PREFEITURA SANEAMENTO

JORNALISTA JOÃO NEGRÃO: Carlos Bezerra se revela totalmente cooptado pelos golpistas e suas teses, ao votar a favor a abertura do pré-sal para as petroleiras estrangeiras. O que mudou em Bezerra em menos de um ano? Por qual (ou quais) caminho ficou aquele Bezerra nacionalista e coerente com sua postura política desde sempre? Onde ele escondeu sua coragem? Que força (ou forças) estranha o fez mudar de ideia?

Carlos Bezerra com a esposa Teté e uma eleitora

Carlos Bezerra com a esposa Teté e uma eleitora

Carlos Bezerra enterra de vez a sua história
Por João Negrão

O deputado federal Carlos Bezerra é daquele tipo de gente que, ao longo da vida, segue para se desdobrar em duas pessoas. Melhor dizer, duas personalidades. Olhando no conjunto do tempo, um bipolar. Temos o Bezerra jovem advogado do antigo PTB que construiu sua carreira profissional e depois política como um homem progressista. Ele foi um dos presos pela ditadura em 1964, junto com Silva Freire, Ronaldo de Castro e muitos outros que ousaram enfrentar as baionetas dos militares que assaltaram o país naquele golpe que durou 21 anos. Agora temos o Bezerra jogando no lixo tudo que defendeu de bom ao longo da vida.
Conheci Bezerra em 1983 e devo ser justo: devo muito de minha trajetória política e de minha carreira profissional a ele. É uma história interessante. Indiretamente ele contribuiu para que eu me tornasse jornalista. Diretamente me ajudou a organizar o Partido Comunista do Brasil (PC do B), meu partido há 37 anos, em Rondonópolis. Bezerra, recém prefeito da cidade, implantou um projeto de participação popular que fez história naquele Brasil pós abertura política e intensificação da lutas populares que colocariam fim ao regime militar.
Entre as várias frentes de participação em todas as áreas da administração da cidade, ele criou a Coordenação Comunitária, pela qual estimulava a criação e dava suporte às organizações populares, associações de moradores, núcleos de trabalhadores rurais e sindicatos. Ingressei na CC poucos meses após chegar a Rondonópolis, em maio de 1983. Eu fiquei até abril de 1984. Neste período fomentei e ajudei a organizar dois núcleos rurais, nove associações de moradores e sete sindicatos.
No bojo dessas atividades comecei a organizar clandestinamente o PC do B. Em pouco tempo já tínhamos uma célula atuando na cidade. Foi quando as outras forças políticas que atuavam dentro e fora da Coordenação Comunitária pediram minha cabeça. Bezerra me chamou, anunciou minha demissão, mas me apoiou na organização do PC do B em meio ao enfrentamento contra os anticomunistas dentro e fora da administração dele.
Apesar de muitas decepções nesses 33 anos, pelo narrado acima nutro uma grande gratidão ao Bezerra e respeito pelo que ele foi no seu passado, até antes de tornar-se governador em 1987. O meu problema agora é com o Bezerra do presente. Já escrevi antes que ele traiu sua própria história ao votar a favor do impeachment de Dilma Rousseff. Bezerra, ao lado do senador Roberto Requião, foi uma das resistências ao documento “Uma ponte para o futuro”, lançado por Michel Temer na gestação do golpe. Bezerra denunciou o atraso das propostas que levariam o Brasil de volta ao século 18 e nos transformaria em colônia dos Estados Unidos. Palavras dele.
Estive no Congresso da Fundação Ulisses Guimarães, onde foi lançado (mas não debatido) o documento. Bezerra não apenas se posicionou contra como liderou ali a resistência, apresentado inclusive outro documento elaborado pela seção mato-grossense da FUG, refutando o “Uma ponte para o futuro”. Mas Bezerra traiu a si mesmo e acabou votando pelo impeachment e abraçando as teses de Temer e sua camarilha.
Agora Bezerra se revela totalmente cooptado pelos golpistas e suas teses ao votar a favor a abertura do pré-sal para as petroleiras estrangeiras. O que mudou em Bezerra em menos de um ano? Por qual (ou quais) caminho ficou aquele Bezerra nacionalista e coerente com sua postura política desde sempre? Onde ele escondeu sua coragem? Que força (ou forças) estranha o fez mudar de ideia? Eu tenho minhas suspeitas, mas a História se encarregará de nos dizer, espero que brevemente. Por ora tenho apenas que lamentar que antes Bezerra traiu sua biografia e agora enterra de vez sua história.
É preciso registrar, por fim, que todo o resto da bancada de Mato Grosso votou pela entrega da riqueza nacional. Não dá mesmo para esperar nada desses congressistas de atuação pífia e compromisso zero com o futuro do Brasil.

