Vando da Colnizatur, prefeito de Colniza, foi assassinado na tarde da sexta-feira, 15 deste dezembro, na Avenida Sete de Setembro, em sua cidade. O crime, com indícios de pistolagem, vitimou o sexto prefeito mato-grossense após a redemocratização em 1985. Os anteriores não foram esclarecidos e continuam cobertos com uma névoa de impunidade. O que se esconde por trás dos assassinatos de prefeitos?

Antes de Vando foram assassinados os prefeitos Lázaro Agostinho de Almeida, de Canabrava do Norte, Jose Frederico Fernandes, de Nova Xavantina; Flávio Faria, de Porto Estrela; Valdenir Antônio da Silva, o Quatro Olho, de Novo Santo Antônio; e Luiz Cesar de Castro, o Luizão, de Nova Canaã do Norte.

Vando, prefeito assassinado em Colniza

Vando, prefeito assassinado em Colniza

Ex-prefeitos também foram assassinados no período. Em 1999, José de Arruda Silva, 24, irmão do então prefeito de Alto Paraguai, Eduardo Gomes da Silva, foi baleado e morto por pistoleiros; Eduardo sustenta que a vítima seria ele.

Esvandir Antonio Mendes, o Vando, tinha 61 anos, era casado e empresário no ramo de transporte de passageiros. Foi executado a tiros por ocupantes de um carro que seguiu a camionete Toyota que dirigia na Rua Sete de Setembro. Além dele, o secretário de Finanças da prefeitura, Adnilson Ferreira também foi atingido; tiros acertaram as costas e uma perna de Ferreira.

A mulher e um genro do prefeito estavam no veículo, mas saíram ilesos. Com Vando morto ao volante sua picape desgovernada bateu no muro de uma oficina mecânica.

Quatro Olho

Quatro Olho

O corpo de Vando foi velado em Colniza e transladado para sepultamento em Ji-Paraná, Rondônia. O vice-prefeito Celso Leite Garcia, o Celso da Cacique (PT), assumirá a prefeitura.

MEMÓRIA – Em 2012 Vando foi eleito vice-prefeito pelo PSB na chapa encabeçada pelo peemedebista João Assis Ramos, o Assis Raupp. O prefeito Assis Raupp é sobrinho do senador por Rondônia, Valdir Raupp, do qual adotou o sobrenome para efeito político.

Antes de Colniza Assis Raupp foi vereador por Porto Velho. O município mato-grossense faz divisa com Amazonas e Rondônia, e sua base populacional é composta por ex-moradores de municípios rondonienses. Prefeito e vice se desentenderam.

Na eleição de 2016 Vando foi eleito pelo PSB com 5.070 votos ou 51,14% da votação válida. Assis Raupp estava afastado do cargo, tentou registrar sua candidatura, mas não conseguiu. O mesmo aconteceu com o ex-prefeito Sérgio Bastos dos Santos, o Serjão (PHS), que também foi barrado pela Justiça Eleitoral. O adversário de Vando foi Milton de Souza Amorim, o Miltinho (PSDB), que cravou 4.843 votos o correspondente a 48,84% da votação.

A polícia não descarta nenhuma linha de investigação sobre o assassinato de Vando.

 

Outros assassinatos

 

Luizão

Luizão

Em 5 de julho de 1996, o prefeito de Canabrava do Norte, Lázaro Agostinho de Almeida, do PFL, foi assassinado na varanda de sua casa com tiros de escopeta.

Ninguém foi responsabilizado pelo crime, que permanece impune.

Lázaro também foi vereador por São Félix do Araguaia. Canabrava é um dos municípios do Vale do Araguaia.

José Frederico Fernandes, PFL, prefeito de Nova Xavantina, no Vale do Araguaia, foi executado em 30 de maio de 1999 com 15 tiros de revólver e três de escopeta.

A polícia teria apurado que Fernandes estava envolvido num triângulo amoroso com a mulher do vice-prefeito.

O crime continua impune.

Flávio Faria era prefeito de Porto Estrela quando foi assassinado a tiros na noite de 10 de maio de 2005, em sua fazenda, naquele município.

A polícia tratou o caso como crime de pistolagem e levantou suspeita sobre mandantes, mas a impunidade continua.

Porto Estrela é município no polo sucroalcooleiro de Barra do Bugres.

Valdenir Antônio da Silva, o Quatro Olho, PMDB era prefeito de Novo Santo Antônio e foi assassinado em sua casa na noite de 23 de julho de 2011.

A polícia investigou várias vertentes e o caso foi tratado como crime político, mas a impunidade continua desafiando a capacidade do Estado.

