JANIO: Brasil critica Chávez, mas louvou Tancredo


Janio: Brasil critica Chávez, mas louvou Tancredo Neves

Colunista diz que brasileiro não tem memória por criticar o adiamento da posse do presidente venezuelano; eleito indiretamente em 15 de janeiro de 1985, Tancredo morreu em abril e  foi substituído pelo vice, José Sarney

247 – Em sua coluna desta quinta-feira, Janio de Freitas contesta a oposição da opinião pública brasileira pelo adiamento da posse de Hugo Chávez na Velezuela. O presidente luta contra um câncer em Havana. Para o jornalista, o Brasil não tem memória. Eleito indiretamente em 15 de janeiro de 1985, Tancredo Neves morreu em abril e foi substituído pelo vice, José Sarney. Leia:

À brasileira
por JANIO DE FREITAS

Seja o que for o chavismo, a oposição quer é restaurar o sistema anterior -um dos mais corruptos da região

A DECISÃO, adotada na Venezuela, de adiar indefinidamente a posse do hospitalizado Hugo Chávez tem um precedente: é milimetricamente igual à decisão que adiou indefinidamente a posse do hospitalizado Tancredo Neves. O que faz com que a decisão no caso de Chávez receba exaltada condenação moral no Brasil e no caso de Tancredo Neves fosse louvada, com alívio e emoção, pode ser muito interessante. Mas não é para um artiguinho. E não é tão difícil de intuir, ao menos na superfície.

Convém lembrar que a crítica à solução brasileira só veio, e muito forte, no segundo passo daquele veloz processo. Foi quando a decisão à brasileira avançou muito mais do que a Venezuela: morto Tancredo, o mandato que não recebeu e a Presidência foram transferidos ao vice, sob muita contestação jurídica e ética.

As circunstâncias venezuelana e brasileira são diferentes? Sim, claro. As circunstâncias são sempre diferentes. Mas sem essa de que a oposição Venezuela está lutando pela democracia, e o chavismo é um sistema contrário à liberdade, e coisa e tal.

Seja o que for o chavismo e o que pretenda a “revolução bolivariana”, o que a oposição quer é restaurar o sistema de poder anterior: um dos mais corruptos e socialmente opressores da América Latina, de menor e mais imoral “liberdade de imprensa” e de pensamento.

Ao longo do século passado, a Venezuela dos hoje saudosistas deixou exemplos de barbaridade ditatorial escandalosos mesmo para o padrão latino-americano, caso do ditador-bandido Perez Jimenez, entre outros; e uns dois governos decentes, digo dois só para não deixar o romancista e presidente Romulo Bittencourt sem companhia em meio a cem anos.

Mas, a não ser muito eventuais obviedades “de esquerda”, nunca li ou ouvi críticas no Brasil aos donos daquela Venezuela e seu sistema de domínio e exploração.

O que se passa na Venezuela não é uma divergência entre as condições jurídicas e temporais de uma posse, incerta além do mais, na Presidência. Posse de um eleito, também é bom lembrar, em eleições de lisura aprovada por comissões internacionais de fiscalização, entre as quais a respeitadíssima Fundação Carter, com a presença destemida do democrata Jimmy Carter.

A conduta do Itamaraty diante do problema venezuelano, na qual expressa a posição oficial Brasil, mais uma vez se orienta pelo princípio de que se trata de assunto interno do país vizinho, sem justificativa para qualquer interferência externa a ele.

Marco Aurélio Garcia foi mandado, como assessor presidencial de assuntos internacionais, recolher em dois dias as informações, necessárias ao governo brasileiro, sobre o estado de Chávez e sobre a situação política venezuelana. Não houve indicação alguma de que seu comentário representasse uma posição assumida pelo governo brasileiro.

Para Marco Aurélio Garcia, conforme exposto na Folha pela repórter Fernanda Odilla, “como o presidente foi reeleito, ‘não há um processo de descontinuidade’ se ele não tomar posse formalmente” hoje. Há, sim. Não há descontinuidade pessoal. Mas há descontinuidade institucional.

