TCE - NOVEMBRO 2

“Força dessa mulher é descomunal”, escreve Gibran Lachowski sobre Dilma Roussef

Dilma Roussef, economista e presidente do Brasil

Dilma Roussef, economista e presidente do Brasil

Essa mulher tem uma força descomunal

Por Gibran Luis Lachowski

 

Se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva centralizou atenções em grande parte do mês de março, por ser vítima de desnecessária condução coercitiva pela PF, tresloucada ofensiva midiático-jurídica, além de seus discursos inflamados, com destaque para o da avenida Paulista no dia 18, nesta semana brilhou a estrela de Dilma Vana Rousseff, presidenta do Brasil.

 

Criticada inclusive por militantes de partidos de esquerda, sindicatos e movimentos sociais por “não ser política”, “não ter jogo de cintura”, “ser excessivamente técnica”, seu jeito duro, direto, incisivo, quando não marcado por erros de improviso ou dificuldades de se expressar, vai se impondo perante as adversidades características de um golpe em curso.

 

Dilma falou por diversas vezes esta semana que não renunciará e que a tentativa de forçar sua desistência, por parte da oposição, sobretudo PSDB e DEM, demonstra a fragilidade do argumento embutido no pedido de impeachment no Congresso, a saber, o de que o governo praticou “pedaladas fiscais”, retirando dinheiro de bancos públicos para pagar programas sociais no prazo correto e depois devolvê-lo às instituições. Ela não foi processada e nem mesmo formalmente denunciada em qualquer escândalo de corrupção.

 

Também mencionou em suas falas o fato de já ter sido presa e torturada na ditadura e, por conta disto, atuar com desassombro em situações-limite, como a que experiencia atualmente.

 

Ergueu a voz contra o que qualificou de golpe em encontro com mais de 100 juristas, advogados, promotores e defensores públicos ocorrido na terça (22), no Palácio do Planalto, e que foi chamado de ato “Pela Legalidade e em Defesa da Democracia”.

 

E denunciou ao mundo o golpe em curso ao dar entrevista a jornalistas da Espanha (“El País”), Argentina (“Página 12”), França (“Le Monde”), Inglaterra (“The Guardian”), Estados Unidos (“The New York Times”) e Alemanha (“Die Zeit”) na quinta (24). Afirmou que o pedido de impeachment não possui base jurídica e teve seu aceite pelo presidente da Câmara dos Deputados Federais, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), porque o governo não concordou em orientar sua bancada a livrá-lo de uma investigação por quebra de decoro, gerado pela ocultação de dinheiro em contas na Suíça.

 

Nesta mesma semana (quarta, 23) a Organização das Nações Unidas (Onu), por meio da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal),  e a Organização dos Estados Americanos (OEA) reconheceram ameaças à estabilidade democrática no Brasil e ressaltaram os avanços sociais produzidos pelos governos Lula e Dilma.

 

 

Líder na resistência

Na verdade, desde semana passada a presidenta havia assumido para si o enfrentamento à situação política, vez que no dia 17 foi a única oradora da cerimônia de posse de novos membros do governo, entre eles Lula, como ministro da Casa Civil. Já ali disse abertamente que havia uma tentativa de golpe e que a realização de escuta telefônica sobre uma conversa sua com o ex-presidente e, além disto, o vazamento do diálogo para meios de comunicação, seria investigado a fundo, pois tratava-se de crime de segurança nacional. O recado era para o juiz da 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba, Sergio Moro.

 

É nesse contexto que Dilma vai demonstrando uma extrema força pessoal, uma liderança evidente no processo de resistência. O rosto cansado não lhe tira a firmeza das palavras e a dureza de postura. Vem fazendo jus ao que falava logo que foi alçada à condição de pré-candidata à presidência da República (em 2009), precedida pela fama de “durona”, de “gerentona”, e sucedida pelas ofensas sexistas, ainda hoje potencializadas pelas redes sociais: “Sou uma mulher dura no meio de homens meigos”.

 

E corre por aí, como que a sintetizar essa liderança, o dizer de que se trata de uma mulher que enfrentou a ditadura, enfrentou um câncer, enfrentou as maiores manifestações de rua já vistas no Brasil e agora enfrenta um golpe, de pé, olhos fixos no inimigo, braços dados com a democracia. A força dessa mulher é descomunal.

 

gibran

 

Gibran Luis Lachowski, jornalista e professor do curso de Jornalismo da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat)/campus de Alto Araguaia

2 Comentários

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  1. - Responder

    Não tem jeito “us cumpnherus” vão até o fim contra o herói Juiz Sergio Moro.

    “Us cumpanherus” vão até o fim na defesa dos corruptos do PT.

    São muito babacas, até agora não entenderam que o para o Juiz Sérgio Moro e os Procuradores da República que atuam no Paraná, não importa a choradeira nem esperneio.

    O MPF do Paraná vai colocar todos na cadeia, Lula, empresários e até Dilma quando ela perder a imunidade depois do impeachiment.

  2. - Responder

    Mulher ridícula, isso sim é o que ela é.

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