JORNALISTA RAFAEL COSTA: Longe de defender o peemedebista Silval Barbosa, cuja gestão tem notórios exemplos de falhas, vide projetos da Copa do Mundo e tantos outros, mas Pedro Taques e seus auxiliares adotam a tática de resumir o histórico do Estado em quatro anos, esquecendo propositalmente de uma figura que é pivô de diversos escândalos políticos e financeiros: o ex-governador e atual senador Blairo Maggi

Rafael Costa, jornalista, Blairo Maggi, senador e Zé Pedro Taques, governador de Mato Grosso

Rafael Costa, jornalista, Blairo Maggi, senador e Zé Pedro Taques, governador de Mato Grosso

Pedro, onde está Blairo?

Rafael Costa
Nas últimas semanas, a Secretaria de Estado de Comunicação iniciou uma propaganda na qual afirma que o governador de Mato Grosso, Pedro Taques (PDT), recebeu uma verdadeira herança maldita.
A locução em rádio e TV soa com a voz do medo informando R$ 912 milhões de rombo e não “roubo”, pois leia-se restos a pagar que são dívidas com fornecedores, R$ 6,5 bilhões em dívidas com bancos e o governo federal, mais de 700 obras paradas e um cenário de total descontrole financeiro, pois o Estado gastou mais do que arrecadou.
Uma propaganda com esses dizeres, por si só, deve ser classificada como uma estratégia de falsificação grosseira da história e da realidade dos fatos, se assemelhando a tática perversa das propagandas ditadas por grupos políticos de esquerda e direita como a negação da falta de liberdade de expressão e pensamento no regime político de Cuba ou a negação do Holocausto praticado pelos nazistas.
Implicitamente, a propaganda oficial emite a mensagem de que o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) deve ser encarado como vilão, símbolo da incompetência absoluta na administração pública que deixou uma terra arruinada.
Longe de defender o peemedebista, cuja gestão tem notórios exemplos de falhas, vide projetos da Copa do Mundo e tantos outros, mas Taques e seus auxiliares adotam a tática de resumir o histórico do Estado em quatro anos, esquecendo propositalmente de uma figura que é pivô de diversos escândalos políticos e financeiros: o ex-governador e atual senador Blairo Maggi.
Nem mesmo uma tentativa de lavagem cerebral introduzida pela propaganda nazista é capaz de eliminar da consciência de qualquer cidadão a responsabilidade da gestão Blairo Maggi na delicada situação financeira de Mato Grosso.
Investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pela suspeita de participação em um esquema de lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro nacional em decorrência da famigerada Operação Ararath, a gestão de Blairo Maggi tem despertado a atenção de todos os órgãos fiscalizadores.
A Delegacia Fazendária da Polícia Civil, Ministério Público Estadual (MPE), Ministério Público Federal (MPF), Polícia Federal (PF) e Tribunal de Contas do Estado (TCE) atuam na investigação da compra superfaturada de maquinários, pagamentos ilegais de precatórios, farra de incentivos fiscais, escândalo da conta única, emissão irregular de carta de créditos e outros.
Se até o momento não há comprovação direta do envolvimento de Maggi que possa incriminá-lo, o que no Direito se configuraria em dolo (consciência e vontade), houve flagrante indícios de culpa (imperícia, imprudência e negligência), pois não cabe a um chefe do Executivo ser tolerante com a corrupção desenfreada em seu mandato.
Somente estes escândalos políticos citados totalizam desvios superiores a R$ 1 bilhão, dinheiro que falta para ser aplicado na educação, saúde e segurança pública.
Mas o governador Pedro Taques e suas propagandas oficiais esquecem não por desleixo, mas por mera conveniência convicta na tese de Napoleão Bonaparte, segundo a qual “nada muda mais do que o passado”.
Oras, a gestão Silval Barbosa, por mais desastrosa que seja considerada, se limitou a quatro anos e representou a continuidade de um mandato de oito de Blairo Maggi.
Nos bastidores políticos, é comum ouvir que Blairo Maggi foi o responsável direto pela indicação do empresário Carlos Fávaro (PP) ao posto de vice-governador, na época, presidente da Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja e Milho), como estratégia para garantir a aproximação do agronegócio ao antes questionado ex-procurador da República, Pedro Taques.
O único compromisso seria não “olhar para o passado”, evitando assim prejuízos empresariais que Blairo Maggi poderia sofrer diante da evidência de participação em escândalos políticos e financeiros. Ao mesmo tempo, Maggi, principal força política de Mato Grosso, se manteria neutro no processo eleitoral.
Por isso, em um país onde doação financeira em campanha eleitoral é sinônimo de investimento, a família Maggi doou oficialmente R$ 4,5 milhões a campanha eleitoral de Pedro Taques, antes considerado um primo pobre da política mato-grossense, o que pode ser atestado em consulta ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Estranho que o ex-procurador da República, algoz do crime organizado, se silencie em meio aos escândalos políticos e financeiros patrocinados pelo empresário do agronegócio Blairo Maggi, à frente do Executivo estadual.
Uma postura adotada em decorrência de acordos políticos necessários para aqueles que sonham e desejam assumir o poder. Um retrato do trecho da canção ideologia do eterno Cazuza que dizia: “e aquele garoto que iria mudar o mundo, agora assiste a tudo em cima do muro”.
A influência de Blairo Maggi na gestão de Pedro Taques no Executivo mato-grossense pode ser considerada a mesma que Jesus Cristo detinha em seus apóstolos.
Se o filho de Deus, na passagem bíblica disse: “Tu és Pedro e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja (Mateus 16:16-18), em Mato Grosso, assistimos nos bastidores Blairo Maggi dizer: “Tu és Pedro e sobre tua mente manterei minha influência enquanto tu estiver a frente do Palácio Paiaguás”.

Rafael Costa é jornalista em Cuiabá, repórter do Folha Max e do Diário de Cuiabá

8 Comentários

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  1. - IP 179.216.213.56 - Responder

    Falou e disse, só o escandalo dos precatórios (segundo mandato) ja ultrapassa com folga qualquer outro desse Estado!

    • - IP 189.59.62.229 - Responder

      Escândalo dos precatórios!!!!????!!!???

      O escândalo dos precatórios foi protagonizado principalmente pelo Prefeito Celso Pita, político apadrinhado por Paulo Maluf, que por sua vez é grande aliado do PT dos PETRALHAS.

  2. - IP 187.4.188.117 - Responder

    tudo farinha do mesmo saco.

  3. - IP 187.53.1.88 - Responder

    Pedro Taques é tão tosco quanto Blairo Maggi.

  4. - IP 177.41.91.126 - Responder

    Obrigado pela correção Sr. Artur, é que são tantos escândalos, que não há como evitar confusões.

    Mas como você bem observou, de qualquer forma a marca da ferradura dos petralhas também ficou na aliança deles com os governos Blairo e Silval.

  5. - IP 177.193.164.202 - Responder

    é tudo farianha do mesmo saco

  6. - IP 177.193.164.202 - Responder

    TUDO FARINHA DO MESMO SACO.. QUEM CONHECE PESSOAS ATÉ 45 ANOS E NASCEU POBRE E VIROU MILINIOARIO NO BRASIL FOI DE FORMA ILICITA EM 99,99999999999999999999999999999999999999999999999999999999999999999 POR CENTO

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