TCE - NOVEMBRO 2

“Ligação de Wellington a Silval foi gesto de grandeza”

Na avaliação do jornalista  decano Eduardo Gomes, a interesseira imprensa de Mato Grosso se aproveita de todas as chances para achincalhar Silval e sua família, que já não detém a chave do cofre, enquanto paparica o novo rei posto, o atual governador Pedro Taques. Ao invés de jornalismo, mero interesse comercial

Na avaliação do jornalista decano Eduardo Gomes, a interesseira imprensa de Mato Grosso se aproveita de todas as chances para achincalhar Silval e sua família, que já não detém a chave do cofre, enquanto paparica o novo rei posto, o atual governador Pedro Taques. Ao invés de jornalismo, mero interesse comercial

De nem Deus sabe

POR EDUARDO GOMES

Cansado de presenciar tanta roubalheira impune o brasileiro reza, torce e vibra com a devassa no poder político em Brasília e na elite empresarial brasileira da construção pesada, pelos desdobramentos da Operação Lava-Jato, que judicialmente desemboca na Vara do juiz federal Sérgio Moro, em Curitiba. Esse também é o posicionamento do mato-grossense com as prisões, os processos e os encaminhamentos para os primeiros julgamentos das figuras que são acusadas de dilapidação do patrimônio público na Terra de Rondon, nos últimos anos. Porém, o cidadão não deve se deixar levar pela pirotecnia gutemberguena nem pelo oportunismo que cercam tais fatos.

Lava-Jato interessa muito a Mato Grosso. Afinal, trata-se de um rombo astronômico na Petrobrás, que segundo as primeiras condenações foram carreados para os cofres do PT e de graúdos petistas.

Nem mesmo a magnitude de Lava-Jato levou a imprensa a detalhes alheios aos autos. Nunca os grandes jornais, as redes de televisão e os portais com acessos bem maiores que a população mato-grossense abriram espaço às picuinhas, como se vê por aqui. É afrontoso divulgar que a ex-primeira-dama de Mato Grosso, Roseli Barbosa, pediu ao marido Silval Barbosa, que levasse uma pasta de dentes para ela, que se encontrava presa (acusada de um rombo de R$ 8 milhões na Secretaria de Trabalho/Setas) e que se utilizou de um telefone do estabelecimento penal para o pedido. Lembro-me que quando estourou o escândalo das “Apostilas Malditas” – aquelas da Setas, que difamavam Cáceres e outros três municípios – o caso foi tratado com extrema cautela pelos críticos de agora. E à época, Roseli continuou na berlinda das colunas sociais e no noticiário.

Vejo com tristeza a tentativa gutembergueana de satanizar Silval por seus contatos com o gabinete do vice-presidente do Brasil e seu correligionário Michel Temer. Pra essa gente aquilo foi uma heresia. Que Mato Grosso é esse onde o marido não pode defender a mulher? Observem que isso vazou.

Lamentável a abordagem de um telefonema do senador Wellington Fagundes para Silval hipotecando apoio e solidariedade ao amigo e companheiro político pelo momento adverso por ele enfrentado. Mas isso mereceu destaque na mídia graças a um vazamento.

Pra mim, a ligação de Wellington a Silval foi gesto de dignidade humana, de grandeza. Se essa mesma situação ocorresse com Silval no poder, seguramente diriam que o senador é cabra dos bons.

Por telefone Silval tentou passar energia positiva a um de seus filhos. Isso não escapou do vazamento e a ironia ganhou o mundo no noticiário de sites.

Afaste-se de mim patrulhamento editorial, mas peço que seu aparelhamento também não se aproxime sequer de minha sombra ou de meus passos. Nós precisamos é da informação sobre o fato e não da divulgação que nada acrescenta ao entendimento do leitor (internauta, ouvinte e telespectador). Vejo essa conduta como forma de cortejar Pedro Taques, titular do governo de onde brotam as linhas de investigação e que paralelamente a isso tem a chave do cofre da Secretaria de Comunicação na qual se abastecem as figuras ora tão dispostas a acusar, julgar e condenar quem perdeu a prerrogativa ora em poder do mesmo Pedro Taques.

A imprensa tem poder devastador e pode criar tribunais de exceção paralelamente aos tribunais legais. Defendo que toda suspeita ou indício de irregularidade deve passar pelo crivo investigativo e, se for o caso, chegar ao Judiciário.

Além do modus operandi (acima citado) de boa parte da imprensa há também oportunistas. Vi com preocupação o destempero do advogado Adolfo Arini, que ingressou com uma reclamação disciplinar no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) pedindo liminarmente o afastamento do desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, Marcos Machado. Arini argumenta que em agosto deste ano, o magistrado conversou por telefone com Silval, sobre a prisão de Roseli pelo Gaeco.

