Maluf, político de segunda linha, passa a comandar Assembleia de Mato Grosso

Nininho e Guilherme Maluf: o que eles farão do poder, na Assembleia? Foto Widson Maradona

Nininho e Guilherme Maluf: o que eles farão do poder, na Assembleia? Foto Widson Maradona

 

 

Há alguma esperança de que a Assembleia Legislativa de Mato Grosso, que neste domingo, 1º de fevereiro, elegeu o deputado estadual Guilherme Maluf (PSDB) como seu presidente, possa deixar para trás e enterrar para sempre o período de escândalos de corrupção e centralização personalística do poder que marcaram a longa e triste Era Riva?

É evidente que sim. Eu diria que Guilherme Maluf (PSDB), um político de segunda linha, que tem atuado sempre sem destaque e apenas compondo a cena política do Estado, como figura apagada e secundária, tem agora a chance histórica de se firmar como um pólo em relação ao governador Pedro Taques (PDT), político de ego inflado e que, como todo mundo já percebeu, gostaria de governar Mato Grosso sozinho, concentrando em si mesmo todos os poderes.

Mas no episódio da atual mesa diretora da Assembleia, Pedro Taques sai de asa quebrada, exposto às bocas de matildes pelas revelações nada honrosas de um dos seus parceiros de primeira hora, o deputado estadual Zeca Viana (PDT), que tem denunciado, nesses últimos dias, que tanto o governador boquirroto quanto o seu primo, o secretário chefe da Casa Civil Paulo Taques teriam usado e abusado da distribuição de benesses para os parlamentares, tais como a distribuição de cargos nas mais diferentes autaquias do Estado, para garantir um maior controle sobre a atuação do parlamanento estadual

Pelo que diz Zeca Viana, Pedro e Paulo Taques teriam jogado todas as fichas do poder  Executivo para montar essa chapa comandada por Guilherme Maluf, que surgiria, então, como candidato a funcionar como um grande marionete do governador incrustado na Mesa da Assembleia.

Ora, como presidente da Assembleia, detentor de um poder e de um orçamento monumental, só Guilherme Maluf para dizer se vai ou não fazer com que o nosso parlamento funcione como um mero “puxadinho” do Paiaguás, como sugere Zeca Viana que, até há poucos meses, era o único interlocutor do Pedro Taques dentro da Assembleia, no tempo em que Guilherme Maluf preferia atuar como caititu de José Geraldo Riva, o deputado estadual mais processado por corrupção de toda a historia do parlamento mato-grossense e hoje jogado ao limbo graças à providencial intervenção da Justiça Eleitoral mato-grossense e brasileira.

O ano legislativo está só começando. Agora é torcer para que, ao invés de mais patifarias, como Zeca Viana disse que aconteceram muitas neste processo de escolha da Mesa, tenhamos um legislativo que saiba recompor sua imagem diante da parcela mais atenta da nossa população. Sim, porque sabemos que também existe uma parcela menos atenta da população que, a exemplo dos caititus de outrora, gosta mesmo é do escracho.

 

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Confira na íntegra o discurso de posse do presidente eleito, deputado estadual Guilherme Maluf: 

 

Senhores deputados, senhora deputada, é com emoção e orgulho que agradeço a cada um de vocês o voto de confiança que acabo de receber. No comando desta Casa que, sabemos, é a Casa do Cidadão, não os decepcionarei – nem ao povo de Cuiabá, minha terra natal, e de todos os municípios mato-grossenses.

Cada um dos senhores representa aqui uma parcela do povo deste estado, e suas principais aspirações. Este mesmo povo que se manifestou nas urnas e nas ruas e exige mudanças no trato da coisa pública.

Mato Grosso disse em alto bom som que quer mudanças profundas em suas estruturas e em suas instituições, e a Assembleia Legislativa não ficará à margem desse processo, muito menos será obstáculo à sua consecução.

A redução dos gastos públicos e o aumento da eficiência são, aliás, compromissos que devem ser assumidos integralmente por todos os Poderes.

Sintonizados com este clamor, vamos implementar um novo modelo de gestão no Parlamento, com redução de gastos, adequação dos recursos humanos às reais necessidades e a reaproximação do Poder Legislativo com a sociedade que representa.

O Poder Legislativo deve estar preparado para acolher críticas, meditar sobre elas e responder a elas. O deputado estadual exerce um papel fundamental para que o Estado cumpra seu fim, que é a harmonia e o bem-estar social.