Uma posse presidencial não importa pelo empossado, que pode ser ótimo ou lamentável. A importância é institucional: o início de um mandato na Presidência. E segundo mandato é outro mandato. Como constatado no editorial da Folha “Impasse na Venezuela”, de ontem, “o texto constitucional [venezuelano] não responde de maneira inequívoca às dúvidas suscitadas” sobre o impedimento atual da posse em novo mandato.

Mas, em se tratando de Chávez, é válido dizer que “adiar indefinidamente” é inconstitucional, é arbitrariedade, é opressão. “Brasileiro não tem memória.” Ou, se lhe convém, adia indefinidamente.

FONTES FOLHA DE S PAULO E BRASIL 247

9 Comentários

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  1. - IP 187.7.246.40 - Responder

    Vale lembrar que um erro cometido aqui não justifica outro erro cometido lá, além do que no caso do Tancredo todos tinham notícia de seu estado e sua morte foi noticiada assim que ocorreu já o Chavez não sabemos nem se está vivo.
    Além disso, textos constitucionais elaborados por ditaduras nunca prezaram pela clareza.

    • - IP 189.59.69.195 - Responder

      Meu amigo Kadu odeia o chavismo de longa data. Logo está motivado pela emoção de ver a volta dos pelegos da PDVSA voltar a rachar os lucros com os barões do petróleo do norte e a elite venezuelana. Além do mais, a morte adiada de Tancredo, levado á sobrevida para “morrer” no dia de Tiradentes foi coisa muito mais feia. Além, é claro de substituir Tancredo pelos bigode horrendo de Zé Sarney, faraó do Maranhão e do Amapá.

      • - IP 187.55.191.181 - Responder

        Ademar,

        Pode ser até verdade que aguardaram a data para homenagear o Tancredo, porém no caso do Chavez nem você que é apoiador dele sabe dizer se o cara morreu, está em coma, vai se recuperar.
        E a questão não é que eu odeie o chavismo, o que eu odeio são as ditaduras, todas elas de qualquer coloração.
        Desse modo, penso não ser possível fazer discurso de democrata e defender Chavez, Fidel, Assad e outros tantos ditadores espalhados pelo mundo.
        Você e o Enock defendem liberdade de imprensa e defendem regimes onde isso não existe é muita incoerência para minha pouca bagagem cultural.
        E o Enock chega a ser engraçado, pois no caso dos mensaleiros ele atacou o STF sempre que pôde,mas o Supremo da Venezuela é de fazer inveja à suprema corte alemã.

        • - IP 177.17.202.250 - Responder

          Preciso me expressar. Você foi coerente! Falou o que precisava. Parabéns!

    • - IP 201.57.233.221 - Responder

      Ahhhhhhhhhhhh, não! Não imaginava que tivesse alguém crível na palhaçada palaciana da morte do Tancredo no dia 21/04. Meu Deus! Como o povo é abilolado. Como pode assimilar uma situação dessas? Não é à toa que TEMOS o governo que temos. Triste!

      • - IP 187.6.2.149 - Responder

        Devo ser bem abilolado mesmo, pois não entendi nada.

  2. - IP 189.59.57.142 - Responder

    Nhoque, veja isso: PRESIDENTE DO TJMT PROÍBE USO DE MINISSAIA NO TJ!!!

    http://www.tjmt.jus.br/Conteudo.aspx?IDConteudo=28088

    TJMT amplia segurança nas suas instalações

    O presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, desembargador Rubens de Oliveira Santos Filho, determinou a publicação da Portaria nº 11/2013, que disciplina acesso de pessoas aos prédios do Tribunal de Justiça de Mato Grosso e a utilização dos estacionamentos. As medidas seguem premissas do Sistema de Controle de Acessoe serão aplicadas às dependências do edifício sede do TJMT, Anexo António de Arruda, Escola dos Servidores Desembargador Atahide Monteiro da Silva , Escola Superior da Magistratura (Esmagis-MT) e creche-escola Bem-me-quer.

    O magistrado levou em consideração a necessidade de reorganizar o trânsito de veículos automotores, de promover a segurança das instalações físicas da Corte, bem como dos serventuários e usuários dos serviços prestados pelo Poder Judiciário Estadual, e ainda a necessidade de sistematizar o fluxo e acesso de pessoas ao Tribunal e a utilização dos estacionamentos. Para isso, determinou a instalação do Sistema de Controle de Acesso Eletrônico e Segurança Física do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

    Leia as principais determinações:

    Público externo – Em relação ao público externo, o artigo 1º da portaria prevê que o acesso de advogados, promotores de justiça, defensores públicos, imprensa, membros de outras instituições e visitantes deverá ocorrer pelas respectivas recepções, mediante a apresentação de documento oficial com foto, para confecção de cadastro eletrônico no Sistema de Controle de Acesso, que conterá nome e o número do documento apresentado.

