gonçalves cordeiro

Juíz Bussiki, juíza Sinii, juíz Wladimir Perri no julgamento do século: Dorileo segue tentando punir blogueiro Enock Cavalcanti por pensar contra ele

Bussiki. Sinii, Dorileo, Enock e Perri

O empresário Sr João Dorileo Leal, que comanda o conglomerado jornalístico de A Gazeta, quer punir a mim, o blogueiro Enock Cavalcanti, por pensar contra ele. Dá pra impor limites à liberdade de expressão no Brasil e, particularmente, em Mato Grosso? O Sr.Dorileo parece entender que sim, quando a livre expressão expressa uma crítica contra ele. Por isso, desde ano passado, estão rolando os processos dele contra mim na Justiça de Mato Grosso. Na próxima quinta, dia 21 de fevereiro, eu e ele estaremos diante do juiz Wlademir Perri e também diante do representante do Ministério Público Estadual, na 10ª Vara Criminal, na audiência de instrução na ação criminal em que o Sr.Dorileo me acusa de calúnia, injúria e difamação. Vejam vocês, até aqui o dono da Gazeta está ganhando todas. Será que ele ganha por que é o dono de A Gazeta?

As análises estão em aberto. Quem é que se debruça sobre o caso? Poucos, muitos poucos. As pessoas não se inquietam quando a liberdade de expressão é colocada em causa e um jornalista/blogueiro pode ser constrangido a pagar gorda indenização e até ser condenado à prisão simplesmente por procurar lançar luz sobre os possíveis malfeitos de um grande empresário da Comunicação em Mato Grosso. Digo isso porque, no dia 13.2.19, sem maior repercussão, foi publicada a decisáo da juíza Sinii Savana Bosse Saboía Ribeiro rejeitando meus embargos de declaração e confirmando a decisão anterior do juiz Gilberto Bussiki, na mesma vara, que me condenou a pagar 28 mil de indenização por ter escrito, em 2017, texto neste meu blogue informando que o Sr. João Dorileo Leal fora citado na delação do ex-governador Silval Barbosa e lembrando que, além desse caso, Dorileo também é investigado como ativo participante no episódio carimbado como Escândalo das Gráficas e sob investigação do Ministério Público Estadual. Também lembrei no pequeno e modesto artigo, que Dorileo esteve envolvido no Escândalo do Secomgate, ao lado da figura histórica do ex-governador Dante de Oliveira, tido e havido como o Senhor das Diretas. Senhor das Diretas e também senhor de alguns escândalos, já que a vida não é um caminho em linhas retas.

O que lembrei no artigo é do conhecimento de muitas e muitas pessoas, as mais idosas, nesta Cuiabá e neste Mato Grosso. Este caso representa, pelo menos para mim, um embate vital em defesa da liberdade de imprensa – mas quem é que se preocupa com isso? A decisão da juiza Sinii (de onde é que vem este curioso nome?), teve eco muito modesto. Apenas o Muvuca registrou essa nova sentença contra mim, com título que favoreceu o dono da Gazeta: “Jornalista tem que pagar R$ 35 mil a Dorileo Leal por “inveja” – escreveu o Muvuca, majorando a indenização arbitrada pelo juiz Bussiki e confirmada pelo juiz de 28 para 35 mil não sei por conta de quem. Mas o Muvuca pelo menos fez o registro para a História. No restante da mídia, silêncio total. A disputa judicial entre o grande empresário da Comunicação e o velho e modesto blogueiro parece que não tem importância nenhuma para nossa valorosa imprensa regional. Para mim, é o “julgamento do século” mas são muitos os que pensam de forma diferente. Entendo que cabem muitas análises para destrinchar e entender essa lógica de valoração, mas quem a fará? Eu, o blogueiro inquieto, aos 65 anos, como tem ficado evidente no meu blogue, já não ando tão ativo assim. Tenho preferido escrever notinhas curtas no Face, espalhar chistes, cortar colar o jornalismo alheio, do que mergulhar em novas investigações, enquanto espero pelo apagar da velha chama. Peço que me acompanhem no Face ou no Twitter por que é por ali, a cota gotas, que hoje mais constantemente me expresso. Também tenho ocupado espaço na TV, com entrevistas e bate-papos através da TV Cuiabá, canal 47, onde devo retomar, em março, meu programa “Amplo, Geral e Irrestrito”.

