TRANSÍTICA URBANA
Por Jean M. Van Den Haute (foto)
No mundo globalizado, a competitividade é regra e o Brasil, apesar de políticas públicas perfeitamente definidas, está se atrapalhando num caos urbano sem fim resultado da falta de visão, da falta de vontade política e da falta de competência dos poderes executivos envolvidos.
Nascido na França em 1825, como meio de acesso ao trabalho, o transporte coletivo constitui hoje a ferramenta básica da produção nacional de riquezas e é considerado na Europa como locomotiva do desenvolvimento socioeconômico ambientalmente correto e sustentável. A este título, fica sempre no centro de todas as atenções e beneficia-se das mais avançadas tecnologias, subsídios e regras prioritárias no jogo do trafego urbano.
Ao contrário, no Brasil, pela enorme quantia de dinheiro vivo arrecadado a cada dia, “cash”, o transporte coletivo é sempre alvo de maldades politiqueiras legalizadas. Numa imagem medieval, se cobra tudo e se ofereço quase nada. Pior, o transporte público ficou nas mãos de um poder executivo em nada preparado para operar com o profissionalismo que exige a complexidade dos sistemas inteligentes da avançada “transítica operacional” monitorando, hoje, a mobilidade das metrópoles globais. Portanto, além das maldades e do desperdício financeiro, se brinca, também, com o tempo de deslocamento da população ativa, provocando uma perda de tempo mensal equivalente á três dias de trabalho.
Os sistemas inteligentes foram elaborados na Europa desde o início dos anos 60 a partir do casamento entre a informática nascente e o conjunto “goniométrico e telemetria” utilizado na segunda guerra mundial na detecção de radio emissoras clandestinas e que está sempre na atualidade do monitoramento de veículos espaciais e satélites.
Com uma precisão de dez metros o sistema básico, conhecido como “Sistema Automatizado de Apoio a Exploração” ou “SAE”, pode rastrear todos os veículos de um sistema urbano de transporte e permite intervir por radiocomunicação para garantir a exploração sem falha, em tempo real.
Nos anos 80, com os avanços das telecomunicações, da informática e a liberação dos satélites da “Guerra das Estrelas”, além de uma precisão inferior a um metro o sistema adquiriu uma nova dimensão, abrindo espaço para a logística automatizada global, ou seja, o gerenciamento automático integral da movimentação das mercadorias a nível mundial pelo rastreamento e pela automação sanitária, tributária e alfandegária integrada.
No caso do transporte coletivo urbano o levantamento, ao vivo, de todos os dados técnicos, da mesma forma que na Formula 1, além dos dados comerciais fornecidos pela bilhetagem magnética, permitem a gestão integral em tempo real de qualquer sistema de transporte urbano de passageiros. Na sala de monitoramento, a programação da manutenção dos veículos, a regulação da freqüência nos pontos de embarque e até a intervenção em caso de problema externo, acidente ou outros, que exigem desvio da rota normal, se fazem automaticamente, sem intervenção humana. A precisão e a diligência destas intervenções permitem uma economia de até 35% nos investimentos e nos custos da exploração.
Além disso, uma planilha informatizada indica em permanência o custo real das operações a partir da correção “on line” dos parâmetros; preço dos combustíveis, introdução de novos investimentos, incidentes de qualquer natureza e outros, portanto, indica também, em tempo real, o preço tarifário básico da passagem pela equação da quantia de passageiros transportados. A partir deste preço podem ser introduzidos, com muita precisão, os subsídios necessários para manter um “preço social justo”, dando acesso á cidadania para toda a população.
No entanto, tal ferramenta exige tratar o problema do transporte a partir do domínio de todos os parâmetros que interferem em toda a aglomeração urbana o que só é possível através de uma Sociedade Metropolitana de Transporte Urbano, parceria público-privada que exige uma total transparência, ou seja, tudo o que a politicagem odeia.
Portanto, com pretexto a sacra santa “Autonomia Municipal” os direitos da população ficam sempre escamoteadas ao benefício da malandragem e só a vontade política de um Prefeito Metropolitano visionário, ou seja, o Prefeito da Cidade Pólo liderando o desenvolvimento socioeconômico e ambiental da Metrópole pode superar o problema a partir da elaboração do “Plano Setorial de Transporte e Mobilidade da Metrópole” no caso, da Metrópole de Cuiabá.
Jean M. Van Den Haute, nascido na Bélgica, é Consultor Internacional da Transítica, reside em Várzea Grande e atua na Assut-MT, Associação dos Usuários do Transporte Público de Mato Grosso
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