O jornalista Ademar Adams, antigo aluno de José Tadeu Cury (foto) no curso de Direito da Unic faz uma reflexão sobre a trajetória de seu antigo mestre, que hoje figura entre os magistrados aposentados compulsoriamente pelo CNJ por envolvimento no chamado Escândalo da Maçonaria. Confira:
Ao mestre com carinho - replay
Por Ademar Adams
Estávamos numa aula de direito civil no ano de 1994. O professor, ao dar um exemplo de certo tipo de conflito, falou de eleição em centro acadêmico. Atalhei a conversa, com um dito popular: "Mestre, não se fala de corda em casa de enforcado". E expliquei que um grupo da sala acabara de perder a eleição ao C.A. de Direito da Unic.
O candidato derrotado, meu amigo Heliodoro, querendo se justificar, disse ao professor que tinha sido bom ele perder a eleição, pois, não teria mesmo tempo para se dedicar a entidade estudantil, etc. e coisa.
Então o professor, muito querido na faculdade que acabou sendo o patrono na nossa formatura, tirou um sarro do candidato derrotado: "Pára com isso Helinho, essa conversa não passa de choro de derrotado. Se não terias tempo para dedicar ao Centro, que não se candidatasse..."
Conto esta passagem como preâmbulo, para mostrar como ele era gente boa e a admiração que sempre tivemos pelo magistrado Tadeu Curi. O mesmo que um dia disse pra gente na sala de aula, que advogara 12 anos e decidira fazer concursos para a magistratura, por não mais suportar a juizada.
Por isso, foi com dor no coração e com desencanto que recebi a decisão do desembargador José Tadeu Curi de derrubar a liminar que tirava Zé Riva da Mesa da Assembléia. Jamais esperava uma decisão destas de parte do meu estimado professor. Eu que pensava que ele era diferente, não achava que um dia ele pudesse usar a sua caneta, entre uma tossida e outra, para derrubar uma decisão maravilhosa para a sociedade como aquela que foi proferida, tirando o poder um contumaz acusado de corrupção.
Doutor Tadeu: Sinceramente o senhor acha que Riva não usa o poder na Mesa para impedir as investigações? Que ele não usa o força de ordenador de despesas para pressionar a imprensa? O senhor não é um homem ingênuo para achar que todas as acusações do Ministério Público, sejam mero capricho ou perseguição ao deputado.
E por favor, desembargador Curi, não venha me alegar firulas processuais, das quais o senhor foi sempre um crítico. Como então justificar uma decisão tão perniciosa à sociedade, essa mesma que paga esse polpudo salário que permite ao senhor ter uma vida boa, melhor que 99% das pessoas que a sua decisão agride?
E eu, que há poucos dias quando escrevi o artigo "O silêncio dos inocentes" pensei no senhor, parece que devo retirar o seu nome da boa lista, assim como já tive de tirar alguns, que outro dia ainda mandaram arquivar as investigações que queriam apurar a ladroagem nítida que deve ter ocorrido, quando pagaram 57 milhões por aquela cabeça de porco que é o Fórum da Capital.
Acorda Ademar! Já ouço os amigos cutucando esse crédulo cidadão. "Não existe inocente naquele covil de lobos". E o amigo Marcelino repetir: "O lobo perde a pele, mas não perde a manha".
Mas será que tem gente ainda achando que quase 100 ações do Ministério Público, propostas por gente como Roberto Turim e Célio Fúrio não são indícios suficientes de suspeição? Aliás, o falecido senador Jefferson Peres dizia que indícios grandes, servem como provas. O Supremo também já decidiu assim.
Será que o professor Tadeu Curi nunca leu uma das iniciais destas ações? Se leu, e não achou provas suficientes para mandar prender Riva et caterva, penso que devo rasgar meu diploma de Direito.
E rasgo mesmo, em praça pública, se o senhor meu mestre, largar a toga. Poderia dar um exemplo a todos quantos vestem essa toga indignamente. É esse o clamor da cidadania.
Epílogo
Este artigo foi publicado em 2008, mas dada a sua atualidade resolvi republicá-lo.
Se fosse uns 15 anos atrás eu talvez pensasse que o CNJ fora injusto com o meu então digno mestre. Hoje, doutor Tadeu, ainda tenho uma dorzinha ao saber de sua aposentadoria como um castigo. Mas como cidadão, devo dizer que demorou muito esta palmatória que surrou a sua mão, pois, foi ela que muitas vezes usou a caneta para proteger o maior corrupto da história de Mato Grosso.
Longa vida ao Conselho Nacional de Justiça!
Ademar Adams é jornalista em Cuiabá, diretor do MORAL - Movimento pela Moralidade Pública e Cidadania
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CLIQUE NO LINK ABAIXO E CONFIRA INTEIRO TEOR DO VOTO DO RELATOR IVES GANDRA MARTINS FILHO NO JULGAMENTO DO ESCANDALO DA MAÇONARIA QUE RESULTOU NA APOSENTADORIA COMPULSÓRIA DE JOSÉ TADEU CURY E OUTROS 9 MAGISTRADOS DE MATO GROSSO
http://www.scribd.com/doc/27466394/Cnj-Pagina-Do-e-Ives-Gandra-Aposenta-10-Magistrados-de-Mt
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