PREFEITURA SANEAMENTO

Na Copa, japonês dá exemplo recolhendo o seu lixo

Após o jogo entre Japão e Costa do Marfim, no dia 14 de junho, na Arena Pernambuco, em Recife, os japoneses surpreenderam a todos com um verdadeiro ato de civilidade. Após o término da partida, eles recolheram todo o lixo que produziram durante a partida.

Após o jogo entre Japão e Costa do Marfim, no dia 14 de junho, na Arena Pernambuco, em Recife, os japoneses surpreenderam a todos com um verdadeiro ato de civilidade. Após o término da partida, eles recolheram todo o lixo que produziram durante a partida.

 

JAPONES RECOLHE LIXO

 

Copa e lixo

POR HÉLCIO CORRÊA GOMES

 

A Copa do Mundo de Futebol 2014 já tem o povo japonês como campeão mundial por antecipação.

Ao recolher os lixos nos estádios, onde sua seleção futebolística jogava, marca gol sobre gol inigualável.

Aqui não se trata de apenas educação ambientalista, mas de hábitos cívicos trabalhados em defesa dos fins maiores e sociais.

No Japão, 77% dos lixos sólidos (dados de 2012/2013) são reciclados. As garrafas e plásticos, por exemplo, têm índice de 72% (até 1995, não passavam de apenas 3%).

Latas (cervejas, refrigerantes etc.) 88% de reutilização. Enfim, mais de 52 milhões de toneladas dos lixos (maioria dos lares) chegam pré-preparados aos processos industriais.

A parte biodegradável já virou fertilizante. E o que não pode ser reciclado resta incinerado e gerando energia elétrica.

Tóquio tem bairros com reaproveitamentos dos lixos de 100%.

O Brasil recicla 3% do seu lixo sólido. 77 milhões de toneladas de lixo simplesmente desperdiçados com 58% sequer aterrado.

E se tratasse com aterros sanitários, e aqui nem se fala em outra forma mais evoluída, poderia jogar mais de 1% na demanda de energia elétrica. Poderia aumentar em até U$ 35 bilhões anuais seu PIB.

Foi o que informou o Banco Mundial apelando para que aqui não mais se jogue lixos sólidos nos lixões aos céus abertos.

Apenas 144 cidades tem aterro dentro do padrão técnico. Incrível, que ao não reaproveitar o biogás deixa de oferecer 110 mil novos empregos. Aqui a lei é promover impune o desperdício bestial.

Aterros sanitários tecnicamente no Brasil exigiriam um investimento público de até U$ 2 bilhões ao ano, mas retornáveis aos cofres públicos.

O Banco Mundial financia tal valor, mas exige a criação de programa público e prévio de recolhimento seletivo dos lixos.

Afinal, sem a separação e coleta adequada do lixo em residência o projeto nacional de tratamento do lixo fica inviável economicamente.

O governo infiel ao seu próprio reverbera apenas que o atual estágio da educação cívica nacional está muito aquém. E que tal tarefa é missão não factível. Ignora a possibilidade de trabalho comunitário a desenvolver.

Afinal, indício vem dos japoneses iniciando o recolhimento dos descartáveis e contagiando rápido a todos nos estádios, que de um modo ou outro ajudaram. Tudo contradizendo a inventada inaptidão social nacional para educação cívica.

O relatório do Banco Mundial demonstra, ainda, que a adoção das políticas mais inteligentes e cívicas nos países em fase de desenvolvimento como o Brasil, China, México e Índia etc. melhoraria a eficiência energética, gestão de lixo e política de base, inclusive, transporte público.

Além de acrescer mais valores na economia global (mais de U$ 1,8 trilhão). No Brasil um aumento de 75% do PIB nacional.

Aqui é preciso refazer conceito e redescobrir inovação antiga de combate ao social inócuo. A partir 1988 (Lei nº 9.605/98) e com alteração em 2010 (Lei nº 12.305/2010) tudo ficou, ainda, brasileiramente na costumeira inércia operacional. 85% dos municípios com lixões no aberto e com aterros improvisados.

E coletas seletivas – exceto hospitalar – parecendo coisa de outro mundo.

Traduzindo em termos de perdas nacionais, são mais R$ 8 bilhões ao ano por não utilização das coisas (reciclagens e aproveitamento mínimo do biogás de provém do lixo brasileiro).

Eis o gol maior que os japoneses trouxeram antecipadamente para Copa do Mundo.

E que a gente deveria tentar nesta década fazer sem drible governamental preguiçoso e diariamente.

 

Hélcio Corrêa Gomes é advogado em Cuiabá

 

HÉLCIO CORRÊA GOMES é advogado e diretor-tesoureiro da Associação dos Advogados Trabalhistas de Mato Grosso.

Categorias:Gente que faz

1 Comentário

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  1. - IP 177.193.133.122 - Responder

    realmente, um exemplo tocante o exemplo dado por esses japoneses. quando a gente pensa na sujeita em que vivem nossas cidades. faço tudo para que tanto eu quanto meus filhos evitemos sujar as ruas de cuiabá mas nem sempre consigo. as vezes me distraio e lá estão eles, espalhando porcaria por todo lado. o que me parece é que a prefeitura de cuiabá deveria comandar um programa de reciclagem que pudesse influenciar as pessoas a terem uma postura diferente e evitarem bancar o sujismundo

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