ZORRA TOTAL OU ... OS LIMITES DO JEITINHO
Por Jean van den Haute (foto)
Não é para falar muito sem fazer nada como numa novela da Globo mas foi depois de ter colocado a boca no fruto proibido que o homem se encontrou no olho da rua com a difícil tarefa de tentar sobreviver apenas com o seu instinto animal e a benção de Deus.
O mais esperto sempre encontrou um jeitinho para se dar bem, no entanto, o mais inteligente se organizou numa sociedade com regras garantindo ... ordem e progresso, ou seja, numa sociedade civilizada.
Este tipo de sociedade é muito longe da forma primitiva de vida encontrada no Mato Grosso por Claude Levi Strauss em 1939, forma de vida que, aqui, materialmente evolui muito mas quase nada na sua essência. No meio de um trafego infernal e de trás do seu volante, o autóctone continua cuspindo na cara do outro, continua buzinando em uma nota só, continua com a pneumatose intestinal desagradável agora de sua máquina poderosa.
Bem que ele tentou encontrar uma saída colocando o seu destino nas mãos do herdeiro de um bem sucedido agricultor. Este se mostrou, infelizmente, apenas “experto” e não quis se preocupar em organizar sociedade nenhuma. Só quis se dar bem com a única preocupação de se perpetuar no poder conquistado, se colocando no 62° lugar de um inescrupuloso ranking internacional.
Pago para liderar o desenvolvimento socioeconômico e ambiental sustentável do “Aglomerado Urbano Cuiabá/Várzea Grande” o chefe sempre foi deliberadamente omisso provocando caos e morte na cidade pela falta de planejamento integrado da mobilidade urbana e impedindo aos seus subordinados prefeitos o acesso aos recursos federais voltados para a saúde, o saneamento e outros assuntos de interesse comum aos dois municípios. (LEC n° 83/01)
Para se desfazer desta responsabilidade ele criou a “Região Metropolitana” pela Lei n° 359/09, disfarçada com a clara intenção de se perpetuar no poder até 2014 através de uma AGECOPA voltada para burlar as Leis vigentes e para preparar a sua volta oficial em 2015. Tudo isso aos custos dos próprios autóctones desabusados.
O problema é que a “Copa 2014” ajudaria muito para “Acelerar o Crescimento” e acabar em curto prazo com os 40 anos de atraso político, jurídico e técnico no desenvolvimento sustentável da Capital como promovido pela Lei 10.257/01. Infelizmente, a Copa da FIFA é um negócio internacional privado submetido a regras e convenções internacionais onde o “jeitinho brasileiro” não tem jeito mesmo.
Para conseguir os investimentos federais e privados, nacionais e internacionais necessários é preciso oferecer as garantias de não ficar com obras inacabadas, as chamadas “garantias de continuidade política” oriundas do respeito ao Plano Diretor Participativo de cada município envolvido e isso, além de uma transparência cristalina, exige a intervenção de um Conselho legalmente constituído e integrado no SNDU, Sistema Nacional de Desenvolvimento Urbano, um “ConCidade” perfeitamente definido pelo Decreto Federal n° 5.031 de 2 de abril de 2004.
Hoje, com a cumplicidade de alguns analfabetos socioeconômicos, o Chefe pegou recursos dos autóctones para implodir o Verdão sem ter recursos garantidos para reconstruir um novo estádio que, aliás, deveria ser fruto de recursos privados que, logicamente, não apareceram.
Portanto, no contexto atual, NÃO VAI ACONTECER A “COPA 2014” EM CUIABÁ sendo que este evento depende exclusivamente da coordenação dos “ConCidades Municipais” envolvidos e é responsabilidade do Prefeito de Cuiabá como Prefeito da Cidade Pólo do desenvolvimento regional. Acontece que o Prefeito da Capital nem sabe que ele virou “PREFEITO METROPOLITANO DE CUIABÁ” desde o fim de novembro 2009, com a pesada responsabilidade de liderar o desenvolvimento socioeconômico e ambiental sustentável da “METRÓPOLE DE CUIABÁ” e de sua região de planejamento, a “REGIÃO METROPOLITANA DE CUIABÁ”, ou seja, o Vale do Rio Cuiabá reunindo os treze municípios, já integrados na “Baixada Cuiabana”, num consórcio que precisa se organizar e se fortalecer.
Tudo isso não preocupa o Chefe que, oficialmente, não será mais Chefe daqui a algumas semanas e que, na pior das hipóteses, conta observar o desastre e o fim do seu pmdbista “boi de piranha” do alto do Senado. O que lhe interesse é voltar como Salvador da Pátria em 2015 e superar o poder de Osama Bin Laden e Bento XVI juntos com a firme determinação de bater mais um recorde planetário.
Jean M. Van Den Haute é Consultor Internacional e Representante da ASSUT-MT no SNDU, Sistema Nacional de Desenvolvimento Urbano.
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