    Após o cadastro, o visitante receberá um crachá, com chip de identificação eletrônica, que permitirá acesso às dependências internas dos prédios. Já para o acesso aos gabinetes da Presidência, Vice-Presidência, Corregedoria-Geral da Justiça e dos Magistrados, será necessária autorização do setor de destino. A solicitação também deverá ser efetuada na recepção.

    Público interno – O acesso de magistrados e servidores ocorrerá obrigatoriamente pela recepção das edificações e guaritas de controle de acesso aos estacionamentos. Os prestadores de serviço terceirizados e das instituições bancárias com posto de atendimento nos locais terão acesso pelo mesmo local.

    O acesso será permitido aos magistrados e servidores após a identificação das digitais nos leitores dos equipamentos de controle de acesso (catracas, cancelas e portas).

    Estacionamentos – O artigo 3º da portaria indica a distribuição das vagas, bem como define que o controle de acesso aos estacionamentos destinados aos magistrados e servidores será realizado por meio de sistema eletrônico, onde as digitais farão a liberação dos equipamentos (cancelas). Da mesma forma será liberado o acesso dos mesmos pelas catracas localizadas na recepção das unidades informadas e estacionamentos.

    O estacionamento G (na entrada do prédio novo do Poder Judiciário) será destinado exclusivamente a advogados, promotores de justiça, defensores públicos, imprensa, membros de outras instituições e visitantes e não deverá ser utilizado por servidores. Prestadores de serviços eventuais deverão utilizar o estacionamento H (estacionamento de brita).

    Horários e trajes – O acesso será restrito ao intervalo compreendido entre 5h e 21h, nos dias úteis, salvo com autorizações especiais, concedidas pela Administração. Aos sábados, domingos, feriados e períodos noturnos, os servidores e prestadores de serviços deverão ter autorização dos coordenadores, diretores e responsáveis pelos gabinetes, por meio do Sistema Informatizado de Controle de Acesso, com informações como nome, matrícula, setor e horário de entrada e saída.

    Será vedada a entrada de pessoas trajando bermudas, calções, camisetas regatas, minissaia, mini-blusa, chapéu ou boné (exceto quando em serviço), admitindo exceções em caso de urgência ou de impossibilidade financeira de se vestir de forma adequada. O acesso de vendedores, entregadores, agenciadores de qualquer tipo de produto, bens ou serviços às dependências está proibido.

    O descumprimento da portaria implicará notificação administrativa e informação ao Departamento de Recursos Humanos do TJMT, que adotará as providências disciplinares adequadas. Os casos omissos serão resolvidos pela Diretoria-Geral do TJMT.

    Confira aqui a íntegra da Portaria nº 11/2013, disponibilizada na edição nº 8969 do Diário da Justiça Eletrônico (DJE), circulada nesta quinta-feira (10 de janeiro).

    Coordenadoria de Comunicação do TJMT

    imprensa@tjmt.jus.br

    (65) 3617-3393/3394

    10/01/2013 10:30

  3. - IP 177.7.77.143 - Responder

    Eu não consigo entender como alguém que defende as liberdades e a democracia , possa apoiar um governo que tem pretensão de ficar eternamente no poder. Como pessoas que conheceram a ditadura Brasileira , podem , em nome da suposta “libertação” do poderio americano alardeado pelo bufão chaves ( chapolin colorado) ,apoiar a perpetuação desse homem no poder , assim a qualquer custo? Que contrasenso.

  4. - IP 200.140.107.22 - Responder

    O modelo chavista de imprensa é o sonho dos petralhas para o Brasil, pois lá na Venezuela só os paridários do Chapolin têm acesso à televisão e ao rádio.

    Que ninguem se iluda, porque quando os petralhas e a esquerdotralha em geral falam en controle da mídia, isso é apenas uma outra forma de anunciar a censura.

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