Quanto ao bem estar dos idosos, o Brasil vai mal

idosos no brasil não recebem bom atendimentoO bem-estar aos idosos

Hélcio Corrêa Gomes

 

Help Age Internacional publicou ranking de 2014 do bem-estar dos idosos no mundo. O Brasil ficou no 58º lugar. Aqui tem queda da 27ª posição para 58ª. O brasileiro com mais de 60 anos tem pior qualidade de vida, que em outros países latino-americanos tais como Chile, Uruguai e Panamá. 70% dos nossos velhos já padecem de enfermidades crônicas (evitáveis). Afinal, se produz medíocre saúde coletiva e preventiva.

No Brasil se nega a redirecionar as políticas sociais, se elas não atendem aos interesses eleitorais imediatos. Também não se preocupa como outros países conseguiram superar suas barreiras na modernização do Estado com proteção efetiva à velhice. Aqui há inexistência até em um simples sistema de centros públicos, onde os idosos possam ficar, enquanto seus familiares trabalham. O ambiente comunitário nacional está desestimulante para a vida comunitária dos anciões. Daí no ranking (Help Age) classificar em queda livre as conexões do 40º lugar para o 87º na classificação entre 96 países. Neste quesito, o Brasil se aproximou do último lugar o Afeganistão.
É estrepitosa a fuga governamental na retribuição mínima estatal ao envelhecido. Inércia de década, que não permite ao país abrir espaço para outro e novo caminho na assistência social. Não se trata de negar favor, mas impedir retribuição justa das riquezas acumuladas.

É fato que as aposentadorias nacionais têm índice de abrangência de 86,3%, mas perversamente com fator previdenciário (redutor de valor). Além da retenção de INSS em aposentadoria. A expectativa de empregos após 60 anos mantém estável (2014), mas o maior problema nacional persiste. A saúde pública totalmente negligenciada. Dados da USP demonstram que os velhos estão vivendo mais, mas em piores condições de saúde e mais incapacitados. E, inclusive, com elevados custos nos serviços médicos e fármacos.

Hoje já se sofre uma barbaridade nas filas hospitalares e no futuro tende a ser pior. Inusitadamente o governo brasileiro não tem um planejamento assistencial, mas apenas necessidades eleitoreiras a cumprir. O IBGE estima que em 20 anos a população mundial acima de 60 anos vai triplicar. O Brasil no período vai atingir 88,6 milhões de envelhecidos. Além da taxa de fecundidade já estar caindo por decênios. Um país de anciões está avizinhado.

Tudo urge readequar o modelo da atenção com a terceira idade. Aqui abraçar política de valoração com agraciar das experiências. Não se busca atingir liderança equiparada ao bem-estar na Noruega, que tem cobertura integral de aposentadorias, altos índices de educação e empregos e muita segurança. E, também, com sistema de saúde – impecável. Mas apenas que se descruzem os braços – além dos fatores néscios e partidários.

É preciso interromper o pressentido nacional de mais vulnerabilidades aos mais fragilizados. Não se pode mais manter a antiga armadilha diabólica, que impõe fragmentar muitas famílias com extermínio dos deveres de reciprocidades familiares. E o desamparo senil como meta governamental indizível, mas praticada. O tempo político bicudo e azedo com sua prevalência na injustiça atiçada, que atinge mais significativamente aos 23,3 milhões de anciões brasileiros, tem que sofrer um abalo estrutural na construção de outra nação menos incivilizada e com uma assistência social compatível com as riquezas produzidas e acumuladas no país.

 

helcio correa gomes

Hélcio Corrêa Gomes, advogado e diretor/tesoureiro da Associação dos Advogados Trabalhista de Mato Grosso

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