JORNALISTA CESAR VANUCCI: Chegou a hora, nesta véspera da grande festa mundial do futebol, de substituir esses ruídos desarmoniosos! Fazer soar, no lugar, clarins festivos de alvorada. Providenciar ruflar majestático de tambores. Botar pra fora todo clangor de emoções de que sejamos capazes. Despejar nas ruas batucada de escola de samba em pleno apogeu carnavalesco, coro cadenciado de arquibancadas para anunciar que a Copa chegou! E que a Copa é nossa!

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SELEÇÃO

 

A Copa é nossa!

 

CESAR VANUCCI

 

“O principal papel do escrete é o de profeta do grande Brasil!” 
(Nelson Rodrigues, em 1962)

 
Parar logo com isso! Com esse papo irreal produzido pelas minorias barulhentas, por desconhecimento de causa ou má fé, desvinculadas do verdadeiro sentimento nacional. Fazer cessar os ruídos do desalento, que nada tem a ver com a índole popular. Tirar do ar os brados retumbantes do pessimismo mórbido, com seus efeitos contaminantes parecidos com os da gripe aviária. A Nação se amofina com esse tipo de reação.

Parar com esse chororô anêmico, desnutrido, tão despojado de brasilidade! Derrotismo forjado em fantasias é algo que roça as fimbrias do delírio esquizofrênico. O Brasil inteiro, todos sabemos, esconjura a estridência baderneira volta e meia infiltrada em manifestações populares de cunho pacífico e compreensivelmente reivindicatório. Recomenda enfaticamente que as manifestações genuínas, fruto saudável da pujança democrática, mercê de Deus reinante, não se estiolem em passeatas sem rumo, sem objetivo certo, sem senso de oportunidade. Não existe crise alguma capaz de se sobrepor ao Brasil. Nem que ela tivesse irrompido por aqui com a mesma impetuosidade e turbulência com que se manifestou noutros países nos diversos continentes.

Parar, repetimos, com esse papo desagregador! O Brasil é que nem o mar. Contemplando-o, não há como descrevê-lo com palavras alusivas apenas a ligeiros enjoos de alguma travessia de curta duração.

Chegou a hora, nesta véspera da grande festa mundial do futebol, de substituir esses ruídos desarmoniosos! Fazer soar, no lugar, clarins festivos de alvorada. Providenciar ruflar majestático de tambores. Botar pra fora todo clangor de emoções de que sejamos capazes. Despejar nas ruas batucada de escola de samba em pleno apogeu carnavalesco, coro cadenciado de arquibancadas para anunciar que a Copa chegou! E que a Copa é nossa!

A proclamação – tá na cara – reflete, naturalmente, antes de tudo mais, generoso anseio da alma das ruas. A conquista do titulo é sonho acariciado por milhões.

Que os deuses do futebol, que compõem de certa maneira uma espécie de torcida organizada de nosso escrete, possam dizer, na hora em que a bola estiver rolando nos gramados, amém às nossas preces!

Mas é preciso entender também que a Copa não nos pertence tão somente por conta do hexa. O País assumiu, perante o mundo, a responsabilidade de criar as condições necessárias, do ponto de vista político, econômico, turístico, psicológico, de promover uma competição eletrizante, de brilhantismo sem similar na história dessa paixão universal denominada futebol. Com a colaboração de todos, os brasileiros vamos ter que honrar esse compromisso. Esmerando na organização dos grandes espetáculos programados. Acolhendo com carinho e hospitalidade as levas de turistas. Contribuindo para que a imagem autêntica, verdadeira do País, de sua gente, de suas potencialidades e virtudes, possa ser projetada lá fora em todo esplendor, revelando ao mundo a certeza de que somos uma Nação com clara vocação de grandeza, com inequívoca vocação conquistadora em relação ao futuro. Uma Nação que cultiva a esperança, o humanismo como dogmas de fé no enorme esforço despendido em favor da construção humana e de um mundo mais fraterno e igualitário.

Chegada a hora!

