gonçalves cordeiro

GUSTAVO CAPILÉ: Na minha cabeça é inconcebível que o futuro de nossa cidade seja decidido por um beijo ou por um choro num quarto de hospital. Não esqueçamos: todo povo tem o governante que merece

Lúdio Cabral e Mauro Mendes, candidatos que disputam o segundo turno, em Cuiabá

Voto triste
por GUSTAVO CAPILÉ

Hoje é para ser um dia feliz: o dia em que vamos escolher o nosso prefeito. Porém, confesso que não é este o sentimento que estou carregando comigo. Nos últimos dias, em que deveríamos celebrar com discussões de propostas e ideias os rumos da nossa cidade, fomos brindados com um circo de horrores.

Nas últimas horas, factoides produzidos pelos marketings das duas campanhas é que tendem a decidir a mais disputada eleição da prefeitura de Cuiabá dos últimos tempos. Ao invés de escolhermos nosso governante por suas virtudes em como conduzir a coisa pública, o faremos pelo simples fato de que um soube sobrepor o outro em artimanhas preparadas por especialistas, que utilizam pesquisas de opinião, para que o candidato fale e faça exatamente o que a população quer ouvir e ver do seu escolhido.

O que conheço do Lúdio Cabral e do Mauro Mendes me faz crer que eles são bem melhores que o espetáculo produzido para elegê-los. Ao analisarmos o que foi dito e feito, ao longo da campanha, não há muita diferença entre eles. Daí a melhor explicação para a disputa ser tão parelha nesta reta final.

No quesito propostas, ambos conhecem bem os problemas da cidade e, de forma genérica, apresentam soluções. O problema é que na ânsia de produzir o melhor programa eleitoral para o público eleitor eles desfilam uma série de promessas que, convenhamos, não será cumprida por nenhum dos dois.

Ao pularmos para os apoiadores políticos dos candidatos, também não há muita diferença ente eles. Nos dois palanques há pessoas que são escondidas e outras que são expostas como modelo. Novamente o marketing entra em ação e tenta promover as virtudes dos que apoiam o candidato e os defeitos do que estão com o adversário. Neste quesito ninguém vai conseguir unanimidade.

Infelizmente, até no último ponto desta minha triste e simples análise, os dois candidatos estão empatados: o da baixaria. Na minha cabeça é inconcebível que o futuro de nossa cidade seja decidido por um beijo ou por um choro num quarto de hospital. É isso que Cuiabá merece? Quero crer que não.

Sempre defendi neste espaço que devemos fazer a nossa escolha e não nos omitir neste momento. Já disse que respeito quem vota em branco, mas sou pragmático demais para protestar desta maneira. Se eu não escolher, alguém escolherá por mim – e aí, sim, terei que me conformar com o que vier.

Portanto, mesmo aborrecidos com esta disputa eleitoral, não deixem de votar. E, o mais importante, amanhã quando o sol raiar, anunciando um novo dia, levantemos com o espírito renovado para cobrar daquele em que depositamos as nossa esperanças – quer ele seja o prefeito eleito ou o futuro líder de uma saudável oposição – para a construção de uma cidade melhor, mais digna e com moradores capazes de elegerem homens de bem para seus cargos públicos. Não esqueçamos: todo povo tem o governante que merece e nós não somos diferentes.

GUSTAVO CAPILÉ é diretor de redação do DIÁRIO DE CUIABÁ

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GAZETA DADOS
Pesquisa aponta empate em Cuiabá
Sissy Cambuim, especial para o GD

Empate entre os candidatos à Prefeitura de Cuiabá, Lúdio Cabral (PT) e Mauro Mendes (PSB), aponta disputa acirrada nas urnas hoje. Na quarta e última rodada de pesquisa do Instituto Gazeta Dados, os adversários aparecem na mesma faixa de intenção de votos com uma discreta vantagem de 0,52 ponto percentual para o candidato do PSB na simulação dos votos válidos, onde Mendes teria 50,26% do eleitorado, contra 49,74% de Lúdio.

Com margem de erro de 4 pontos para cima ou para baixo, o empresário pode variar nas urnas entre 46,26% e 54,26%. Para Lúdio, a amostragem aponta margem de 45,74% a 53,74%. O quadro mostra uma das eleições mais concorridas nos últimos anos para a Prefeitura de Cuiabá.

Na pesquisa estimulada, 47,70% dos entrevistados afirmam que votarão em Mendes, enquanto 47,20% são eleitores do petista.
A poucas horas do pleito, o número de indecisos diminui e agora apenas 2,26% ainda não sabem em quem votar. Votos brancos e nulos representam 2,84% dos entrevistados pelo instituto. Já na pesquisa espontânea, o empresário aumenta ligeiramente a frente sobre o petista, com uma distância de 0,83 ponto percentual. Mendes foi citado por 46,28% dos eleitores e, Lúdio, por 45,45%.Nesta modalidade, os indecisos foram 5,01% e opções por votos brancos e nulos aumentaram para 3,26%.

