A recente passagem do repórter Fábio Pannunzio por Mato Grosso pode não ter resultado em uma divulgação das irregularidades que acontecem ou aconteceram na Assembléia Legislativa de nosso Estado para todo o Brasil, via Jornal da Band. Serviu, no entanto, para demonstrar que o esquema de proteção àqueles que são acusados de desviar quase 500 milhões de reais dos cofres do nosso Legislativo está mais forte do que nunca. Pelo que já se soube, Pannunzio fez a sua parte, com bastante dignidade - tanto que o que ele apurou, se não foi para o ar, pela Band, está servindo de base para uma série de reportagens que ele começou a divulgar em seu blogue - www.blogdopannunzio.com.br. Pelo que já se soube, o editor de jornalismo da Band, jornalista Fernando Mitre que, no primeiro momento, bancou a iniciativa do seu repórter de vir a Mato Grosso para fazer esta reportagem especial, no final das contas, acabou roendo a corda em face das pressões que teriam partido daqui de Mato Grosso para S. Paulo. Segundo se soube, até ameaça de desfiliação da TV local da Rede Bandeirantes de Televisão teria acontecido. Isso é o que se soube até agora. Resta saber nome e sobrenome de quem pressionou a Band em S. Paulo. Resta saber por que essas coisas ainda acontecem em Mato Grosso. Resta saber que providências podem ser tomadas por aqueles que porventura se sentirem ultrajados. Resta saber até quando apenas um pequeno grupo de idealistas continuará se esforçando para ver toda a história das falcatruas que cercam as mais recentes gestões de nossa Assembléia Legislativa, reveladas para o mundo. Resta saber quando surgirá um parlamentar, dentro da própria Assembléia, para abordar com independência este assunto. Resta saber quando o Ministério Público conseguirá articular um iniciativa tal que acabe com a frustração que até aqui se abate sobre a Cidadania mato-grossense. Resta saber se não é possível que o Ministério Público Federal entre na história. Resta saber se o dr. Pedro Taques, que começou a mexer com este problema, algum dia voltará a encarar esses senhores tão acusados mas tão impunes. Resta saber até quando TODA a bancada federal de Mato Grosso, na Câmara e no Senado, continuará replicando a atitude caititu dos deputados estaduais que se curvam diante do atual poder que impera na Assembléia. Resta saber o impacto que terão as recentes punições de magistrados determinadas pelo CNJ sobre a postura do nosso Judiciário diante de quem é acusado de assaltar os cofres do Legislativo - quando não seja para inocentar quem for de fato inocente. Resta saber se o juiz Luiz Aparecido Bertolucci continuará firme em sua trincheira. Resta saber o que o CNJ decidirá sobre no processo instaurado para apurar possivel parcialidade do juiz Bertolucci. Resta saber se o Pleno do Tribunal de Justiça, agora ligeiramente depurado, afastará de vez a Espada de Damocles que ainda paira sobre a atuação da Vara Especializada em Ação Civil Publica e Ação Popular. Resta saber se o nosso povo sairá ou não às ruas para protestar contra toda esta situação - ou se nosso povo só se mobiliza mesmo para torcer pelo Flamengo, pelo Corintians ou pelo Clube de Regatas Vasco da Gama, ou pela Unidos da Tijuca?
Em Mato Grosso é assim...há muitas perguntas paradas no ar.
Enock Cavalcanti nasceu em 18 de maio de 1953, em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, Estado do Rio de Janeiro. Filho de Manoel Paulo da Silva, vendedor autônomo e de Josefa Cavalcanti da Silva, a Dona... (continuar lendo)
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