A Copa é nossa! Vamos mostrar orgulhosamente, a todos, que cada brasileiro entende muito bem ser o futebol, como lembrado na palavra de José Lins do Rego, um soberbo “agente de confraternidade”. E, também, alardear, com justa ufania, os motivos pelos quais nos fizemos conhecidos, nos olhares do mundo, como o “país do futebol”!

cesar-vanucci
* CESAR VANUCCI é jornalista 

cantonius@yahoo.com.br 

César Vanucci foi repórter do jornal O Triângulo, redator da Rádio Difusora e do Diário do Triângulo e editor-chefe do Correio Católico. Também foi professor universitário. Em Belo Horizonte, para onde se transferiu em 1966, César Vanucci ocupou vários cargos, entre eles, de superintendente-Geral da FIEMG e diretor da Rede Minas de Televisão. Criou, como diretor do SESI, o famoso programa Ação Global, ainda hoje promovido pela TV Globo.É autor de José Alencar, missão cumprida, e colabora atualmente com cerca de 20 jornais. Um dos fundadores da entidade, Vanucci ocupa a cadeira 9 da Academia de Letras do Triângulo Mineiro.

ACESSE O BLOGUE DE CESAR VANUCCI:

http://vanucci-jornaldovanucci.blogspot.com.br/

 

TETRA

 

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Para escritor, Felipão resgatou a essência da seleção brasileira

Segundo José Miguel Wisnik, treinador fez da equipe um time que joga um futebol atual como das outras seleções, mas sem se descaracterizar

Por São Paulo

Antes de Luiz Felipe Scolari fazer sua reestreia à frente da seleção brasileira, a equipe vivia um incômodo jejum, pois não vencia um time campeão do mundo desde novembro de 2009, quando bateu a Inglaterra por 1 a 0, em Omã. Até que Felipão voltou e com ele, as vitórias sobre as grandes seleções também retornaram. A primeira foi em um amistoso antes da Copa das Confederações, 3 a 0 sobre a França. Para o escritor José Miguel Wisnik, a volta de Felipão à seleção brasileira fez com que a equipe jogasse um futebol mais próximo da realidade atual.

– Eu era descrente de que o Felipão faria isso, porque o futebol passou recentemente por grandes saltos. O Barcelona, por exemplo, representou um salto no modo como uma equipe se organiza. E depois tomou um passeio do Bayern, que por sua vez tomou um agora do Real Madrid. Então é como se houvesse uma aceleração de tradições, escolas muito fortes que estão jogando um futebol atualizado. E o Brasil estava desatualizado em relação a tudo isso, acho que por ter jogadores espalhados pelo mundo, partidas de interesse mais do mercado e perdeu o sentido de jogo e o contato por sua vez com a realidade brasileira. Então ficou uma coisa solta no ar, que é o que define o fantasma. Era um fantasma do futebol brasileiro – analisou.

Luiz Felipe Scolari Felipão brasil treino joanesburgo (Foto: Jefferson Bernardes / Vipcomm)Para José Miguel Wisnik, Felipão resgatou essência do Brasil (Foto: Jefferson Bernardes / Vipcomm)

Depois da vitória sobre os franceses, o time engatou uma série de vitórias sobre Itália, Uruguai e Espanha, que renderam o time o título da Copa das Confederações. Para Wisnik, além de fazer o time jogar um futebol atual, ele reuniu no grupo da seleção características encontradas em outras seleções, aproveitando para recuperar a essência do futebol brasileiro.

Mas segundo o escritor, cabe agora ao técnico não deixar que a euforia criada em torno deste título tire o foco da equipe para a Copa do Mundo.

– Eu acho que o Felipão não era o técnico capaz de dar uma resposta atual para isso. Mas eu acho que ele surpreendeu porque é uma seleção que mostrou uma capacidade tanto de jogar com coesão, de troca de passes como a Espanha, e ao mesmo tempo o contra-ataque alemão, uma coerência defensiva italiana e mais as fagulhas de criatividade brasileira. Então, isso criou uma coisa interessante. Agora, não pode tomar a Copa das Confederações como a Copa do Mundo, como se uma coisa fosse outra, criando uma euforia de favoritismo, que eu acho que não há. É melhor que não haja. Toda vez que o Brasil foi muito favorito, isso não foi bom. Acho que é melhor que haja uma consciência de que há uma série de dificuldades, que há seleções muito fortes, que vários dos jogadores não estão em boa fase individualmente. O próprio Neymar ele passou por uma contusão, coisa muito rara na carreira dele e não vem jogando. Ou seja, tudo isso é coisa a superar – finalizou o escritor.

A seleção brasileira vai iniciar a preparação para a Copa do Mundo no dia 26 de maio, na Granja Comary, em Teresópolis, Região Serrana do Rio de Janeiro. Antes da estreia, fará dois amistosos: contra o Panamá (dia 3 de junho, no Serra Dourada) e contra a Sérvia (dia 6, no Morumbi, em São Paulo). A Seleção faz seu primeiro jogo da Copa do Mundo no dia 12, contra a Croácia, na Arena Corinthians.

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