Mas deixe-me dizer que para mim, data maxima vênia, as decisões dos juizes Bussiki e Sinii me deixaram boquiaberto, espantado, algo surpreso. Leio, leio, leio e fico me dizendo que eles julgaram contra a lógica expressa no meu artigo. Dorileo me acusa de ter atacado a sua honra e eu contraponho que me limitei a fazer o registro jornalistico da citação do Silval – e os dois julgadores entendem que o Dorileo está com a razão. E pior: entendem que ele deve ser ressarcido em milhares de reais, como se minha informação fosse um despauterio e não uma rotina necessária do jornalismo!

Vejam que o Sr. Dorileo tenta fazer crer que defendi sua condenação, mas isso não está no meu artigo. Falei, sim, na citação do nome do Sr. Dorileo por parte do ex-governador Silval como um dos que teriam sido favorecidos por pagamentos irregulares, citação essa que, no final do ano passado, levou inclusive a Policia Civil, a PM e o Gaeco até ao endereço residencial do Sr. Dorileo e também à sede de A Gazeta, em ação de busca e apreensão, atrás de documentos e outras comprovações daquilo que o ex-governador Silval e também o ex-secretário da Casa Civil Pedro Nadaf argumentaram contra o dono de A Gazeta. Infelizmente parece que esta busca e apreensão não chegou ao conhecimento dos meus julgadores, os juízes Bussiki e Sinii, que parecem presos àquele velho dogma de que “o que não está no processo não está na vida” – e não deixam pulsar os seus corações em face de tudo aquilo que acontece em derredor deles, nesta nossa comunidade cuiabana. Reconheço que a busca e apreensão foi pouco noticiada, e sem maiores alardes, mas de qualquer maneira, o zap zap e o boca boca fazem hoje maravilhas pela Comunicação, na contramão da midia institucionalizada.

Evidentemente que, agora, irei à segunda instância, não sei se com os melhores argumentos, mas sempre confiando na Justiça. Como gosta de citar o capetão Bolsonaro, temos aquela promessa do Cristo, que tanto nos toca: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. Continuarei batalhando em busca da verdade. Mas o que é a verdade? O mesmo Cristo nos deixou sem resposta. Tenho me defendido em causa própria, nesta causa cível, consultando aqui e ali alguns amigos causídicos, e alguém me diz que atuo como um médico que procura tratar da própria moléstia, o que não se recomenda, já que a emoção pode toldar a razão. Na causa criminal, conto ao meu lado com a presença e a vívida atuação do advogado Carlos Eduardo Feguri e também com a solidariedade dos companheiros da diretoria do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Mato Grosso.

De qualquer forma, publico, como anexo, todas as idas e vindas do processo civel do Dorileo contra mim. Republico o artigo que deu origem a toda a polêmica. Tudo aquilo de que me acusou o Dorileo, através do seu advogado Cláudio Stabile. A minha contestação. A decisão do juiz Bussiki. O inteiro teor dos meus embargos. A decisão da juiza Sinii. Mas adiante terei minha apelação e também a divulgarei aqui.

O meu entendimento é que a arremetida do Sr. Dorileo contra mim é uma tentativa de calar o contraditório dentro da imprensa de Mato Grosso. É um ato intimidatorio da imprensa corporativa, da poderosa máquina de comunicação montada pelo Sr. Dorileo contra o jornalismo opinativo que sempre abracei e sempre pratiquei. Seria bom que outros jornalistas e outros analistas se debruçassem também sobre esse caso, analisando seus desdobramentos e os signos que ele incorpora. Evidentemente que poderiam revelar aspectos e nuances que eu, na minha limitação, não consigo enxergar. Mas a rotina do jornalismo regional parece que não tem muito tempo para a reflexão. Aguardemos, então, os novos posicionamentos da Justiça neste caso. Divulgo os documentos do processo para quem sobre eles pretender se debruçar.

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