A conversa do desembargador com o ex-governador foi um assunto reservado entre dois amigos (Marcos Machado era promotor e foi o mais votado de uma lista tríplice para o TJ e Silval o referendou). Vale observar que Marcos Machado não atuou enquanto magistrado no caso de Roseli e que reiteradas vezes disse que se sente impedido (de atuação) em processos onde Silval e Roseli figurem enquanto réus ou autores.

Acompanho o sentimento mato-grossense pela apuração dos fatos que levaram tantas cabeças coroadas pra trás das grades, mas sem que para isso a imprensa saia de seus padrões éticos e o destempero de Arini se repita.

Quando falo em cabeças coroadas me refiro a José Riva, Pedro Nadaf, Silval Barbosa, Marcel Cursi, Roseli Barbosa, Sílvio Cezar Araújo, Éder Moraes e a arraia-miúda que também esteve atrás das grades.

Espero que o Gaeco que tão bem apura fatos descubra as autorias dos vazamentos e que a Justiça aja como se espera em situações assim, sob pena de nos senti


rmos num estado policialesco, sem garantias individuais, sem segurança jurídica, onde arapongagem devassa conversa de desembargador, vida de casal é motivo de chacota, relação de pai e filho é tratada com deboche, amizade entre dois homens públicos é motivo de escárnio; e onde não há linha que separe o “sim” do “não”, o “certo” do “errado”, o “ético” do “aético”, a “conduta republicana” do “patrulhamento” e o “jornalismo”, da “submissão aos donos do poder”.

Que os inquéritos avancem, que a Justiça julgue, que o TJ investigue Marcos Machado como ele mesmo pediu antes que Arini entrasse em cena, que Mato Grosso se reencontre, que o Brasil passe a ver nossa terra tal qual ela é e não como vem sendo pintada e, finalmente, que Pedro Taques comesse a governar.

Chega de corrupção, de bajulação, de ferir princípios éticos. Basta de máculas criadas artificialmente neste chão que há nove meses o poder (Executivo e Legislativo) ao invés de mirar o horizonte teima em flertar com o umbigo onde se armou um circo que continua arrancando sorrisos porque ainda restam alguns pães que nem Deus sabe até quando durarão.

Eduardo Gomes de Andrade, jornalista, é editor do site e da Revista MTAqui

5 Comentários

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  1. - Responder

    É vai ver que ele é um coitadinho; vai ver que a ex-primeira dama é uma coitadinha e que precisam de um jornalista para defende-los .
    A roubalheira e a arrogância dessa gente , não importa nada né jornalista?
    Devia defender com a mesma veemência os coitados que vivem o calor e a miséria nos casebres de Cuiabá e nesse estado ; miséria esta que essa gente perpetua , inclusive segundo as denuncia com dinheiro do SOCIAL.
    Como disse o rei Juan Carlos ao parlapatão chaves:
    Porque não te calas?

  2. - Responder

    Eduardo Gomes sintetiza o meu pensamento que, por falta de condições culturais mais arraigadas não souberam, como ele, analisar com a mesma profundidade e verdade. Também compartilho o pensamento do nobre jornalista a respeito do assunto, ainda que não convalide práticas delituosas praticadas por quem quer que seja.

  3. - Responder

    Eduardo,as provas estão comprovadas,documentadas e são irrefutáveis,é um casal deformado moralmente, são corruptos ,e desviaram dinheiro publico que faz falta na educação,saúde,segurança.PORQUE NÃO TE CALAS!

    • - Responder

      Meu caro Osmir,

      No texto deixo claro que os acusados devem ser julgados. Não defendo o casal Barbosa. O que questiono é o excesso de setores da imprensa, que coincidentemente ou não, são clientes preferenciais dos cofres da Secom do governo de MT e que até ontem se desmanchavam em elogios a Silval e seus companheiros. Também lamento o posicionamento do advogado que tentou associar o desembargador Marcos Machado a esse escândalo ainda em curso.
      Em síntese sou pelo Estado Democrático de Direito, que confere competência exclusiva ao Judiciário pra julgar. Sou contrário ao jornalismo da pirotecnia remunerada. E não empunho bandeira simplesmente pela mesma ser simpática. Penso que é melhor ficar com a razão que abraçar a aluvião.
      Saiba que o admiro há 32 anos e que sempre respeitarei seu contraditório – tanto assim que não questionei suas críticas ao meu Livro 44.
      Receba meu abraço fraterno.

    • - Responder

      Osmir nunca viu uma peça dos autos que tramitam em segredo de justiça. Sua opinião é de ouvir dizer. Ou seja, um tonto dando opinião sobre o que nunca viu.

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