PREFEITURA SANEAMENTO

Jornalistas que ajudaram a desvelar escândalos da Era Collor viraram marqueteiros, aponta Mário Sérgio Conti. E pelo Brasil afora não é diferente. Jornalismo se esgarça também aqui em Mato Grosso.

A principal novidade da nova edição do livro é um posfácio em que Conti diz que os repórteres que ajudaram a revelar o funcionamento do governo Collor agora auxiliam políticos em apuros ou trabalham com marketing político."Quase todos abandonaram a imprensa", diz Conti. "Quem ontem apontava as dissonâncias entre o marketing e a realidade é hoje marqueteiro."

Uma certa angústia repassou o espírito do jornalista Mário Sérgio Conti quando escreveu que a maioria dos profissionais do jornalismo que revelaram o torto funcionamento do governo Collor, agora abandonaram o jornalismo e se transformaram em marqueteiros. Quem vive aqui, em Mato Grosso, rica periferia do Brasil, constata que essa é uma opção constante para quem procura sobreviver fazendo jornalismo. Acaba virando marqueteiro, assessor, lobista, o escambau. A história recente do jornalismo de Mato Grosso está marcada por esta dura realidade. Nas redações da grande imprensa mato-grossense não há como sobreviver fazendo jornalista investigativo, com a reportagem sendo uma ocupação de 24 horas por dia. Empresas como a TV Centro América, a Rede Gazeta de Comunicação, a Rede Cidade, que conseguiram se firmar como verdadeiros conglomerados, a faturarem o tubo na área da comunicação, se destacam em muitas coisas – mais o investimento na reportagem é sempre ocasional, pálido, fosco. Esta é a causa, aqui em Mato Grosso, avalio eu, que já atuei quase 20 anos em assessoria parlamentar. No mais, assim como o Mário Sergio Conti, alguém precisa documentar este desvio, este desperdício, através dos anos, aqui em nossa região. É que tudo isso impacta na preservação do interesse coletivo. Confira o noticiário. (EC)

Nova edição de ‘Notícias do Planalto’ questiona a evolução do jornalismo
FOLHA DE SÃO PAULO

“Notícias do Planalto”, o livro do jornalista Mario Sergio Conti que narra as relações da imprensa com o poder que culminaram com a queda do presidente Fernando Collor em 1992, será lançada em edição econômica pela Companhia das Letras.

A obra, considerada um marco nas narrativas sobre a imprensa por detalhar as relações entre mídia e poder, vendeu mais de 70 mil cópias, segundo a editora. A primeira edição é de 1999.

Conti era diretor da revista “Veja” à época do processo de impeachment de Collor, foi um dos fundadores da revista “piauí” e hoje é apresentador do programa “Roda Viva”, da TV Cultura.

Ele entrevistou 141 pessoas para contar como o presidente que usou a mídia para ser eleito foi tirado do cargo pelo trabalho da imprensa.

A principal novidade da nova edição é um posfácio em que Conti diz que os repórteres que ajudaram a revelar o funcionamento do governo Collor agora auxiliam políticos em apuros ou trabalham com marketing político.

“Quase todos abandonaram a imprensa”, diz Conti. “Quem ontem apontava as dissonâncias entre o marketing e a realidade é hoje marqueteiro.”

Ele cita João Santana e Luís Costa Pinto. Santana foi chefe da sucursal em Brasília da “IstoÉ”, que descobriu o motorista Eriberto França, que desmontou a versão de Collor ao revelar as contas-fantasmas usadas para pagar funcionários do presidente.

João Santana, agora marqueteiro, comandou as campanhas de Lula em 2006 e a de Dilma em 2010. Hoje trabalha para Fernando Haddad, candidato do PT a prefeito de São Paulo.

Costa Pinto foi o autor da entrevista publicada na “Veja” em que Pedro Collor dizia que Paulo César Farias era o testa de ferro de Collor. Em 2003, ajudou a assessorar o deputado João Paulo Cunha e tornou-se um dos personagens do mensalão. O Supremo discute se ele prestou os serviços pelos quais recebeu R$ 252 mil da Câmara.

NOTÍCIAS DO PLANALTO – A IMPRENSA E O PODER NOS ANOS COLLOR
AUTOR Mario Sergio Conti
EDITORA Companhia das Letras
QUANTO R$ 39,50 (528 págs.)

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