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JACQUES GOSCH: Ao apoiar Bolsonaro, Pivetta e Zeca vilipendiam memória de Brizola

Pivetta e Vianna

Ao apoiar Bolsonaro, Pivetta e Zeca vilipendiam memória de Brizola

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Por Jacques Gosch

 

O apoio dos pedetistas Otaviano Pivetta e Zeca Viana ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) no eventual segundo turno das eleições presidenciais com o pretexto de não permitir o retorno do PT ao poder agride os ideais históricos do trabalhismo representado pelo PDT e vilipendia a memória de Leonel Brizola.  Falecido em 2004, o líder maior da sigla dedicou boa parte da sua trajetória política ao combate a ditadura civil militar reivindicada como melhor período da história brasileira pelo candidato que mobiliza a direita conservadora neste processo eleitoral.

Ao anunciar o apoio a Bolsonaro, Pivetta e Zeca parecem ter esquecido que Brizola foi implacavelmente perseguido pelo regime  defendido pelo presidenciável do PSL, ficando 10 anos exilado no Uruguai. E ao retornar beneficiado pela Lei da Anistia em 1979, por articulação dos próprios generais que comandavam o país, perdeu o direito de usar a sigla do antigo PTB de Getúlio Vargas e foi obrigado a fundar o PDT para reagrupar os trabalhistas dispersos pela repressão.

Os próceres do PDT mato-grossense também esquecem que Brizola, enquanto governador do Rio Grande do Sul comandou a Campanha da Legalidade dos porões do Palácio Piratini em 1961.  A articulação política,  somada com a mobilização popular e apoio de setores progressistas das Forças Armadas, impediu a deposição do presidente da República João Goulart e conseguiu adiar para 1964 a tomada do poder pelos militares através do golpe de estado saudado por Bolsonaro como a salvação do Brasil que defende publicamente a memória de torturadores como o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra.

Além dos elementos históricos envolvendo a figura de Brizola, o apoio de Pivetta e Zeca a Bolsonaro fica ainda mais constrangedor considerando que o PDT tem Ciro Gomes como candidato a presidente da República.  Isso porque seu programa de governo, alicerçado em bases nacionalistas, nada tem a ver com as teses ultraliberalizantes e de desregulamentação da economia defendidas por Paulo Guedes, guru do adversário do PSL na área econômica.

Enquanto Ciro defende o incentivo a indústria nacional, recuperação do crédito popular para aquecer o consumo e auditoria na dívida pública para conter a lucratividade dos rentistas, a campanha de Bolsonaro apresenta teses contrárias. Além de questionar direitos trabalhistas consagrados como licença-maternidade, adicional de férias e 13º salário, já falou em unificação da alíquota do imposto de renda, o que na prática aumenta a carga sobre os mais pobres e classe médio enquanto alivia para o setor mais abastado da sociedade.

Uma das bandeiras históricas do PDT é a educação em tempo integral, colocada em prática por Brizola e Darcy Ribeiro quando o dirigente trabalhista governou o Rio de Janeiro. Neste aspecto, o programa de Bolsonaro não vai além de propor o fortalecimento do ensino à distância e o programa Escola Sem Partido que pode resultar na perseguição de docentes por questões ideológicas.

 Esses argumentos seriam suficientes para demonstrar que Pivetta e Zeca, na condição de lideranças maiores do PDT no Estado, estão sendo no mínimo incoerentes, ao anunciarem apoio a Bolsonaro. Entretanto, não há como desconhecer que ambos são milionários e a afinidade com o presidenciável que assumidamente defende os mais ricos é natural mesmo que venha acompanhada com suas posições indigestas  como machismo, misoginia, racismo e homofobia.

O presidente nacional do PDT Carlos Lupi, ex-ministro do Trabalho no governo da ex-presidente da República Dilma Rousseff (PT), ainda não se manifestou sobre a novidade. Certamente, o apoio a Bolsonaro será reprovado já que o dirigente foi obrigado a engolir a aliança com DEM do candidato a governador Mauro Mendes de quem Pivetta é vice.

