JORNALISTA RAFAEL COSTA: Na campanha eleitoral de 2012, Mendes prometeu construir um novo Pronto-Socorro. Passados quase três anos de sua posse, a obra em nada avançou. Quem não se lembra dos discursos televisivos em que o empresário dizia que não faltavam recursos para a saúde pública, mas apenas gestão eficiente? Com o discurso de novo e ruptura de velhas práticas políticas, anunciou em campanha o retorno dos cobradores de ônibus, exigência de ar-condicionado e uma nova licitação para garantia da renovação da frota. Pura balela

Rafael Costa, jornalista e Mauro Mendes, prefeito de Cuiabá

Rafael Costa, jornalista e Mauro Mendes, prefeito de Cuiabá

Palavras ao vento

POR RAFAEL COSTA ROCHA

Cuiabá foi surpreendida nos últimos dias com o anúncio do prefeito Mauro Mendes (PSB) em adotar medidas de contenção de despesas para conter efeitos da crise econômica nacional.

No pacote, se incluiu suspensão de licitações, aditivos contratuais, concurso público e outros.

Quem viu o anúncio acredita que Cuiabá foi atingida não por uma crise econômica, mas por um “tsunami” antes mesmo de entrar em vigor o ajuste fiscal do governo federal.

O que se percebe nas entrelinhas é que o resultado de uma má gestão tem provocado desequilíbrio financeiro total nas contas do município, levantando a suspeita de que dados financeiros da prefeitura de Cuiabá tenham sido maquiados quando discutidos publicamente.

Afinal, não há motivos para não conseguir avançar em obras estratégicas e o prefeito não cumprir metade do que prometeu a população.

Na campanha eleitoral de 2012, Mendes prometeu construir um novo Pronto-Socorro. Passados quase três anos de sua posse, a obra em nada avançou. Apenas efeitos pirotécnicos de marketing para anunciá-la como em setembro de 2014 quando foram lançados projeto e licitação de algo que não saiu do papel.

E é na saúde pública que Mauro Mendes patina e consegue ser pior que seus antecessores. Quem não se lembra dos discursos televisivos em que o empresário dizia que não faltava recursos para a saúde pública, mas apenas gestão eficiente?

Ao assumir o poder, adotou a velha desculpa de que não dispõe de recursos financeiros. Ao pé da letra, podemos dizer que em seu caso existe falta de recurso e, principalmente, de gestão, diante do caos que prevalece nas unidades de saúde.

Com o discurso de novo e ruptura de velhas práticas políticas, anunciou em campanha o retorno dos cobradores de ônibus, exigência de ar-condicionado e uma nova licitação para garantia da renovação da frota. Pura balela.

Ao assumir o Palácio Alencastro, seu lado empresarial falou mais alto e preservou interesses das grandes empresas de ônibus ao vetar o projeto de lei que obrigava o retorno de cobradores de ônibus. A última medida patética foi autorizar que ônibus de 2010 pudessem circular livremente nas ruas de Cuiabá como opção ao transporte coletivo.

Em novembro de 2014, Mendes reduziu de 24 para 15 secretarias municipais com o intuito de economizar R$ 15 milhões para manter investimentos e incluiu o corte de 500 cargos comissionados. Em setembro deste ano, a Câmara de Cuiabá aprovou mensagem do Executivo que criou 400 cargos na Secretaria de Assistência Social. Oras, que contradição é essa? Que economia maluca é essa?

Diferente de seus antecessores, Mauro Mendes dispõe de um caixa financeiro paralelo que é a arrecadação das multas de trânsito na indústria em que é responsável direto pela implantação, o que lhe rendeu R$ 10 milhões só este ano.

Mesmo assim, não avança em obras como Parque das Águas, revitalização do bairro do Porto e novo Pronto-Socorro.

Parece que Mauro Mendes foi eleito prefeito sem conhecimento de causa. Após almejar o poder pelo poder saiu soltando palavras ao vento sustentado pelo falso marketing. Não há nada que justifique a contradição de seus discursos com a prática.

E com a crise econômica prejudicando municípios com a baixa arrecadação, a tendência é que o empresário que prometeu mudar a política seja reduzido a um mero pagador de salários, a exemplo de um gerente empresarial, a quem Mauro Mendes nunca deveria ter deixado de ser.

*RAFAEL COSTA ROCHA é repórter da editoria de política do Diário de Cuiabá e do site Folha Max

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