram e continuam a ser condenadas pela Igreja.Mas os integrantes da esquerda, tão simpáticos à Teologia da Libertação que frequentam o CLASP, não se limitam ao abreviado Edson Silva. Como exemplo, cito mais alguns integrantes oficiais do CLASP muito bem relacionados com partidos de esquerda e com a condenada Teologia da Libertação, que mais uma vez se levanta contra o Cardeal Arcebispo de São Paulo:Darci Peruci, do conselho fiscal da CLASP, é filiada também ao PSB.Outra preciosidade do conselho fiscal da CLASP é Paulo César Pedrini, coordenador da Pastoral Operária e bem relacionado com os “movimentos populares” da Teologia da Libertação, sindicatos e com o Grito dos Excluídos. Aliás, Paulo participou vivamente das mobilizações de defesa do Bispo rebelde D. Pedro Casaldáliga.Outro que vai na mesma linha é José Ramos Cardoso, também do conselho fiscal da CLASP, articulador e participante das CEBs, sabidamente associadas à Teologia da Libertação.Como gostam de mexer com dinheiro esses que só pensam no pão dos pobres.Mais? É só ter um pouco de paciência para procurar. Para não dizer que a esquerda do CLAPS está só no conselho fiscal apresentamos mais uma figura desta estranha associação:Antonio Carlos Ribeiro Fester, da comissão de formação e teologia da CLAPS, que dispensa maiores apresentações, é autor do livro “Justiça e paz: memórias da comissão de São Paulo”, claramente TL e que mostra de maneira positiva a história da esquerda católica em São Paulo.Se os leitores tiverem paciência e quiserem pesquisar mais alguns nomes do clubinho da CLASP, muito provavelmente encontrarão ainda pessoas da TL.Como se pode ver, o tal CLASP é praticamente uma agência da TL, com estatutos incrivelmente aprovados pela Cúria Arquidiocesana, e que, ao que tudo indica, trabalham frequentemente, inclusive com relacionamentos partidários, para atacar o Arcebispo de São Paulo, como já fizeram recentemente na PUC, nas manifestações e agora com a questão da transferência de padres.Tão estranho quanto o ataque que o CLASP é o silêncio de outras organizações da Diocese e mesmo do clero na defesa de Dom Odilo. Ao que parece, pelo relacionamento dos integrantes oficiais do CLASP, há um amplo trabalho na Arquidiocese de São Paulo, promovido pela TL, para sabotar o governo episcopal. Uma empresa deste espectro, normalmente, não pode se dar senão apoiada por uma rede oculta de padres e clérigos que coordenem essa ação sistemática.O que na realidade pretenderia mais um ataque da Teologia da Libertação a D. Odilo? Esta é a pergunta que fica e para a qual talvez tenhamos a resposta em breve.

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