Vale lembrar que Pivetta se apressou em anunciar apoio a Bolsonaro por conta da repercussão de uma entrevista em que o chama de comediante e despreparado. Mesmo requentada por setores da mídia, causou a ira dos chamados bolsominions e ameaçou até votos dos conservadores em Mauro.

Outro constrangimento gerado pelo anunciado apoio a Bolsonaro foi a esculhambação por parte candidata ao Senado Selma Arruda (PSL). A juíza aposentada tachou Pivetta e Zeca de oportunistas que deixam Ciro de lado para pegar carona na popularidade do presidenciável do PSL com objetivo raso de angariar votos.

Em conversa informal, Pivetta já me disse que tem orgulho de ser brizolista  e que inclusive se alfabetizou numa brizoleta, uma das centenas de escolas rurais fundadas por Brizola para garantir educação aos filhos dos trabalhadores rurais gaúchos na década de 1950. Zeca também falou coisas semelhantes e exaltou o legado do dirigente trabalhista. Então, ainda podem examinar as consciências, rever os posicionamentos e retornar ao prumo ideológico do PDT.

Jacques Gosch é jornalista, repórter de Política do

 

CONFIRA AS RAZÕES DO APOIO DE PIVETTA E ZECA A BOLSONARO

Pivetta: Não vou votar no Haddad; Eu não quero mais do mesmo

O candidato a vice-governador Otaviano Pivetta (PDT) divulgou áudio no qual se retrata de uma crítica anterior contra o candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL). Ele explica que, em eventual segundo turno, é a favor do candidato de extrema direita e contra o petista Fernando Haddad (PT), que também busca o comando do país.

Sobre a declaração anterior, o pedetista argumenta que antes não via trabalho relevante de Bolsonaro em  28 anos ocupando cargos eletivos, mas que no cenário atual poderia votar nele.

“Olhando para o cenário de hoje, nós temos a polarização do Bolsonaro com o Haddad. Permanecendo este cenário, como brasileiro, se eu tiver que escolher, eu vou votar no Bolsonaro, porque eu não vou votar no Haddad. Eu não quero mais do mesmo”, disse Pivetta.

Pivetta é vice de Mauro Mendes (DEM), pela coligação “Pra Mudar Mato Grosso”. O partido de Bolsonaro, o PSL, faz parte da coligação “Segue em Frente Mato Grosso”, que tem o governador Pedro Taques (PSDB) como candidato à reeleição. Em agosto, Mendes e Pivetta receberam o presidenciável Ciro Gomes (PDT) em Cuiabá.

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Para o presidente do PDT de Mato Grosso, possível 2º turno deve ser entre Bolsonaro e Haddad

O presidente do PDT de Mato Grosso, deputado estadual e candidato à reeleição Zeca Viana, parece não estar muito confiante com a candidatura e vitória do presidenciável de seu partido, Ciro Gomes.

Para Zeca, um possível segundo turno para Presidência seria entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT), isso por conta das pesquisas de intenção de voto que apontam o crescimento do candidato do PT.

Com a disputa entre Bolsonaro e Haddad, o presidente do PDT de Mato Grosso assegurou, durante entrevista à rádio Capital FM, nesta sexta-feira (28), que apoiaria Bolsonaro.

Esse mesmo posicionamento pró-Bolsonaro foi chancelado pelo candidato a vice-governador na chapa de Mauro Mendes (DEM), Otaviano Pivetta, que é correligionário de Zeca Viana.

O PDT nacional, por sua vez, por óbvio, trabalha com a possibilidade de eleger Ciro Gomes. E em um provável segundo turno sem o candidato do partido ainda não há manifestação oficial de quem a sigla iria apoiar.

1 Comentário

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    Esses aí não são e nunca foram TRABALHISTAS, são isso sim, oportunistas. E o que dizer dos candidatos do PSDB pedindo voto para o “17”??? São uma cambada de lixo!

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