ITAMAR PERENHA – Campanha eleitoral, com tantos candidatos, anima mercado publicitário
Por em Quebra Torto - 7/07/2012 18:21Mercado publicitário se anima
O mercado publicitário animou-se com a disposição manifesta pelas diferentes coligações que entram na corrida eleitoral deste ano. Com a ampliação do número de vereadores para 25 vagas na Câmara Municipal, aumentam as chances de quem disputa a reeleição. O dispêndio para mais de 300 candidatos, ao valor médio de R$ 200.000,00 para as campanhas mais modestas, vai colocar um bom dinheiro na praça. Nem todos, porém, gastam tal valor. Há, nos orçamentos, contribuições por serviços estimados o que provoca uma falsa impressão monetária.
Gráficas fazem campanha
As gráficas de Cuiabá lançaram uma campanha para sensibilizar os candidatos. Painéis em pontos estratégicos incentivam os candidatos a contratarem serviços gráficos nas empresas matogrossenses. Ao menos o dinheiro gasto em impressos circularia no mercado local ao invés de gerar empregos ou serviços extras em outras praças.
Se colar, colou
Fala-se na importação de marqueteiros e em gente especializada para trabalhar com pesquisas eleitorais. O interessante é que esse pessoal vem de fora, pouco conhece da realidade local e se informa com jornalistas ou publicitários locais. Aí aplicam modelos que desenvolveram em suas cidades de origem. Se colar, colou.
Pratas da casa
Há também pratas da casa. Para ficar num exemplo, Mauro Cid, profissional experimentado e um dos pioneiros no marketing político no Estado, vai tocar a campanha de Guilherme Maluf. Há outros valores: Barradas, Kleber Lima, Lúcio Sorge e Carlos Rayel, atualmente na Secom, com passagens pelas campanhas de Garotinho (RJ) e do ex-governador (falecido) Orestes Quércia (SP). A essa altura e com a vivência que tem não, é possível dizer que o Secretário de Comunicação do Estado já está devidamente “cuiabanizado”.
Marketing “seriado”
Há, também, assessorias de marketing ancoradas nas grifes: Duda Mendonça e João Santana (este último colecionando campanhas vitoriosas na América Espanhola, para não falar em Lula e Dilma).
“Baianidade”
Os entendidos dizem que o marketing político só dá certo se tiver um pouco de “baianidade”. A impressão é que a Bahia é fonte inspiradora, mas a palavra “baianidade”, aqui, tem o sentido de “tempero”. Porfiam grandes agências com experiências bem sucedidas na África e referencial na América Latina.
Conteúdo e forma
E com isso se volta à velha discussão sobre o que deve prevalecer em uma campanha eleitoral. Duda Mendonça privilegiava a “forma”. Um dos vts de campanha que se tornou famoso foi das “mulheres grávidas”. Havia todo um simbolismo no VT. Foi, na campanha de Lula, uma de suas peças mais bonitas e expressivas, tanto que é lembrado até hoje. A valorização da “forma” que, por perfeccionismo, utilizava câmeras cinematográficas de 36 mm – um certo exagero – transformou-se numa escola.
Conteúdo e forma
Na última campanha presidencial assistiu-se a uma valorização do “conteúdo”. Depois de uma certa dispersão, como acidente de percurso que acabou provocando um segundo turno, houve uma retomada da linha de discurso que acabou prevalecendo. O “conteúdo” acabou, por sua vez, se transformando em outra escola de marketing político.
Associação
Há os puristas e os circunstantes. Os puristas conduzem a campanha segundo o pensamento da escola a que se filiam. Já os denominados “circunstantes” tanto aplicam uma como outra para afinar a campanha no horário eleitoral gratuito de rádio e TV.
Horário gratuito caro!!!
Assim, no Brasil, a instituição do horário eleitoral gratuito, que só é gratuito para os candidatos já que as emissoras de Rádio e Televisão fazem as devidas compensações tributárias, transformou-se em elemento primordial das campanhas eleitorais exigindo equipes de produção bem qualificadas. Há que se fazer, aqui, a necessária distinção entre “produção” e “veiculação”.
Produção
As equipes de marketing, agora incluindo as chamadas mídias digitais (ainda tateando em busca de uma linguagem adequada ao seu público e recheadas de “experimentalismo”), fazem a chamada “produção” das peças da propaganda eleitoral. O custo de produção acaba se tornando caro. É, talvez, um dos maiores gastos do orçamento de campanha.
E o financiamento?
Tempo de trazer à discussão um ingrediente para o qual não se encontrou a fórmula mais adequada: o financiamento de campanha. O poder econômico acabou subjugando o
processo democrático. É uma constatação.
por ITAMAR PERENHA, na TURMA DO EPA

