JORNALISTA JOHNNY MARCUS: Wilson Santos, talvez inspirado pelo tucano-mor Fernando Henrique Cardoso, desdisse o que havia dito antes e vendeu a água; vendeu vida. O resultado da patranha é de domínio público

Johnny Marcus

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PÂNICO
Por Johnny Marcus

Trabalhando como repórter de política tive a oportunidade de conhecer figuras interessantíssimas. Uma delas foi o economista Paulo Ronan – falecido em março de 2016. Ronan foi um dos fundadores do PSDB de Mato Grosso e dono de uma sinceridade ímpar. Admiro pessoas assim.

A primeira vez que o vi foi num debate que mediei na UFMT, em 2002. Ele era o defensor da candidatura de José Serra à presidência da República e Lúdio Cabral da de Lula. Articuladíssimo, não se fez de rogado e disse com todas as letras que o principal ideário do PSDB era a privatização.

“Ele – Serra – não tem coragem de assumir na TV, mas é isso mesmo (privatizar tudo)”.

Eu ainda teria o prazer de falar com ele duas três vezes depois como fonte para alguma matéria.

Quiçá todo tucano tivesse o nível de sinceridade de Paulo Ronan. Em nome de uma suposta eficiência em prestação de serviço, o partido derrotado em quatro eleições presidenciais seguidas só pensa “naquilo”. Vide a Vale, o setor de telefonia e agora José Serra – de novo – com o PL 131 que, na prática, acaba com o domínio da Petrobras na exploração do pré-sal.

“Em 2000, quando era deputado federal e se lançou a prefeito da Capital, o então peemedebista Wilson Santos espalhou outdoors pelas ruas com a frase “Água é Vida. Vida não se vende”. Era mensagem de protesto contra movimento por privatização da Companhia de Saneamento da Capital e com objetivo de atingir e desgastar politicamente o principal adversário, então prefeito Roberto França e candidato à reeleição”, diz texto do site RD News de 14 de Setembro de 2010.

O ímpeto em defesa do patrimônio público parou por aí. Em 2002, já no PSDB, WS foi contaminado pelo vírus privacionista. Finalmente eleito prefeito em 2004 e reeleito em 2008 graças ao Comitê da Maldade, conduziu – ao lado de seu vice Chico Galindo – e com a prestimosa ajuda do então presidente da Câmara, Júlio Pinheiro, a vergonhosa venda da Sanecap para a CAB.

Wilson Santos, talvez inspirado pelo tucano-mor Fernando Henrique Cardoso, desdisse o que havia dito antes e vendeu a água; vendeu vida. O resultado da patranha é de domínio público.

A política, quando feita de maneira de forma transparente, traz benefícios a todos; pois ela (a política), sem polêmica, é arma das elites. O que não se pode aceitar é o terrorismo eleitoral, tão recorrente nas campanhas do PSDB.

Após a divulgação, semana passada, do resultado da pesquisa do IBOPE, em que o procurador Mauro aparece na liderança, com 24% das intenções de voto para prefeito de Cuiabá e Wilson é rejeitado por 54%, a tropa de choque tucana voltou a artilharia pesada contra o PSOL e seu ideário político.

Seria muitíssimo interessante que antes de atacar o socialismo defendido pelo Partido Socialismo e Liberdade, os caciques do Partido da Social Democracia Brasileira de Mato Grosso assumissem sua compulsão privacionista. O único com coragem para fazê-lo não está mais entre nós.

 

Johnny Marcus é jornalista em Mato Grosso

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