TCE - DEZEMBRO

LAURA NABUCO – Ganhará o meu voto o candidato que tiver coragem de assumir publicamente estar interessado em fazer um debate sério sobre o tema do aborto.

Um viva para a jornalista Laura Nabuco que, nas páginas do Diário de Cuiabá, tenta colocar um pouco mais de racionalidade no debate em torno do aborto e do uso de drogas. Como se sabe, nestas questões, a religiosidade de nosso povo é sempre manipulada para manter a triste realidade de que muitas de nossas mulheres continuam penando nas mãos de aborteiros, enquanto o Estado, que pretensamente é laico, por conta do tabu religioso, não lhes oferece o atendimento necessário para a preservação de sua saúde e, muitas vezes, de suas vidas. Confira o que escreveu Laura Nabuco. (EC)

Mais seriedade
LAURA NABUCO

Sem objetivo de defender partido A ou B, candidato fulano ou sicrano, tenho que me manifestar contra políticos e agremiações que usam argumentos míopes para criticar propostas de legalização ou descriminalização do aborto e do uso de drogas.

Para começar, sempre busquei respeitar todas as religiões, e exatamente por isso acho que recorrer a elas para embasar qualquer posicionamento não é uma postura válida. Afinal, o Estado precisa legislar para todos, sem distinções.

Se sua religião condena, ótimo. Não faça! O que não se pode admitir é que o Governo não atenda mulheres e, sim crianças, que não têm condições de sustentar suas famílias por princípios religiosos que não são unanimidade.

É verdade que muitas das gravidezes indesejadas são fruto de descuidos de jovens e que poderiam facilmente ter sido evitadas. A União tem políticas para isso: distribuição de preservativos, de anticoncepcionais, além de programas de orientação sobre sexo seguro. Mas atire a primeira pedra quem nunca cometeu um deslize que, com um pouco menos de sorte, também poderia resultar num filho.

Se de um lado o Bolsa Família, Escola, Gás, “Esmola”, ajuda a criar estes filhos. De outro, faltam creches, médicos, emprego para esses bebês que vão crescer um dia. Também falta estrutura que permita a essa mãe a mesma oportunidade de crescimento – como cursar uma faculdade e dar um futuro digno a sua família. O resultado é o crescimento da pobreza que, por sua vez, gera criminalidade, onde o uso de drogas está incluído.

Não pretendo com este artigo colocar um ponto final na discussão e levantar a bandeira da legalização ou descriminalização do aborto. Mais pontos precisam ser analisados. Pretendo sim mostrar como o debate sobre a causa está embasado em argumentos rasos.

Basta perguntar por que a lei já permite abortos em casos de estupro ou de risco de vida à mãe. Eles bebês são menos humanos que os gerados numa noite de aventura ou descuido?

Ainda sem fazer apologia a este ou aquele candidato, ganhará o meu voto o que tiver coragem de assumir publicamente estar interessado em fazer um debate sério sobre o tema.

LAURA NABUCO é repórter do Diário de Cuiabá

3 Comentários

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  1. - Responder

    Não existe legislação maior ou melhor que a do AMOR. Essa, divinamente, diz: “Não matar, ama o próximo com a ti mesmo”. O próximo pode ser inclusive a que está no ventre da mulher.

  2. - Responder

    Tantos problemas a serem resolvidos, miséria, fome, transporte público, educação, saúde todos em estado lastimável e a jornalista quer debate sério sobre aborto, só pode ser brincadeira.
    O que seria debate sério sobre o aborto, cara jornalista?
    No tema aborto ou se é contra ou se é a favor, todos os argumentos são sérios, tanto de uns quanto de outros.
    Eu, por exemplo, sou a favor da liberação, pois sou a favor do livre arbítrio sempre.

  3. - Responder

    e o outro que se diz jornalista que passou a vida toda queimando os políticos cuiabano que não se aliaram a ele tu sabe bem de quem estou falando é desse suposto que se chama enock cavalcante com suas supostas persegções egoistas . onde diz ser um carioca vestido de cuiabano e ainda cuspindo no prato que come mais é sempre assim os supostos forasteiros.

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