Muito além das funções constitucionais, esta Casa deve ser também um eixo propulsor do desenvolvimento do estado e da melhoria da qualidade
de vida de todos.

Por isso nossas portas estarão sempre abertas para abrigar os debates e embates que estão na essência do ambiente democrático. Afinal, é aqui que deságuam as grandes reivindicações da comunidade, é aqui que todos se socorrem quando vêem suas necessidades adiadas ou seus direitos negados.

O nosso compromisso maior é com os resultados que vão melhorar a qualidade de vida de mais de 3 milhões de mato-grossenses. E sabemos que estes resultados têm que vir com celeridade.

Esta Assembleia tem tido um papel acentuado de intermediação junto ao Executivo para atendimento das necessidades da sociedade na educação, na saúde, segurança, infraestrutura e geração de emprego e renda, entre outras.

Em nome do interesse do cidadão, vamos trabalhar em harmonia com os Poderes e instituições da sociedade civil, assegurando a governa bilidade que tanto interessa ao cidadão.

Esta harmonia não pode ser confundida com subserviência ou submissão ao Executivo. Ao iniciar meu quarto mandato parlamentar, o terceiro consecutivo nesta Casa,  estou certo de que a independência do Legislativo é uma cláusula pétrea e deve nortear nossas atividades.

Vamos cumprir integralmente nossa missão de representar a sociedade, legislando em seu nome e fiscalizando todas as ações governamentais, com o valoroso apoio do Tribunal de Contas do Estado.

Para refletir a diversidade de posicionamentos que caracterizam a sociedade, procuramos montar uma Mesa Diretora pluripartidária e multiregional, com espaço para as diferentes tendências e linhas de pensamento.

Ao longo do processo eleitoral interno, em nenhum momento traí compromissos assumidos e procurei desde o início harmonizar todas as forças que compõem este parlamento. Este colegiado cuidará não só da gestão da Casa, mas debaterá também questões relevantes para assegurar absoluta transparência e oportunidades iguais a todos os parlamentares, como a alternância de poder, por exemplo.

A função que agora começo a exercer exige, como poucas, o diálogo e a compreensão precisa de todos os pontos de vista sobre as matérias que aqui serão tratadas.

Para atingir esse objetivo, vamos ampliar os mecanismos democráticos internos, fortalecendo o mandato de todos os Deputados e as prerrogativas das lideranças partidárias, da liderança do Governo e das bancadas.

Cada um dos membros da mesa Diretora compartilhará conosco as decisões, assumindo novas funções que darão mais agilidade aos serviços prestados ao cidadão.

Com o apoio fundamental do corpo técnico desta Casa, vamos aperfeiçoar a elaboração e tramitação dos projetos, reduzindo a ocorrência de erros e inconstitucionalidades.

Vamos melhorar a Comunicação com a sociedade, fortalecendo e aperfeiçoando o trabalho da Secom, da TV Assembleia e da Rádio
Assembleia, que inauguraremos em fevereiro.

Vamos fortalecer também o trabalho da Ouvidoria, Escola do Legislativo, Instituto Memória e Espaço Cidadania, que prestam relevantes serviços à comunidade. Vamos investir também na promoção e valorização da nossa cultura e das nossas valiosas manifestações artísticas.

O Poder Legislativo está preparado para iniciar os grandes debates que as reformas cobradas pelo cidadão exigem. Este Parlamento terá certamente um papel de protagonista, como centro produtor e debatedor de teses que interessam a toda a sociedade.

Na honrosa missão que me foi dada, quero contribuir para devolver ao Parlamento o lugar que lhe cabe na arquitetura institucional, fortalecendo e consolidando a democracia e o sistema representativo. A Assembleia que começamos a reconstruir é um parlamento ativo, eficiente, independente, autônomo, livre e soberano.

Uma instituição que, fortalecida em suas prerrogativas constitucionais, oriente seu olhar para o cidadão brasileiro que construiu este estado, para resgatar a grande dívida social que tanto aflige nossa população.

Um Poder independente que, em harmonia com os demais, está determinado a promover as transformações necessárias a este grande e promissor Mato Grosso.

E os desafios já estão colocados. Vamos criar três comissões especiais para atuar de forma contundente na busca de respostas e soluções para tema urgentes.

Uma comissão vai promover um estudo detalhado que norteie um novo quadro funcional, mais enxuto, porém eficaz. Outra para debater a real aplicação dos recursos do Fethab e uma comissão especial para rediscutir a política de incentivos fiscais praticada no Estado.