Novo Santo Antônio é uma cidade à margem esquerda do rio das Mortes, no Vale do Araguaia.

Adario

Adario

Luiz Cesar de Castro, o Luizão, DEM, prefeito de Nova Canaã do Norte, no Nortão, foi assassinado na saída de um clube de laço em sua cidade, em 5 de agosto de 2011.

Dois homens apontados como mandante e executor do crime foram julgados e absolvidos.

Ex-prefeitos também foram assassinados e feridos no período.

Vilceu Marchetti, ex-prefeito de Primavera do Leste foi assassinado na noite de 7 de julho de 2014 na sede da fazenda Mar Azul, município de Santo Antônio de Leverger.

Adário Carneiro Filho, ex-prefeito de Ribeirão Cascalheira, foi assassinado a tiros quando estacionava sua camionete ao lado do Fórum daquela cidade.

O crime aconteceu na manhã da sexta-feira, 11 de setembro de 2015 e continua impune

Adario chegou à prefeitura em eleição suplementar disputada em 2010; recebeu 60,21% dos votos e venceu Antonio de Morais Pinto Júnior, do PP.

Ribeirão Cascalheira é uma cidade dividida ao meio pela BR-158, no Vale do Araguaia.

Luiz Carlos Machado, o Luiz Bang, 61, ex-prefeito de Porto Alegre do Norte, foi assassinado a tiros em sua chácara próxima à BR-158, em Confresa, cidade próxima de Porto Alegre do Norte.

O crime aconteceu na noite de 27 de janeiro deste ano.

A polícia sequer conseguiu chegar a algum suspeito.

Porto Alegre do Norte é uma cidade à margem da BR-158 e do rio Tapirapé, no Vale do Araguaia.

O médico e empresário Iron Marques Parreira foi prefeito de Confresa e sofreu dois atentados a bala. Em 25 de agosto de 1997 foi atingido por quatro tiros quando se encontrava em sua casa: as balas perfuraram o pescoço, e o braço e perna esquerdos; levado para Goiânia, foi operado e por alguns meses ficou preso a cadeira de rodas e dependendo de muleta.

Em maio de 1999 novamente Iron foi metralhado, mas sobreviveu.

Confresa é uma da principais cidades do Vale do Araguaia.

João Mara, prefeito de Novo Santo Antônio, foi atingido por cinco tiros disparados durante um assalto.

O município não tinha agência bancária e os salários dos servidores eram pagos em dinheiro sacado no Banco do Brasil em São Félix do Araguaia. Essa manobra chamou a atenção de bandidos e na tarde de 27 de agosto de 2004, um grupo encapuzado invadiu a casa do prefeito quando ele chegava com o montante para quitar a folha salarial. Mesmo sem resistir João Mara foi baleado.

Não há pistas dos criminosos.

O misterioso caso Vilceu

 

Vilceu e o MT 100% Equipado

Vilceu e o MT 100% Equipado

Vilceu Francisco Marchetti, 60, foi prefeito de Primavera do Leste presidiu a associação dos prefeitos de Mato Grosso (AMM) e sua última função na vida pública foi a de secretário de Infraestrutura do governo, nomeado pelo então governador Blairo Maggi (PP), agora ministro da Agricultura e senador licenciado. Primavera, no polo de Rondonópolis, é uma das principais cidades de Mato Grosso.

Vilceu era apontado como um dos participantes do rumoroso caso da compra superfaturada de 705 equipamentos rodoviários no final de 2009, pelo governo, para o programa “MT 100% Equipado“; essa operação teria rendido R$ 44 milhões em propinas com o superfaturamento.

Quando foi assassinado Vilceu administrava a fazenda Mar Azul, no distrito de Mimoso, município de Leverger.

A versão oficial sobre o crime: Vilceu foi morto a tiros em seu quarto; teria assediado a caseira Ângela Aparecida Ribeiro dos Santos, mulher do caseiro Anastácio Marafon – o casal era novato na propriedade.

Marafon assumiu a autoria do crime. Sustentou que matou Vilceu a tiros. Julgado em 9 de julho de 2015 na cidade de Leverger, foi absolvido e ganhou liberdade. O Ministério Público recorreu ao Tribunal de Justiça e em 13 de julho de 2016, por unanimidade, sua 2ª Câmara Criminal anulou o julgamento.

Marafon foi ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), e em 4 de abril deste ano o ministro Reynaldo Soares da Fonseca manteve a anulação do TJ.

O mistério sobre o assassinato é assunto permanente nos meios políticos.