joão negrao jornalista em mt na pagina do enock2

* João Negrão é jornalista em Brasília

1 Comentário

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  1. - IP 189.93.145.54 - Responder

    Muito bem, camarada João Negrão.. mas, lamento dizer, que Bezerra vem sendo traído aqui, em Rondonópolis, por correligionários que ele elegera antes, e que, agora, na hora do vamos ver; traiu como se fosse seu inimigo. Talvez, seja essa razão que o velho Bezerra, não está mais nem aí, para o futuro de nossas crianças.. Um abraço do poeta, Wagner e vá a luta, continue sua jornada pela libertação!….

    Contando a revolução
    Memórias do comunista Wagner Vinicius
    O movimento estudantil, as lutas de classes, o socialismo na organização ativista de comunistas; as vitorias do proletariado.

    autor – WAGNER VINÍCIUS ARAÚJO LEMOS

    contos, prosa narrativa.

    Desempregado, tive que me virar

    No ano de 1990, residia em Cuiabá, capital de Mato Grosso.
    O governador do Estado de Mato Grosso era Carlos Gomes Bezerra, do PMDB. Terminara seu mandato este ano, quando tive que me virar. Na ocasião, fui mandado embora do emprego do Estado, que subsistia há quatro anos. Eu trabalhava na secretaria de planejamento e coordenação do Estado de Mato Grosso. Nessa circunstancia, me sentia abandonado, despreparado para encarar a vida de frente, após perder o emprego estadual.
    E também, enfrentar diversas e adversas situações que tive que passar para viver, me alimentar e morar dignamente. Na época minha família se mudara para cidade do interior, a Rondonópolis.
    Para conseguir subsistir não tendo dificuldade, tive que trabalhar duro. Isto, porque não tinha profissão, nem tampouco era formado em disciplina alguma.
    Tive que me virar, aqueles meses, muito dificilmente.
    Realizava trabalhos com poucos ganhos, – entregara refeições em embalagem, na rotisseria do Cláudio japonês; também, tornara-me excelente vendedor de calendário, ou folhinhas no comércio da cidade de Várzea Grande; que estar ao lado, da capital Cuiabá. Minha contrariedade era estar desempregado, não ter oportunidade, e perspectiva de trabalho.
    Nessa condição; fui lutar, batalhar!.. Fui trabalhar, e dar um duro, pra conseguir comer, ter o alimento.
    No lugar de esmorecer, esforçadamente trabalhava todos os dias, e aí, consegui sobreviver meses longe da minha família. .
    Percorria a pé, estou lembrando; satisfeito, seis meses bairros de Cuiabá, realizando trabalhos de pouco ganho.
    No bairro do Cristo Rei, localizado na cidade de Várzea Grande, fui vender calendário nos diversos comércio, e lojas. Na época minha família se mudara para cidade de Rondonópolis.
    Fora aí, que tive o tempo suficiente para terminar os estudos; resolvi estudar, concluir as provas do Supletivo. Nunca imaginara poderia escrever, após, todos estes anos, acontecimentos que vivenciei, em minha mocidade.

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