Nosso compromisso é com o povo, e o povo exige transparência. Nossa gestão vai prestar contas de todas as ações, gastos, listas de servidores.
Tudo será divulgado rotineiramente e de forma clara para que o cidadão tenha facilidade para acompanhar e fiscalizar a Assembleia.

Ao longo da minha vida, enfrentei desafios na profissão de médico e na atuação como empresário. Me sinto preparado para enfrentar este novo e grande desafio, do qual dependerão muitas conquistas para o cidadão mato-grossense.

Estou consciente das dificuldades que enfrentaremos neste processo de recondução do desenvolvimento do estado e do resgate da credibilidade das instituições.

Aos servidores efetivos e comissionados, minha mensagem é de absoluta confiança no importantíssimo trabalho que executam. Ajudem-nos a construir um parlamento melhor.

Não tenho certeza e o mestre Francisco Monteiro pode me corrigir, mas acho que pela primeira vez na história, esta casa será presidida por um servidor concursado. Ingressei aqui nesta Assembleia como médico e mesmo licenciado tenho orgulho de ter prestado meus serviços profissionais neste parlamento.

Meu último agradecimento vai para o sustentáculo de todo o meu trabalho e da minha vida, a minha família.

Desde que eu entrei nessa Casa eu escuto que o parlamento  existe em função dos 24 deputados. Agora, nessa nova Assembleia Legislativa, vamos trabalhar unidos, todos os 24 deputados, para implementar as mudanças que precisam ser feitas em nome do cidadão.

Que todos façamos um bom trabalho, pois o povo de Mato Grosso precisa e merece. Muito obrigado a todos e que Deus nos proteja e ilumine.

Categorias:Jogo do Poder

7 Comentários

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  1. - IP 179.217.107.118 - Responder

    Ah tá. A dilminha pode , o lulesco pode e Pedro Taques não pode ….sei….melhor seria mesmo se Pedro Taques mandasse sozinho no executivo e no legislaltivo…pelo menos é um constitucionalista, conhece o direito, sabe muito bem o que e certo e errado…quanto aos senhores parlamentares…tiririca é o meu preferido, pelo menos tem algum talento, não exatamente para a atividade legislativa, mas….quem tem?

  2. - IP 177.193.129.183 - Responder

    Corromper e confinar parlamentares em troca de votos para eleição de algum sabugo à presidente da Mesa Diretora da Assembléia Legislativa é coisa corriqueira e normal em Mato Grosso. Há deputados tão mercenários que negociam o voto tanto a favor quanto contrário. Estranho é ver Pedro Taques mandar para as calendas seu discurso moralizador em menos de 30 dias de governo. Ele atuou exatamente igual a seus antecessores. A máquina do governo foi usada sem pudor para cooptar deputados ávidos para serem cooptados. Verdadeira simbiose da canalhice. Pedro Taques prometeu mudança. Hoje, sabemos que a mudança se restringe a troca de carrasco. A chibata continua sendo acoitada no lombo do povo. E como tudo que começa mal tende a terminar pior ainda, para mim o governo Taques já chegou ao fim e de forma melancólica.

  3. - IP 189.73.252.137 - Responder

    E por falar em Guilherme Maluf… ele devolveu os salários recebidos indevidamente da Prefeitura de Várzea Grande quando na condição de médico recebeu sem trabalhar? Eis aqui uma pergunta que somente Maluf pode responder.

  4. - IP 189.73.252.137 - Responder

    E Pedro Taques admite um aliado dessa envergadura? Discurso é discurso… e da dura realidade da política de Mato Grosso nem Taques e sua soberba escapam…

  5. - IP 189.59.69.195 - Responder

    Quando falam desse Maluf, me lembro do tempo em que ele foi secretário de Saúde de Cuiabá. Alguém se lembra da famosa frase que o Wilson Santos teria dito sobre o seu então secretário?

  6. - IP 177.221.96.140 - Responder

    Se essa esquerdotralha que assombra a área de comentários deste blog acha que o Pedro Taques agiu mal, quem dirá o que a Dilmala fez para ganhar as eleições na Câmara Federal.

    E ainda por cima o candidato dela perdeu.

  7. - IP 189.59.62.230 - Responder

    e por falar em Guilherme Maluf, começaram as apostas para ver se ele tem peito para se desfazer da “herança” deixada por Riva na AL: comissionados e puxa-sacos encostados em altos cargos comissionados, ganhando, além de salários de marajá, a tal verba indenizatória…estamos pagando, e caro, pra ver!!!!

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