PREFEITURA SANEAMENTO

Julian Assange conversa com pensadores Noam Chomsky e Tariq Ali sobre a crise internacional. ”A democracia é como uma concha vazia, e é isso que está revoltando a juventude, ela sente que faça o que fizer, vote em quem votar, nada vai mudar. Daí todos esses protestos”, explica Tariq Ali.

O Mundo Amanhã – Noam Chomsky e Tariq Ali

Ninguém poderia tê-las previsto. Mas ainda com o mundo sob o efeito das revoluções no Oriente Médio, o jornalista australiano Julian Assange (do Wikileaks) se reuniu com dois pensadores de peso para saber o que eles pensam sobre o futuro.

Noam Chomsky, renomado linguista e pensador rebelde, e Tariq Ali, romancista de revoluções e historiador militar, encontram na Primavera Árabe questões sobre a independência das nações, a crise da democracia, sistemas políticos eficientes (ou não) e a legião de jovens ativistas que tem se levantado para protestar no mundo todo. ”A democracia é como uma concha vazia, e é isso que está revoltando a juventude, ela sente que faça o que fizer, vote em quem votar, nada vai mudar. Daí todos esses protestos”, explica Tariq Ali.

“O que temos na política ocidental não é a extrema esquerda e nem a extrema-direita, mas um extremo-centro”, continua ele. “E esse extremo centro engloba tanto a centro-direita quanto a centro-esquerda, que concordam em fundamentos: travando guerras no exterior, ocupando países e punindo os pobres, punindo por meio de medidas de austeridade. Não importa qual o partido no poder, seja nos Estados Unidos ou no mundo ocidental”.

Segundo o próprio Ali, a grande crise da democracia está pulsando nas mãos das corporações. “Quando você tem dois países europeus, como a Grécia e a Itália, e os políticos abdicando e dizendo ‘deixem os banqueiros comandar’… Para onde isso está indo? O que nós estamos testemunhando é a democracia se tornando cada vez mais despida de conteúdo”, critica o ativista.

Mas após as revoluções, as conquistas vêm da construção de novos modelos políticos, inventados. Chomsky cita a Bolívia como exemplo. “Eu não acho que as potências populares preocupadas em mudar suas próprias sociedades deveriam procurar modelos. Deveriam criar os modelos”. Para ele, a chegada da população indígena ao poder político através da figura de Evo Morales está se replicando no Equador e no Peru. “É melhor o Ocidente captar rápido alguns aspectos desses modelos, ou então ele vai se acabar”, alerta Chomsky.

Por outro lado, está na mãos dos jovens perceber a necessidade de agir, segundo Tariq Ali. “Não desistam. Tenham esperança. Permaneçam céticos. Sejam críticos com o sistema que tem nos dominado. E mais cedo ou mais tarde, se não essa geração, então nas próximas, as coisas vão mudar”.

FONTE CONTROVÉRSIA

1 Comentário

Assinar feed dos Comentários

  1. - IP 187.5.109.196 - Responder

    Me lembro de um velho Professor de Filosofia do Direito, hoja já falecido, que comentava ironicamente uma frase de John Kennedy posta numa placa na Praça Kennedy, no centro de Natal. Diz a frase: “Se a sociedade livre não conseguir ajudar os muitos que são pobres, tampouco poderá salvar os poucos que são ricos”. E dizia o velho Professor sobre o significado de fundo dessa frase, pois segundo ele John Kennedy quis dizer exatamente isso: “Vamos fazer alguma coisa para que nada mude!”. Essa é a realidade de uma civilização fundada no fator econômico acima de tudo, com o TER sempre sobrepondo-se ao SER.

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

dois × 2 =