José Menezes, o trotskista, visita Mato Grosso e se horroriza com a degradação ambiental que as oligarquias políticas e economicas estão promovendo no Estado. “É uma terra arrasada. Mato Grosso devia mudar de nome, não é mais nem Mato Fino”, protestou.


Jose Menezes é economista, filho da cidade de Poxoreo, em Mato Grosso, formado pela UFMT. Aprovado em concurso, acabou fazendo carreira não aqui em Cuiabá mas em São Luis do Maranhão, onde é um dos mais destacados professores do Departamento de Economia da UFMA. Todo inicio de ano, Menezes vem a Cuiabá para o tradicional reencontro com a familía. Este ano, ele tambem veio comemorar seus 24 anos de formado, em almoço de confraternização com os colegas da UFMT, que se reunirão no restaurante do Souza, na estrada de Manso.

Em sua passagem por Cuiabá, neste fevereiro de 2011, José Menezes conversou com a PAGINA DO E. Comentou as semelhanças entre o Mato Grosso, de Júlio Campos, Dante de Oliveira e outros caciques locais, com o Maranhão, dominado pela familía de José Sarney. Para Menezes as oligarquias de Mato Grosso são tão nefastas quanto a oligarquia Sarney. Só que, aqui, os caciques oligárquicos se renovam – uma hora foi Júlio, outra hora foi Dante, outra hora foi Blairo -, enquanto, no Maranhão, o cacique é sempre Sarney, atraves dos tempos.

Para José Menezes, o desenvolvimento do Estado de Mato Grosso tem muito de falácía e é sempre comprometido pelo crescente endividamento da máquina pública. O jovem economista se diz impressionado com a devastação ambiental que observou nessa sua atual visita a Mato Grosso. “Mato Grosso devia até nmudar de nome, não é mais nem Mato Fino” – disse Menezes, com evidente revolta diante do que acredita que o agronegocio tem feito com as riquezas naturais da nossa região.

De acordo com o que avalia o nosso entrevistado, o Estado de Mato Grosso, que exporta soja e algodão, é tão vitima da Lei Kandir quanto o Estado do Maranhão que tem sua economia centrada na exportação de minérios, igualmente desonerada de impostos, milhões de reais que deixam de ser recolhidos aos cofres dos dois estados.

Atualmente sem filiação partidária, José Menezes se alinha, ideológicamente, na corrente trotskista e continua acreditando – bem ao contrário de um outro intelectual de Poxoreo, o professor Alfredo da Mota Menezes (a entrevista está nos nossos arquivos) – que o socialismo ainda virá para acabar de vez com as crises e com a exploração que o capitalismo gera por sobre toda a humanidade.

A conversa da PAGINA DO E com José Menezes foi longa. Vale, no entanto, acompanhá-la com atenção, pois o que se expõe aqui é uma visão bastante diferenciada com relação ao que rotineiramente se tem na mídia e na academia de Mato Grosso.

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  1. - IP 201.19.124.112 - Responder

    Grande Enock:

    O contraditório..fico na manchete. Mato Grosso não foi batizado com este nome por conta que tinha mata grossa na entrada por Brasilia como quer o analista…por aí tinha pantano(foi o que ele viu no voo vindo de Brasilia) e serrado…este tb acabou…a turma da soja acabou com tudo..mas longe de ser uma Mata Grossa.

    A mata que foi tb derrubada se deu pelo oeste, o guaporé, daí o nome, Mato Grosso..a primeira capital foi por ali….a esquerda até que tenta…mas falta a tal da leitura…

    O erro sobre o POLONOESTE é mais grosseiro ainda, mas anda cansado…

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