Quem pôs fogo na Arena Pantanal em outubro de 2013?

O urbanista José Antonio Lemos exaltou, na ocasião, a ação dos Bombeiros - então comandados em Mato Grosso pelo coronel BM Aderson José Barbosa - diante do incêndio que ameaçou a estrutura da Arena Pantanal.  "O sinistro foi melhor que um teste programado de segurança e serviu para mostrar que ao menos nessa área a Copa do Pantanal está em mãos muito boas e preparadas" - escreveu Lemos

O urbanista José Antonio Lemos exaltou, na ocasião, a ação dos Bombeiros – então comandados em Mato Grosso pelo coronel BM Aderson José Barbosa – diante do incêndio que ameaçou a estrutura da Arena Pantanal. “O sinistro foi melhor que um teste programado de segurança e serviu para mostrar que ao menos nessa área a Copa do Pantanal está em mãos muito boas e preparadas” – escreveu Lemos

Quem pôs fogo na Arena?

JOSÉ ANTONIO LEMOS
Acompanho pelo noticiário a CPI da Copa na Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Desde quando aventada ainda como uma possibilidade distante e incrível sempre fui entusiasta da Copa do Mundo em Cuiabá por vários motivos, dentre eles a oportunidade de investimentos públicos e privados concentrados no tempo em montante que de outra forma jamais se veria pelas próximas décadas ou gerações, a oportunidade de divulgação da cidade e do estado em uma vitrine global de massa e pela chance de elevação da autoestima do cuiabano, sempre pacato e descrente de sua força e de seus valores. Passada a Copa sigo entusiasmado, as oportunidades apareceram, muitas foram aproveitadas, embora nem todas e nem da melhor maneira, deixando um legado positivo e ao menos um grande desafio a ser viabilizado: o VLT. O evento em si foi um êxito grandioso, como mostram os arquivos dos sites noticiosos locais, nacionais e estrangeiros, contrariando os que torceram, jogaram contra e até apostaram em Cuiabá como a vergonha da Copa.

Não sou de ficar olhando para o passado, principalmente em busca de coisas negativas. O arquiteto trabalha sempre com a construção do futuro e o passado só lhe interessa como ingrediente indispensável nessa construção. Buscamos no dinamismo do presente as potencialidades do futuro, imaginando transformá-las em qualidade de vida. Debruçados sobre o passado ficamos de costas para o futuro. Os problemas do passado precisam ser consertados sim, mas para isso tem bastante gente especializada e bem paga, inclusive para denunciar e punir quem mereça ser punido. Daí a importância de ferramentas como as CPIs.A Copa, porém, me deixou uma pulga atrás da orelha: quem pôs fogo na Arena Pantanal no dia 25 de outubro de 2013? Não fosse a destreza do nosso valoroso Corpo de Bombeiros a Copa do Pantanal não se realizaria. Se aquele incêndio fosse um pouco mais prolongado comprometeria a estrutura de seu principal palco, já quase pronto e na qual o povo mato-grossense estava investindo mais de R$ 600,0 milhões. Não haveria tempo para reparos.

O inquérito policial concluiu que o incêndio foi criminoso. Mas ficou por isso. Esquecido. Quem foi?Era esperado que Cuiabá por ser a menor e a menos preparada das sedes fosse enfrentar muitas dificuldades, a começar pela grandeza da empreitada em obras, envolvendo complexidades técnicas, burocráticas e até da oposição política local que não aceita “azeitona na empada dos adversários”. Mas jamais se poderia imaginar que fossem tantas, muitas ancoradas em grandes órgãos nacionais de notícias e defendidas por alguns comentaristas esportivos de prestígio. É certo que a escolha de Cuiabá entre as 12 sedes da Copa do Mundo contrariou poderosos interesses que por algum tempo ainda acreditaram e trabalharam na possibilidade de sua reversão. Até que ponto esses interesses poderiam ir? O fogo tem algo a ver com o ardil montado em nível nacional com a grosseira comparação entre preços de cadeiras diferentes anunciada com estardalhaço a 2 meses do último prazo para a entrega da Arena à FIFA? Também seria para inviabilizar a Copa do Pantanal.

O desenvolvimento extraordinário de Mato Grosso nas últimas décadas vem lhe permitindo avançar em projetos e reivindicações inimagináveis há pouco tempo, comparecendo como novo e incômodo protagonista no jogo de forças do tradicional equilíbrio federativo. A Copa do Pantanal pode ter sido uma dessas vitórias diante de outros estados mais tradicionais. Outras legítimas disputas e novas vitórias virão com certeza para Mato Grosso, agora em novos níveis enfrentando interesses sempre mais poderosos. O esclarecimento do incêndio na Arena Pantanal pode ajudar o estado nesses seus novos tempos.

José Antônio Lemos é arquiteto e urbanista e professor universitário.

2 Comentários

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  1. - IP 179.217.96.196 - Responder

    Seria bom saber e acho que o governador Pedro Taques vai acabar descobrindo

  2. - IP 191.33.216.77 - Responder

    foi um incendiário!

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