Identificando-se, ironicamente, como “mais um bobó tcheira”, ex-senador Márcio Lacerda repudia, com elegância, discriminação e preconceito expressos pelo atual senador Pedro Taques, em inserção na TV, falando do atraso das obras para a Copa. E lembra que, de atraso de obras, o preconceituoso senador do PDT entende já que, como procurador da República, provocou atraso que já se mantém por 15 anos com a suspensão dos estudos de impactos ambientais para implantação da Hidrovia Paraná-Paraguai.

Márcio Lacerda foi senador da República por 8 anos; Pedro Taques já está querendo abandonar o Senado sem sequer atuar 4 anos em Brasilia

Márcio Lacerda foi senador da República por 8 anos; Pedro Taques já está querendo abandonar o Senado sem sequer atuar 4 anos em Brasilia

 

“Bobó cheira-cheira”

por Márcio Lacerda

A antiga expressão tão comum na minha infância e juventude mato-grossenses de então – e que, a rigor, se dizia apenas bobó tcheira -, usada pelo “maior senador” do Brasil – e certamente dos maiores ex-procuradores federais –, expressão esta que rotulava pessoas ingênuas, limitadas intelectualmente, de poucos conhecimentos que seriam facilmente enganadas, mais tarde conhecidas também como “trouxas” e outras expressões pejorativas, pode se transformar em um símbolo de discriminação e preconceito, tal como ocorreu com a banana atirada ao craque brasileiro Daniel Alves.

Seguramente o ilustre Senador, quando a empregou, se referia à maioria das pessoas do povo, e aí a discriminação, porque a ele, obviamente, ninguém teria a pretensão de tentar ludibriar.

Ao afirmar que Cuiabá e Várzea Grande estão literalmente destruídas pelas obras da Copa 2014, insinuando que os atrasos são deliberados, além da negligência, da incompetência, por mero capricho e manifesta intenção de atrasar.

Será o Senador presume que algum bobó-tcheira acredita que essas intervenções que tiveram início aos 290 anos de Cuiabá e que, certamente, serão responsáveis pelo grande salto de modernização da infraestrutura e mobilidade urbanas que transformarão nossas duas cidades e seus entornos, estão sendo realizadas tão somente para que eventuais turistas venham assistir aos quatro jogos da Copa do Mundo programados para cá? Ou, por acaso elas teriam a finalidade maior de preparar Cuiabá e Várzea Grande para o seu grande futuro e a Copa apenas criou oportunidade para que pudéssemos acessar os financiamentos que, de outra forma, talvez nos próximos 50 anos não fossem possíveis?!

Senão, vejamos: dentre as 12 capitais da Copa apenas para Cuiabá e a cidade gêmea Várzea Grande, o Governo do Estado de Mato Grosso optou pelo VLT considerada das mais eficientes soluções para transporte de massa em todo o mundo. Mato Grosso, aliás, foi o único Estado do Brasil, cujo Governador resolveu enfrentar o poderoso cartel das empresas de ônibus que infernizam a vida dos moradores das grandes cidades brasileiras e não pelo BRT – ou seja, apenas ônibus travestidos de “modernidade”, opção veementemente defendida pelo Senador permanecendo crítico à opção adotada, o VLT. Certamente a qualquer bobó tcheira a quem fosse oferecido escolher entre um ônibus superlotado e lento e um vagão refrigerado e rápido do VLT, optaria por este. E você?

Atraso das obras

O ilustre Senador e ex-procurador sabe, como poucos do país, que nenhuma obra pública do porte das que estão sendo realizadas e, não só as da Copa, deixam de sofrer soluções de continuidade ou paralisações decorrentes de alguma intervenção judicial, por parte de quem perdeu a licitação, ou está sendo desapropriado, além de problemas de pagamento, de licenciamentos ambientais, aliás, uma boa parte deles por iniciativa dos Ministérios Públicos (Estadual e Federal), de onde o Senador é oriundo.

Os embargos e as consequentes paralisações são determinados até por decisões liminares. A suspensão dos embargos, por sua vez, demora mais um pouco, não é Senador?

Apenas a título de exemplo – os Estudos de Impactos Ambientais da Hidrovia, que prefiro denominar Ecovia Paraná-Paraguai, em seu trecho Cáceres – Corumbá, estão suspensos por uma Decisão Liminar concedida em uma Ação Civil Pública impetrada por V. Excia e encontram-se suspensos há mais de 15 anos. Note-se que são apenas estudos e, de Corumbá para baixo, a mesma via opera normalmente, desde antes da Guerra do Paraguai.

Certamente o planeta lhe é “grato” pelos milhões de toneladas de Co² emitidos na região. Os trabalhadores, pela falta de emprego e de salários, os produtores rurais e a população da região Oeste do estado pelo atraso no seu desenvolvimento. Finalmente os transportadores rodoviários e a indústria petroleira por alguns bilhões de dólares a mais em seus caixas.

Veja, Senador, que na Região Oeste, área de influência da Ecovia, vive mais de 400.000 (quatrocentas mil) pessoas. É muita gente, Senador, e quinze anos é muito tempo!
Cuiabá e Várzea Grande – estou convencido até de que tenham um pouco mais de sorte, pois as obras estão sendo viabilizadas em até cinco anos. Talvez até porque V. Excia, com sua competência e zelo pela causa pública tenha deixado o Ministério Público Federal.

Obrigado, Senador, por reacender em mim o espírito de cidadania que andava meio acomodado e por provocar minha vontade de me manifestar e escrever um pouco da experiência vivida nos meus 71 (setenta e um) anos. Nunca deixei de estar engajado nas lutas da sociedade. Desde a escola como estudante secundarista, depois universitário e, como cidadão e militante político desde sempre. Apenas e tão somente mais um bobó tcheira.
Márcio Lacerda é Vice-Presidente do Diretório Regional do PMDB, Ex-Senador Constituinte, Ex-Governador, Ex-Deputado Federal, Ex-Deputado Estadual por Mato Grosso.

 

 

4 Comentários

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  1. - IP 201.22.170.154 - Responder

    A carapuça serviu!

  2. - IP 179.224.169.3 - Responder

    Esse Pedro Taques é um embusteiro

  3. - IP 200.101.58.234 - Responder

    Quero ver se Marcio Lacerda renuncia as aposentadoria obtidas pelos cargos havidos, certo que qualquer trabalhador CLT leva 35 anos para obter. Tá rico e agora gosta de falar e tentar mexer o tabuleiro político para fazer opinião e favorecer seus interesses e de seus pares.

  4. - IP 189.59.37.101 - Responder

    Pela ótica do Marcio Lacerda os órgãos responsáveis pela fiscalização (MPE, MPF, TCE, TJMT etc.) devem se abster de atuar para que não prejudique o andamento das obras. Com tanta “intromissão” dos órgãos de fiscalização, os urubus conseguem desviar milhões e milhões dos cofres públicos, quem diria sem controle…

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