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JOSÉ ORLANDO MURARO: Somando-se a proteção às produtoras independentes e a obrigatoriedade de aquisição dos vídeos pelas Tvs a cabo e as novas máquinas “fotográficas-filmadoras” em FHD há de se visualizar no horizonte o ressurgimento da cinematografia nacional ….Glauber e mais Glaubers….que mil flores floresçam… uma revolução cultural

José Orlando Muraro é advogado agrarista e morador da Chapada dos Guimarães

Uma idéia na cabeça e uma câmera nas mãos…..
Por JOSÉ ORLANDO MURARO

Dias atrás, estava na casa da minha filha mais velha, assistindo, pela Tv a cabo, um filme do Mazzaropi, “O Chofer de Praça”.  Ela e o marido são fotógrafos profissionais, cobrindo eventos, casamentos e festas, em sua grande maioria realizadas em Chapada dos Guimarães.

Lá pelas tantas, na cena em que o chofer vai visitar o burguês pai da garota pela qual se apaixonara o filho do taxista, os dois pararam e sentados comentaram:
– olhe a iluminação…é perfeita…não existe sombra em nenhum dos rostos….
– e o enquadramento da cena? Todos ali….sem aperto nem atropelos…é perfeita….

E para mim, os filmes de Mazzaropi eram apenas ingênuos e divertidos…. mas quando profissionais do setor fazem uma outra leitura, essencialmente técnica…. o trabalho de Mazzaropi ganha outra dimensão…

E navegando pela Wikipédia, fico sabendo que Amácio Mazzaropi era filho de um imigrante italiano e uma portuguesa, uma das mais típicas miscigenações acontecidas neste cadinho racial e cultural que formou o povo brasileiro.Nasceu no bairro de Santa Cecília, em São Paulo, em 9 de abril de 1912. Desde pequeno envolve-se com as atividades circenses, e em 1932 estréia a sua primeira peça teatral: A herança do padre João. Convence os pais a segui-lo em suas apresentações. Em 1944 estréia com a peça  “ Filho de Sapateiro, sapateiro deve ser”,
Em 1946 estréia o programa dominical “ Rancho Alegre”  na Rádio Tupi, Em 1952 o seu primeiro filme, “ Sai da frente” e em 1958, vende a sua casa em São Paulo e cria a PAM Filmes (Produções Amácio Mazzaropi). Em 1961, retorna às suas raízes, na cidade de TAUBATÉ (SP), onde compra uma fazenda, que servirá de cenário para a sua extensa filmografia. Em 1962, produz o seu grande sucesso: “ Jeca Tatu”. Constrói um estúdio cinematográfico e um hotel para técnicos e atores. Falece  em 13 de junho de 1981, de câncer na medula óssea, aos 69 anos de idade.
No outro extremo, o baiano Glauber Rocha,  também falecido em 1981. Patrulhado e combatido tanto pela direita como pela esquerda, Glauber Rocha imprimiu a sua visão apocalíptica do mundo em uma trilogia: “ Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), “ Terra em Transe” ( 1967) e  “ O Dragão da maldade contra o santo guerreiro” (1969)….

Mas porquê este saudosismo repentino, de falar sobre o falecido cinema nacional?

Bene, logo pela manhã, no site da Folha de  São Paulo, leio a seguinte matéria:

“…… O canal pago Sony está comprando séries nacionais para atender às cotas da nova lei da TV por assinatura. Entre as novidades estão as produções jovens “Tudo que É Sólido Pode Derreter”, da Iôiô Filmes, e “Descolados”, da Mixer.
Há mais duas apostas nacionais no Sony para 2013. Uma delas é a série “Natália”, da Academia de Filmes, que conta a história de uma evangélica da periferia que é descoberta por uma agência de modelos. A outra é a trama de suspense policial “Bipolar”, da Felistoque Filmes.
A informação é da coluna Outro Canal, assinada por Keila Jimenez e publicada na Folha desta segunda-feira (26)…..”
Ou seja, a famosa lei 12.485/2011, que trata das TVs a cabo, ou por assinatura, já começa a apresentar resultados.
Ao exigir que os canais de televisão por assinatura tenham um mínimo de apresentação de produção nacional de vídeos em horário nobre, por produtoras independentes ( excluindo-se portanto a Globo Vídeos, Band Vídeos, etc), a referida lei impulsiona as pequenas produtoras que  não conseguiam furar os bloqueio impostos pelas grandes redes de televisão no Brasil.
Outra coisa importante é que a referida lei veda expressamente que as produtora independentes mantenham contratos de exclusividade com este ou aquele canal, impondo desta foram a liberdade de produção e comercialização por parte dos pequenos produtores independentes.
E aí? Pelas quantas andam esta mudanças?
Na questão contratual entre os pequenos produtores independentes de vídeos e as mega-empresas de televisão pro assinaturas, passa a vigorar a ampla liberdade de produzir e comercializar com todas as emissoras interessadas, libertando os pequenos produtores da escravidão disfarçada sob a pecha de “ exclusividade”.
Na questão técnica a boa notícia vem dos grandes fabricantes de máquinas digitais, tais como a Cannon e Nikon, que recentemente lançaram no mercado brasileiros as  câmeras “ fotográficas” digitais, que também filmam  em alta definição ( Full HD),  com um série de recursos que superam as tradicionais filmadoras, mesmo profissionais.
Ou seja, com uma câmera fotográfica de última geração, e pela metade do preço de uma filmadora profissional, uma empresa de produção de vídeos pode produzir material de primeira qualidade.
Aliás, mesmo nos estúdios de produção de filmes para o cinema, as máquinas digitais em Full HD estão substituindo as pesadas filmadoras, com a mesma qualidade e muito mais mobilidade.
Somando-se estes fatores,  da proteção às produtoras independentes e a obrigatoriedade de aquisição dos vídeos assegurados pela lei 12.485/2011 e as novas máquinas “fotográficas-filmadoras” em FHD , há de se visualizar no horizonte o ressurgimento da cinematografia nacional  ….Glauber e mais Glaubers….que mil flores floresçam… uma revolução cultural, quae sera tamem???

Jose Orlando Muraro Silva Advogado agrarista,  Aluno de Geologia da UFMT e emérito morador da Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso.

E ASSISTA, AGORA, ‘CHOFER DE PRAÇA”, de Mazzaropi, o filme completo

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