TCE - NOVEMBRO 2

JORNALISTA JÂNIO DE FREITAS: É mais fácil encontrar fora dos autos e da sentença os motivos da condenação de Lula do que achá-los ali, como pedem as condenações e a ideia de justiça

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Jânio de Freitas

Juízes rigorosos são conceituados, mas são péssimos, por Jânio de Freitas

 

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Sérgio Moro – Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Jornal GGN – Apesar de terem um alto conceito na imprensa e na sociedade, mas na verdade eles são péssimos. Bons juízes são equilibrados, talvez uma raridade no atual cenário do Poder Judiciário.
A opinião é do jornalista Janio de Freitas, que escreve em sua coluna de hoje (13) sobre a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sobre os métodos utilizados na Operação Lava Jato.
Para o colunista, é mais fácil encontrar os motivos para a condenação fora dos autos. E cita o parecer do procurador Ivan Cláudio Marx sobre o ex-senador Delcídio do Amaral, no qual o membro do MP afirma que há um interesse do delator em incriminar outras pessoas, como Lula, para “aumentar seu poder de barganha ante a Procuradoria-Geral da República”.
Leia mais abaixo:
Da Folha
Por Jânio de Freitas
É mais fácil encontrar fora dos autos e da sentença os motivos da condenação de Lula do que achá-los ali, convincentes e provados como pedem as condenações e a ideia de justiça.
No mesmo dia e com diferença de poucas horas, o comentário suficiente sobre a condenação teve a originalidade, por certo involuntária, de antecipar-se à divulgação da sentença por Sergio Moro. E nem sequer lhe fez menção direta.
Procurador federal como os da Lava Jato, mas lotado em Brasília, Ivan Cláudio Marx escreveu em parecer referente ao ex-senador e delator Delcídio do Amaral: “Não se pode olvidar o interesse do delator em encontrar fatos que lhe permitissem delatar terceiros, e dentre esses especialmente o ex-presidente Lula, como forma de aumentar seu poder de barganha ante a Procuradoria-Geral da República no seu acordo de delação”.
Não precisaria ser mais explícito na indicação de que acusar Lula tem proporcionado reconhecimento especial na Lava Jato, traduzido em maior “poder de barganha” para alcançar maiores “prêmios” –saída da cadeia, penas quase fictícias, guarda de dinheiro e de bens adquiridos em crimes (com Joesley Batista, a premiação progrediu para imunidade contra processos judiciais, o que nem presidente da República recebeu da Constituição).
O procurador quis, porém, precisar sua constatação: “Não se está aqui ressaltando a responsabilidade ou não do ex-presidente Lula naquele processo [alegada tentativa de obstrução da Justiça], mas apenas demonstrando o quanto a citação do seu nome, ainda que desprovida de provas em determinados casos, pode ter importado para o fechamento do acordo de Delcídio do Amaral, inclusive no que se refere à amplitude dos benefícios recebidos”.
O objetivo e a valorização de acusações a Lula, “ainda que desprovidas de provas”, não podiam ser gratuitos, nem precisam de mais considerações agora. Basta, a respeito, observar que determinadas pessoas e entidades foram alvos por iniciativa da Lava Jato, desde o começo proveniente de uma investigação que deveria ser, e nunca foi, sobre rede de doleiros. Só bem mais tarde, outras pessoas e entidades foram incluídas nos alvos da Lava Jato, mas por força de circunstâncias delatoras e ocasionais.
Na eventualidade de recurso contra a condenação, a defesa de Lula precisa dirigir-se ao tribunal da 4ª Região, em Porto Alegre. Ali já houve reconsiderações do decidido por Moro, como a recente absolvição do petista João Vaccari em um dos seus processos. Mas a maioria dos recursos é derrotada, tendo os julgadores da oitava turma o conceito de “juízes duros, muito rigorosos”. Já por ser no Rio Grande do Sul, como seria nos outros dois Estados sulinos, muitas defesas costumam temer propensões conservadoras, ou à direita, no trato dos recursos.
Juízes tidos como rigorosos têm alto conceito na imprensa, e daí em geral. São péssimos. Assim como seus opostos. Juízes de verdade não são rigorosos nem complacentes: são equilibrados –uma raridade, talvez. Como sabem Moro, por certa ordem de motivos, e Ivan Cláudio Marx, por outra.

1 Comentário

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  1. - Responder

    Porra,o dono do prédio,afirmou e provou que o apto é do Lula,e com isso a empresa abriu mão da propriedade, então é verdade, lógico,não adianta o pilantra negar.E’ dele,do Lula.

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