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JANIO DE FREITAS: Sérgio Moro fortalece o pior de Bolsonaro e seu governo, a combinação de autoritarismo e reacionarismo.

Janio de Freitas: Decisão de Moro fortalece o pior do governo Bolsonaro; a combinação de autoritarismo e reacionarismo
Marcelo Camargo/Agência Brasil


Decisão de Moro custa seu prestígio e fortalece o pior do governo Bolsonaro

por Janio de Freitas, na Folha de S. Paulo

Uns já o vêem no Supremo, uns lhe antecipam a faixa da Presidência. O futuro mais próximo, que tem a ver com as inquietações do nosso presente, não combina com generosidades e por isso é mais silenciado, embora não silencioso.

É significativo que mesmo a celebração do novo passo de Sergio Moro se sentisse compelida, em inúmeros casos, a listar impropriedades da sua conduta de juiz, como a gravação ilegal e divulgação de conversas de Lula, Dilma e outros; a liberação, a seis dias da eleição, de depoimento já antigo de Antonio Palocci contra Lula e o PT, e outras incorreções.

Muitos dos que as citam agora ao tempo de suas ocorrências as aceitaram e até as defenderam.

A gravidade que tiveram é, porém, reconhecida na rememoração a que poucos se negaram.

O passo a mais que Moro dá no seu projeto, como no projeto de que é parte, custa-lhe um bom pedaço do prestígio.

Quanto se fortalece por explicitar sua aliança com Bolsonaro, supondo-se que o saldo lhe seja favorável, tardará a sabermos.

Certo, desde logo, é o inverso: Moro fortalece Bolsonaro. Já o faz na provável maioria da chamada opinião pública, e vai mais fundo.

O problema é que fortalece o pior do esperável de Bolsonaro e seu governo: a combinação de autoritarismo e reacionarismo.

O autor de arbitrariedades hoje reconhecidas até por seus apoiadores terá, como ministro da Justiça, todos os poderes e habilidades da Polícia Federal sob seu controle.

Se, nas ocasiões em que teve direção ministerial criteriosa, a PF não se poupou do chocante, pode ser um instrumento perigosíssimo nas mãos de quem a utilize sem respeito aos limites éticos e legais.

Moro está bem conhecido em poucos dos seus lados e arestas pessoais. Do que sabe e do que pensa, não se tem ideia.

A terra para trabalhar, a necessidade do teto, a vida e o espaço dos indígenas, as milícias já aplaudidas por Bolsonaro, os refugiados, a fauna contrabandeada, enfim, são muitos os problemas sensíveis a cargo do Ministério da Justiça.

Só têm recebido referências sinistras da roda de recém-poderosos. E agora são objeto da depravação que é sua entrega à inexperiência, provável desconhecimento e descaso pelo respeito humano e pelos limites legais.

Em sua negação à passagem para a política, Moro dizia que um cargo político lançaria dúvida sobre “a integridade do trabalho” que fez até então. Integridade que tem o sentido de totalidade como o de retidão.

É o próprio Moro, portanto, na condição de maior autorizado a falar do seu trabalho, quem o põe em dúvida no todo e na retidão. Nesse ponto, não custa concordar com Moro.

Para concordância semelhante ou para confirmar decisões do (ex) juiz, será vergonhoso que, ao julgá-las em recursos, os magistrados tenham o olhar temeroso, oportunista e faccioso que levou à aceitação de muitas das sentenças e medidas inconvincentes de Sergio Moro.

Os altos tribunais estão em dívida com os direitos da democracia.

*JANIO DE FREITAS é Jornalista e membro do Conselho Editorial da Folha de S Paulo

1 Comentário

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  1. - Responder

    Jânio de Freitas não é um jornalista idôneo,além de parcial,é anti patriota.Ao invés de condenar as atitudes não republicanas dos petistas ,ataca o juiz,que deu a primeira sentença,o TRF 4,não só confirmou,como aumentou. Nada o desvia do ataque impiedoso contra o MORO,nada,nem os fatos.Os fatos estão no processo em curso que, culminaram com as condenações, mas ele nunca foi pesquisar ou pelo menos se informar sobre as robustas provas anexadas pelo MPF.

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