PREFEITURA SANEAMENTO

HISTORIADOR SEBASTIÃO CARLOS: Em 64, o Coronel Meira Matos conspirava abertamente no quartel do 16º BC, realizando “um programa de palestras para oficiais e sargentos, através das quais exaltava a necessidade de ser defendida nossa democracia”. Os conspiradores civis não deixavam por menos e acintosamente se reuniam na residência do próprio governador e “na fazenda Rio Bonito, de Mário Spinelli, e na Rádio Cultura, dirigida pelo padre Wanir

Castelo Branco, Garrastazu Médici, João Figueiredo, Costa e Silva e Ernesto Geisel: os generais-ditadores que mandaram e desmandaram no Brasil, no período de 1964 a 1985

Castelo Branco, Garrastazu Médici, João Figueiredo, Costa e Silva e Ernesto Geisel: os generais-ditadores que mandaram e desmandaram no Brasil, no período de 1964 a 1985

MATO GROSSO E O GOLPE DE 1964 – III (Final)
SEBASTIÃO CARLOS

A campanha, ainda que sorrateira, era fortemente estabelecida para golpear a Constituição. Conforme ainda Mattos, essas lideranças civis e militares “passaram os últimos meses de 1963 e os primeiros de 1964 em conversas domiciliares frequentes, nas quais o espírito daqueles que não se conformavam robustecia-se na fé de que um movimento político haveria de surgir breve”.

Enquanto que Meira Matos conspirava abertamente no quartel do 16º BC, realizando “um programa de palestras para oficiais e sargentos, através das quais exaltava a necessidade de ser defendida nossa democracia”, os conspiradores civis não deixavam por menos e acintosamente se reuniam na residência do próprio governador, e “na fazenda Rio Bonito, de Mário Spinelli, e na Rádio Cultura, dirigida pelo padre Wanir, também se realizaram encontros informais, de fim de semana”.

Havia, pois, em Mato Grosso uma força civil e militar grandemente coesa e majoritária a favor de qualquer movimento que se fizesse pela derrubada do presidente constitucionalmente estabelecido. Aqui foram pelo menos seis meses de intensa e profícua preparação, às claras, para a participação na derrubada do regime constitucional. Em síntese, esse era o quadro político vigente em Mato Grosso nos meses finais do regime democrático da Constituição de 1946.
Então a possibilidade de uma articulação de oposição popular ao movimento militar era praticamente nula.

E tão bem preparados estavam os conspiradores militares que no mesmo dia em que, inesperadamente, eclodiu o movimento, partiu de Cuiabá uma coluna motorizada avançada sem sofrer qualquer obstáculo. Seu destino era Brasília onde reforçaria as tropas que se dirigiriam para a tomada do Palácio do Planalto e a consequente prisão do presidente e de seus ministros.

Consolidado o putsch, para o qual não houve resistência significativa, já nos primeiros momentos foi desencadeada a caça “aos comunistas”. Essa repressão, evidentemente se processou com intensidades diferentes em cada unidade da federação. Onde a politização da população e a organização partidária, sindical e estudantil favoráveis ao governo eram mais acentuadas, a repressão aí se deu com mais dureza e violência. Em Mato Grosso, em que pese algumas prisões em Cuiabá (menos), Campo Grande, Aquidauana, Corumbá e Dourados e treze demissões do serviço público, entre estas três juízes de Direito, o regime vitorioso não exercitou a sua mão de ferro. Não houve oposição. O líder popular em ascensão, Wilson Fadul, que, ex-candidato ao governo em 1958 e deputado federal mais votado, se tornara Ministro da Saúde, entrou na primeira leva dos cassados e desapareceu do cenário. Os chamados Grupos dos Onze, organizados por Brizola, não se fizeram presentes, no Brasil e muito menos por aqui, com exceção de uma desorganizada tentativa de resistência buscada pelo jovem advogado Antônio Antero de Almeida que, na região de Jaciara, sem seguidores, foi desbaratada antes mesmo de dar o primeiro tiro.
As críticas ao regime só surgiriam, ainda que muito tímidas, com a criação do MDB em junho de 1966, no qual teve papel de destaque o senador Bezerra Neto. No entanto, coagido pelo medo, que era acentuado pelo conformismo dos políticos e a omissão das representações de classe dos profissionais liberais, de membros do Judiciário e de expoentes da classe média em geral, o crescimento foi muito lento, ao contrário do que ocorria na maior parte do país. A oposição político-partidária ao regime só tomaria impulso já no inicio do fim do regime militar, na década de 1980.

sebastião carlos advogado e professor mt

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Sebastião Carlos Gomes de Carvalho é historiador e advogado. Publicou, entre outros, “Governadores: Meio século de vida pública”.

4 Comentários

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  1. - IP 177.41.90.143 - Responder

    Em primeiro lugar,não era fazenda Rio Bonito,era fazenda Rio Novo.Em segundo lugar ,era normal a sociedade rural e a igreja se reunirem naquele tempo, para se articularem diante da ameaça comunista.Aliás, em MT, os quadros da dita direita, eram infinitamente melhores em tudo ,em relação a dita esquerda, na época!

    • - IP 177.193.170.44 - Responder

      Osmir. Muito obrigado pela leitura de meus artigos. Mas, cumpre-me dizer-lhe: em primeiro lugar, a não ser que o próprio coronel Meira Mattos, o historiador Rubens de Mendonça [que reproduziu as observações do militar – veja a História das Revoluções em Mato Grosso, pgs. 175/176], estejam errados, não fui eu quem cometeu o equivoco quanto ao nome atribuído à fazenda de Spinelli; em segundo lugar, a sua afirmação sobre essas reuniões entre os ruralistas e o clero serem normais “naquele tempo”, apenas reafirma o que escrevi. Com efeito, eles se reuniam mesmo não era para “jogar conversa fora ou fazer duplas de truco”, mas se prepararem para um possivel enfrentamento com o governo de Jango. Como, aliás, se viu …

  2. - IP 179.180.179.241 - Responder

    por pessoas como vc petista doente queo mato grosso sempre vai ser uma coisa esquecida no brasil..]
    vá estudar mais seu lulista doente

  3. - IP 179.180.179.241 - Responder

    vc é historiador do que?

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