PREFEITURA SANEAMENTO

JORNALISTA E BLOGUEIRO ENOCK CAVALCANTI: Acho constrangedor, para os mato-grossenses e, principalmente para nossa estudantada, que a principal escola estadual, na capital, continue a homenagear a memória do general-ditador Emílio Garrastazu Médici. Seria lógico trocar o nome e passar a chamá-la, por exemplo, de Escola Estadual Padre Raimundo Pombo. O padre Pombo foi professor dedicado, cordato, que ajudou a formar gerações de jovens, notadamente no Colégio São Gonçalo. Professor amoroso, ficha limpa, que cumpriu seu sacerdócio com honra. Já Medici, o general-ditador, foi o responsável pelo período mais sangrento da ditadura no Brasil.

 

O padre Raimundo Ponto, ao lado de Wilson Barbosa Martins (de óculos), primeiro governador eleitor de Mato Grosso do Sul, pelo PMDB que não conseguiu eleger o sacerdote como primeiro governador de Mato Grosso devido ao que passou à História como um dos maiores roubos de todo o processo eleitoral no Brasil, no período em o País iniciava o processo de redemocratização

O padre Raimundo Ponto, com as mãos no joelho, ao lado de Wilson Barbosa Martins (de óculos), primeiro governador eleitor de Mato Grosso do Sul, pelo PMDB que não conseguiu eleger o sacerdote como primeiro governador de Mato Grosso devido ao que passou à História como um dos maiores roubos de todo o processo eleitoral no Brasil, no período em o País iniciava o processo de redemocratização

Padre Pombo e o ditador

Por Enock Cavalcanti

 

 

Meus amigos, meus inimigos: acho constrangedor, para os mato-grossenses e, principalmente para nossa estudantada, que a principal escola estadual, na capital, continue a homenagear a memória do general-ditador Emílio Garrastazu Médici.

Seria lógico trocar o nome e passar a chamá-la, por exemplo, de Escola Estadual Padre Raimundo Pombo. Existirão outras possibilidades igualmente válidas. Faço minha sugestão.

A futura Escola Estadual Padre Pombo fica ali, na avenida Mato Grosso, no coração de Cuiabá. Você passa pelo relógio monstruoso que a TV Centro América implantou e o prefeito Mauro Mendes vai conservando, e chega nela.

A escola é um mundo, um microcosmo da cuiabania, um prédio meio desconjuntado, carente de beleza estética, e, em suas salas, se misturam centenas de garotos e garotas dos bairros mais diferenciados e, por isso, acaba tendo papel de destaque na educação pública ofertada em nosso Estado.

Sim, apesar do abandono governamental e de um certo alheamento por parte dos moradores do bairro do Araés, em derredor, aquela escola pulsa. Professores e alunos, volta e meia, estão no noticiário, lutando por melhorias no currículo, por melhorias nas estruturas da escola.

Pessoalmente, tive oportunidade de acompanhar etapas da mobilização do ano passado, que reclamava a instalação de aparelhos de ar condicionado nas salas calorentas.

Parece que, até agora, não foi atendido o pedido da refrigeração de toda a Escola. Vejam que, algumas vezes, os alunos tiveram que correr para fora das salas, pois não havia como assistir aula naqueles fornos. Uns passaram mal, botando literalmente os bofes para fora. Coisa feia de se ver. Coisa feia de saber que acontece em Cuiabá.

Situação constrangedora, humilhante. Como é constrangedor e humilhante estudar à sombra do general-ditador responsável pelo período mais sangrento da ditadura no Brasil. Médici, não.

O padre Pombo, sim. Foi professor dedicado, cordato, que ajudou a formar gerações de jovens, notadamente no Colégio São Gonçalo. Professor amoroso, ficha limpa, que cumpriu seu sacerdócio com honra, sem se contaminar com práticas odiosas como a pedofilia que já abastardou tantos sacerdotes por esse mundo afora. (Reprimir a pulsão sexual dá nisso.)

Além do mais, Pombo foi militante do velho MDB, lutador pelas liberdades democráticas. Ele se destacou tanto, nesta resistência, que acabou lançado ao Governo do Estado, quando veio a redemocratização.

Quem viveu a época e acompanhou a disputa do Padre Pombo contra Júlio Campos, da Arena, conta que Julinho só ganhou porque a roubalheira teria sido geral e muitas urnas, recheadas de votos que garantiriam a vitória ao padre lutador, acabaram boiando nas águas do Cuiabá.

Eu acho que a memória do Padre Pombo precisa ser resgatada. E o general ditador Médici deve ter seu nome tirado da mais proletária de nossas escolas estaduais.

 

ENOCK CAVALCANTI é jornalista, editor do caderno Ilustrado do Diário de Cuiabá e editor desta PAGINA DO E. Artigo publicado originalmente no Diário de Cuiabá.

6 Comentários

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  1. - IP 179.179.92.43 - Responder

    Amigo Enock, concordo plenamente!
    E essa mudança de nome poderá ser acompanhada da retirada da gigantesca estátua, que fica na entrada de Cuiabá (parecendo fazer um gesto obsceno).
    Que bom será se os estudantes da Escola mobilizarem-se pra esse fato histórico.
    Abraço
    Flávio

  2. - IP 189.59.63.231 - Responder

    Enock ,corrigindo o nome do ex presidente para EMÍLIO e não Ernesto …..
    Bom , fui aluna da escola no ano de 1985 a 1990 e não concordo com a troca do nome .Aliás não concordo com a onda de trocar o nome de nada … Por exemplo : a avenida do Goiabeiras Shopping : já foi 31 de Março, Avenida Lava Pés e hoje se chama José M Figueiredo . Alguém na cidade sabe desse nome ??? Um prédio desconjuntado ? nossa, era uma escola linda ,eu era apaixonada por aquela grandiosidade .Me lembro que na época ,no pátio antes do inicio das aulas nós cantavamos o HINO NACIONAL ,me lembro das aulas de Ed. Moral e Civica ,dos antigos professores e que no intervalo de uma aula tocava AQUARELA DO BRASIL !!!.Infelizmente tudo piorou com o tempo ,Hino Nacional só no jogo da Seleção …kkkkkkkk Sugiro que o Padre Pombo poderia ser homenageado de outra forma ,com a construção de uma outra escola ,uma que não seja ” desconjuntada ” !!!!

  3. - IP 179.252.14.177 - Responder

    Ao que me consta a estátua na entrada de Cuiabá , homenageia Juscelino Kubistchek ; e assim nada tem a ver com a matéria.
    Quanto a essa de mudar nome de escola , pode até ser algo que tenha sentido , mas se for assim teremos que mudar nomes de cidades , pontes, avenidas . A Avenida Getulio Vargas por exemplo , homenageia um ditador e ninguém fala nada.

  4. - IP 179.253.63.119 - Responder

    Teríamos que mudar nomes de Ruas. Creio que não seja necessário mudar o nome do colégio, mas esclarecer que Medice foi militar que participou de um Golpe Militar, torturou, matou e desapareceu com os corpos. Enfim, que foi um bandido que governou o País com apoio da parcela da população que pensava e pensa como ele.

  5. - IP 177.214.63.58 - Responder

    Kkkkkkkkkkk.Enock,o mal informado

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