JUIZ GONÇALO SAITO DE BARROS: “Queremos que os homens violentos e machistas entendam que a atitude e conduta deles são reprovadas por outros homens. Não são somente as mulheres que estão na luta contra a violência contra as mulheres”

Para o juiz Saíto, a participação da PM na Campanha Laço Branco é de suma importância, uma vez que a iniciativa tem como foco principal a conscientização do público masculino na defesa dos direitos das mulheres

Magistrado palestra sobre defesa das mulheres

O juiz Gonçalo Antunes de Barros Neto proferiu palestra sobre o combate à violência contra a mulher para centenas de policiais militares de todo o Estado de Mato Grosso. A iniciativa faz parte da Campanha Laço Branco, promovida pelo Conselho Estadual dos Direitos das Mulheres. A atividade foi realizada por vídeo-conferência e transmitida pela Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia (Secitec) para sete Comandos Regionais da Polícia Militar.

Representando o Poder Judiciário de Mato Grosso, o magistrado destacou a importância do respeito à mulher e o combate a qualquer tipo de violência, além do rigor na punição para quem insiste em agredir a mulher de maneira física ou emocional. Abordou a Lei Maria da Penha e explicou sobre o papel fundamental da PM na proteção, bem como no acolhimento de vítimas. Ao final, respondeu questionamentos e esclareceu dúvidas dos participantes.

Para o juiz, a participação da PM na Campanha Laço Branco é de suma importância, uma vez que a iniciativa tem como foco principal a conscientização do público masculino na defesa dos direitos das mulheres. “Queremos que os homens violentos e machistas entendam que a atitude e conduta deles são reprovadas por outros homens. Não são somente as mulheres que estão nesta luta. E o engajamento de uma instituição como a PM, que tem 90% do quadro formado por homens, faz toda diferença, especialmente por tratar de um ente que atua diretamente com as vítimas de violência”.

O tenente-coronel da PM, Heverton Mourett de Oliveira, acompanhou a palestra e concordou com a importância do engajamento policial. “Esse tipo vídeo-conferência abrange grande número de pessoas a baixo custo, levando informação a um público, no caso os policiais, que tem contato imediato e constante com as situações descritas e combatidas. Permite ainda que o Poder Judiciário fale diretamente com a Polícia”.

Idealizadora da Campanha Laço Branco em Mato Grosso, a defensora pública e presidente do Conselho, Rosana dos Santos Leite, relata que este é o primeiro ano que o Estado abraça a causa e tem tido uma boa aceitação. O lançamento ocorreu em 23 de outubro na Assembleia Legislativa de Mato Grosso e a Polícia Militar se colocou a disposição para aderir a causa. Também participam o Ministério Público, Tribunal de Justiça de Mato Grosso e Defensoria Pública.
A secretária da Secitec, Áurea Regina Alves Ignácio, aprovou a iniciativa e participação do Poder Judiciário, e disse ser favorável à ampliação do projeto. Lembrou ainda que homens e mulheres não precisam competir. “Podemos todos viver em harmonia e com respeito mútuo”.

Campanha – Nacionalmente as ações da Campanha são intensificadas entre os dias 25 de novembro e 6 de dezembro. As datas não são aleatórias. Em 25 de novembro comemora-se o Dia Internacional da Não-Violência contra a Mulher. Já o encerramento da Campanha Laço Branco, em 6 de dezembro, está vinculado ao Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres. No Brasil, a data foi instituída pela lei 11.489/2007.
O dia 6 de dezembro representa um marco mundial do combate à violência. Nesta data, no ano de 1989, o jovem Marc Lepine, de 25 anos, invadiu a Escola Politécnica, na cidade de Montreal, Canadá. Na sala de aula havia homens e mulheres. Ele pediu que os 48 homens saíssem e executou com tiros a queima-roupa as 14 mulheres que lá estavam. Em seguida, suicidou-se.

Em uma carta deixada por ele, justificava seu ato dizendo que não suportava a ideia de ver mulheres estudando Engenharia, um curso tradicionalmente voltado para os homens. O massacre ocasionou em amplo debate sobre as desigualdades entre homens e mulheres e a violência gerada por esse desequilíbrio social.

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

1 Comentário

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  1. - IP 189.59.49.245 - Responder

    Parabéns ao Dr. Gonçalo e à Dra. Rosana por esta iniciativa.

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