TCE - DEZEMBRO

JORNALISTA ONOFRE RIBEIRO: Tenho ouvido com insistência a questão, ora afirmando, ora perguntando: “O governo Pedro Taques acabou??!!”

O governo acabou…!? (1)

Tenho ouvido com insistência a questão, ora afirmando, ora perguntando: “O governo Pedro Taques acabou??!!”.

A causa são as crises que hoje giram em torno da gestão: grampos, saúde, greve de servidores à vista e mal-estar entre os poderes. Numa perspectiva possível, atraso de salários dos servidores públicos.

O ambiente geral entre os governos estaduais é ruim. Em todos, com destaque pra três, MG, RS e RJ, três gigantes dentro da federação. O país acabou contaminado de Norte a Sul pela velha rixa petista dos “nós” contra “eles”. Isso reduziu o debate a posições ideológicas simples que não constroem ideias e nem ajudam a democracia. Parece jogo de futebol: um time contra o outro.

Quando se pergunta se o governo acabou ou não, repete-se a rixa ideológica e se exclui o debate. Parece claro que existem duas sociedades. Uma querendo o fim e outra não querendo o fim do governo. Como se nenhuma das duas tivesse responsabilidades sociais ou não fosse atingida numa ou noutra situação.

O fato é que há crises. O fato, queiramos ou não, é que o governador Pedro Taques foi eleito dentro dos processos normais da democracia. Até agora não quebrou os laços dessa normalidade. E se quebrar, o caminho será o constitucional. Mas o que gostaria mesmo de discutir neste artigo está relacionado, mas não é só isso. É que uma eventual discussão sobre o seu mandato trará conseqüências muito grandes à sociedade e aos setores produtivos.

Mais uma crise não interessa ao agronegócio, à indústria, ao comércio, aos setores de serviços e nem a o cidadão comum. A arrecadação de impostos caiu 690 milhões entre janeiro e abril de 2017, dentro de um regime de normalidade. Numa crise institucional as conseqüências serão gravíssimas: mais queda de arrecadação, atraso de salários, de contas devidas à sociedade, recursos para educação, saúde, estradas, segurança e serviços penitenciários, pra citar apenas alguns.

Nem os sindicatos ligados ao serviço público, hoje atores nas crises, ganhariam com isso, porque teriam que lidar com ambiente de degradação gerado, entre outras, pela crise no pagamento de salários. Noutro plano teríamos nova questão: a queima de lideranças. Aliás, Mato Grosso é especialista em construir e depois destruir lideranças.

O artigo de amanhã será sobre esse assunto. Chega a ser irresponsável essa baixa auto-estima. Enquanto em outros estados os líderes duram mais tempo, em Mato Grosso são “queimados” rapidamente e substituídos numa eterna corrente de pobreza política.

Quando escuto a pergunta “o governo acabou?”, sempre lembro da História. Crises vão e vem, e ensinam. Estas não são diferentes de quaisquer outras já havidas em nosso estado.

Onofre Ribeiro é jornalista em Cuiabá

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