HOJE É DIA DE ROCK: Músicos do Heróis de Brinquedo fazem sucesso nas noites de Cuiabá e retratam resistência roqueira em nossa capital

 

HEROIS DE BRINQUEDO

MÚSICA

Heróis do rock cuiabano

Músicos do Heróis de Brinquedo fazem sucesso nas noites de Cuiabá e retratam resistência roqueira em nossa capital

BEATRIZ SATURNINO
DC ILUSTRADO – DIÁRIO DE CUIABÁ

Diferente do que acontece com muitas bandas autorais foi o cover que deu rock no pop do Heróis de Brinquedo, que já é bem conhecido nas noites de Cuiabá. Com essência “oitentista”, há 10 anos a banda é inspirada na musicalidade dos anos 80 e leva aos palcos o remake de artistas consagrados como Cazuza, Raul Seixas e Leo Jaime. Também de grupos como Legião Urbana, Nenhum de Nós, Titãs, Capital Inicial e Engenheiros do Havai.

São verdadeiros “heróis da resistência” no rock em Cuiabá que, por ironia do destino, foi este termo, também nome de outra banda nacional dos anos 80, que inspirou os jovens músicos na escolha da marca que carregam há uma década.

“As políticas culturais andam muito manipuladas, ao ponto de não haver diversidade. Por exemplo, no Estado durante anos gravaram-se apenas dois estilos, basicamente, o lambadão e o rasqueado, com o apoio do poder público. Ou seja, os peixes maiores comem toda a refeição e sobraM apenas os caquinhos”, critica o contrabaixista da Heróis, Ricardo Chains.

A pisada da Heróis de Brinquedo na música é tão forte quanto a militância na cultura, e é comandada por um vocalista que se parece com o Axl Rose, da banda hard rock Guns N’ Roses, o Marden Tozzi (40), com o groove do contrabaixo por Ricardo Chains (35), a harmonia das guitarras por Anderson Lima (35) e Elder Dencati (20), e a pegada da bateria com Alan Sérvio (35).

O nome da banda tem rumores desde 2001, bem antes de serem os Heróis, a formação era o “Causa Nova”, que teve desfecho em 2003, após um quase sucesso em São Paulo. Como assim?

A turma embarcou para a cidade da garoa para gravar o primeiro CD que levaria o título “Heróis de Brinquedo”, com Guilherme Canaes, que foi o produtor da banda RPM, e que também trabalhou com as bandas Shaman e Angra.

Ricardo Chains, integrante da banda Heróis de Brinquedo, de Cuiabá, Mato Grosso

Ricardo Chains, integrante da banda Heróis de Brinquedo, de Cuiabá, Mato Grosso

Um momento de glória e no qual não era esperada qualquer frustração, como ocorreu. Neste período conheceram outros grandes produtores, como Arnaldo Sacomani, e empresários como Ivo Maraes. Uma contratação foi proposta, e estava tudo certo, mas outra banda foi selecionada no lugar deles, de última hora, o que estremeceu o Causa Nova, provocando ao fim dela.

“Na época vivíamos literalmente como nos anos 80 em São Paulo, ou almoçava ou jantava. E dormíamos em uma sala emprestada do Rodrigo Lopes, com rodízio de colchão. Só dormia com conforto quatro por noite e o outro se encostava na parede”, descreve Ricardo que, além de músico da banda, é quem conduz as contratações.

Esta tentativa de se firmarem no circuito nacional não aconteceu. Retornaram para Cuiabá e dividiram o CD já gravado, lançando mão de seis faixas para o idealizador do Causa Nova, e as demais músicas para o power trio que dava continuidade como Heróis de Brinquedo, a partir de 2005.

No novo formato o vocalista Marden acabou indo para a bateria, o guitarrista Anderson assumiu a voz e o Ricardo continuou no contrabaixo. Daí o primeiro show da Heróis foi abrindo apresentação em Cuiabá do Charlie Brown Júnior.

Foi quando saíram do autoral e como Heróis de Brinquedo investiram em cover. Pouco tocam suas autorais, de um EP que vale mencionar a música “Catador de Latinhas”, sempre pedida pelo público, e que rendeu o prêmio de melhor banda “Pop Rock” da região Centro Oeste, pela GRC Music de São Paulo, em 2010.

Eles ganharam das referências do rock, como Brasília e Goiás, e foram receber a premiação com o dinheiro do bolso, sem incentivo das secretarias de Cultura municipal e estadual.

“Nas nossas músicas colocamos coisas do cotidiano, embora não mais adolescentes, nós utilizamos da linguagem de rock divertido e contagiante, porque é pop”, completa Chains.

A frustração de não emplacar em São Paulo foi tão impactante que os músicos não buscaram mais sair de Mato Grosso e há uns dois anos flertam a possibilidade de se apresentar em Mato Grosso do Sul e Paraná.

“Queira ou não somos a banda mais movimentada da cidade. Hoje amadurecemos muito. Esse andar de lá para cá nos fez crescer. Se a gente tivesse esse pensamento naquela época seria diferente”, aponta o contrabaixista.

Após o EP, a banda gravou um segundo CD, em 2013, chamado “Sons Urbanos”, com 14 faixas, com apoio da Cultura do Estado por meio do Proac – Programa de Apoio à Cultura. O lançamento do disco ainda não aconteceu, e está previsto para este ano.

A banda Heróis de Brinquedo criou raízes, mas é o cover que os músicos amam fazer e o público já se adaptou. “Nós amamos fazer o cover. O processo foi contrário com a gente, num período em que realmente funcionava o autoral partimos para o cover e estamos felizes em ficar em Mato Grosso”, destaca Chains.

Com a classe desunida, assim como enxerga o contrabaixista, com a Ordem dos Músicos inativa, a solução vista por ele está na adequação do Conselho Estadual de Cultura, quem seleciona e aprova os projetos que receberão a verba publica de incentivo.

Portanto, que o processo de seleção para conselheiros de Cultura deveria ser melhor divulgado e envolver a comunidade. Ainda que fossem remunerados, como num concurso. “Justamente para evitar que possam proteger amigos e parentes e ganhar em cima disso com os chamados laranjas”, completa.

A banda se apresenta, nesta sexta, no bar Clube de Esquina, em Cuiabá.

 

E1A - HEROIS DE BRINQUEDO OPÇÃO

Sem comentários. Seja o primeiro a comentar

Assinar feed dos Comentários

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

nove − dois =