Fidelidade do eleitor

Com queda no número de indecisos e um quadro de indefinição, sustentado por empate técnico, uma das ferramentas para garantir a vitória é assegurar a fidelidade do eleitor. Nem todos estão convictos de que manterão sua opinião nas urnas. Apesar da convicção estar crescendo, 8% do público pesquisado admite que pode trocar de candidato até a hora de votar.
De acordo com 88% dos entrevistados, a escolha é irrevogável. O número é 3% maior que na pesquisa anterior. No levantamento realizado em 20 de outubro, 83% garantiram fidelidade ao seu candidato, 4 dias depois, foram 85%.

No entanto, ao passo que aumenta o número de fiéis, aqueles que podem mudar o voto permanecem na mesma faixa. A única oscilação foi no levantamento de 24 de outubro, apontando 7% que admitiam mudança de escolha. A diferença aparece entre os que ainda não sabem se podem ou não trocar seu voto. Os eleitores que fizeram essa afirmação partiram de 9%, passaram a 8% e agora são 4%.

Entre os eleitores de Mendes, 91% garantem estar totalmente decididos, mas 7% ainda admitem a possibilidade de troca, enquanto outros 2% não sabem.Para Lúdio, o cenário é similar, mas o petista conta com 90% de fiéis e replica os mesmos 7% de incertos e 2% indecisos.

A dança dos números na eleição

Durante o 2º turno, o Instituto Gazeta Dados foi às ruas 4 vezes para conferir a opinião do eleitor e o que se constatou foi a mudança de cenário a cada levantamento. Lúdio abriu com vantagem de 6 pontos percentuais sobre Mendes. Na primeira rodada, o petista contabilizava 47% das intenções, contra 41% de seu adversário.

Em menos de uma semana, o empresário virou o jogo e assumiu a dianteira de um empate técnico, com crescimento de 5 pontos percentuais, ele emplacou 46% do eleitorado, ficando 2 pontos a frente de Lúdio, com 44% e queda de 3%. Quatro dias depois o cenário mudou novamente, repetindo o placar de 46% a 44%, mas desta vez favorável ao petista. Agora, a poucas horas da eleição, o empate fica mais evidente, com crescimento de ambos dentro da margem de erro chegando à faixa dos 47% das intenções.

Logo após o 1º turno, a busca pelo voto dos indecisos, cuja quantidade sempre foi superior à diferença entre os adversários, poderia desempatar o quadro. No início do 2º turno, 9% dos entrevistados ainda não tinham escolhido um candidato, a queda foi ligeira, passando a 8% e depois 7% e só se acentuou nesta última rodada, com 2,26%.

Os eleitores que se mostraram mais decididos são aqueles que pretendem anular o voto. As opções por brancos e nulos mantiveram-se na mesma faixa de intenções durante os 4 levantamentos, com variação máxima de um ponto percentual, quando saiu de 3% para 2%, finalizando com os atuais 2,84%.

Pesquisa e eleitorado

O método Survey, utilizado pelo Instituto Gazeta Dados durante as rodadas de pesquisa, combina a aplicação de um questionário padronizado para uma amostra representativa do eleitorado, de acordo com os dados populacionais e eleitorais.

Os pesquisadores entrevistaram eleitores de diversas classes sociais, todas as faixas etárias e com diferentes níveis de escolaridade. A divisão entre os sexos acompanha estimativa do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Foram ouvidos 52% de mulheres e o restante homens. Eleitores com renda familiar de até 5 salários mínimos mensais são maioria no levantamento e tiveram 73% de participação, já os que contam com rendimento entre 5 e 10 salários foram 17% e os que ganham mais de R$ 6,220 mil por mês são 10% do público pesquisado.

A maior participação é daqueles que já têm mais de 45 anos, que representam 30% dos entrevistados. Essa faixa abrange os que têm mais de 70, para quem o voto é facultativo. A composição do público entrevistado ainda contou com 28% de eleitores com idade entre 25 e 34 e a faixa etária dos 35 aos 44 teve 21% de participação, igual o grupo com idade acima de 16 e até 24, sendo que parte deles pode votar ou não, sendo aqueles que ainda não completaram 18 anos.

Em relação à escolaridade, 43% dos entrevistados possuem ensino médio completo ou não. Com ensino fundamental são 28% que chegaram até o 9º ano e 11% que só frequentaram até a 4ª série. Chegaram ao nível superior 16% das pessoas ouvidas e 2% afirmaram que nunca estudaram. Aos analfabetos, o voto também é facultativo. Ao todo, foram colhidas 800 entrevistas em mais de 200 bairros das 4 regiões de Cuiabá. Nas regiões leste e sul, foram realizadas 28% das entrevistas em cada, outros 24% de eleitores são moradores da região oeste e os moradores da zona norte são os que têm menor participação, 20%.

As entrevistas foram realizadas neste sábado  (27) e a pesquisa está registrada junto à Justiça Eleitoral sob o número 00702/2012.

1 Comentário

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  1. - Responder

    A HUMILDADE E O BEIJO ,VENCERA O CHORO E O RANGER DE DENTES DOS ARROGANTES.

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