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GREVE NA POLICIA CIVIL: Contra a truculência do governador Pedro Taques (PDT) que usurpou a competência do Poder Judiciário e decidiu, com um simples decreto, tentar suspender a validade da Lei que fixou o pagamento de reajuste de 5% para as categorias em janeiro de 2015, escrivães de Policia vão à greve; investigadores resolveram esperar por decisão de mandado de segurança, enquanto fortalecem sua mobilização

Em assembleia na tarde desta segunda-feira, escrivães de Policia deflagraram a primeira greve de servidores públicos contra Pedro Taques, apontando a truculência jurídica do governador. Foto Hegla Oleiniczak, PAGINA DO E

Em assembleia na tarde desta segunda-feira, escrivães de Policia deflagraram a primeira greve de servidores públicos contra Pedro Taques, apontando a truculência jurídica do governador. Foto Hegla Oleiniczak, PAGINA DO E

 

 

A truculência do governador Pedro Taques em face dos servidores públicos estaduais terá sua primeira resposta nos próximos dias. Em assembleia nesta segunda (2), a categoria dos escrivães da Polícia Civil, cujo sindicato é comandado pela sindicalista Genima Evangelista, aprovou proposta de Greve Geral como resposta à decisão do governador Pedro Taques que, usurpando a competência do Poder Legislativo, resolveu decretar como inválido o reajuste de 5% para a categoria fixado pela Lei Complementar 540 de julho de 2014. Já os investigadores de Polícia, que se agregam em torno do Siagespoc, presidido pelo sindicalista Cledison Gonçalves, resolveram continuar fortalecendo a mobilização da categoria enquanto aguardam pela decisão da Justiça em mandado de segurança que será impetrado nas próximas horas e mantém negociação com o Governo no Estado.

As deliberações começaram de forma conjunta, em plenária realizada na sede do Siagespoc, no CPA. A revolta dos policiais civis contra o posicionamento de Pedro Taques ficou evidente. Um policial chegou a comparar o governador com os nazistas, dizendo que ele é o Hitler que a categoria vai ter que vencer. Outro manifestante reclamou que o governo de Pedro Taques trata os policiais de Mato Grosso como “biscates”, defendendo a urgência da greve unificada dos policiais.

No informe para a categoria, os sindicalistas que sentaram com Paulo Taques, chefe da Casa Civil, com Mauro Zaque, secretario de Segurança Pública e Júlio Modesto, secretário de Gestão para negociar, na semana passada, disseram que a posição do governo de Pedro Taques contra os servidores é evidente. “Pretensamente escorados na Lei de Responsabilidade Fiscal, eles querem anular os reajustes concedidos agora para o início do ano e também para maio”, informou Cledison Gonçalves.

Ficou evidente que a truculência do governador pegou os policiais no contra-pé de seu movimento, entendendo que é muito cedo para um confronto que exigirá, certamente, muitos sacrifícios. Algumas representações do interior enviaram recomendação para a assembleia defendendo a continuidade das negociações, via Siagespoc. As manifestações do interior, via Sindepojuc, foram pela paralisação imediata.

Para os investigadores presentes, de pouco adiantou, todavia, o enérgico discurso do assessor jurídico do Sindicato, Carlos Frederik,  que defendeu que o governador Pedro Taques seja duro com a bandidagem não com os policiais civis que tem, justamente, a responsabilidade de enfrentar essa bandidagem. Ele garantiu que o governador está agindo de forma ilegal, usurpando a competência do Poder Judiciário, e tentando revogar com uma canetada uma Lei que é plenamente válida, a Lei Complementar 540, de julho de 12014, que estabeleceu o reajuste salarial de 5% para os policiais civis. “Pedro Taques é um bom exemplo do discurso que não se concretiza na prática”, garantiu o advogado. “Nesse processo quem é réu é o Pedro Taques”, acrescentou. Frederik, todavia, avalia que é dificil conseguir uma liminar no Poder Judiciário de Mato Grosso e que sua maior confiança está no julgamento do mérito.

Diversos investigadores defenderam uma paralisação de advertência de 24 horas, mas a proposta acabou não sendo submetida a votação. O plenário com maioria de investigadores teve que decidir diretamente se ia à greve geral ou se insistia numa negociação a ser efetivada através de comissão a presidida pelo secretário de Segurança, Mauro Zaque, acatando uma proposta da Casa Civil.

Essa decisão acabou não agradando aos escrivães que, em assembleia que se seguiu à unificada, decidiram pela greve geral. A categoria irá cumprir o prazo legal de 72 horas para notificação do Governo do Estado, e depois disso, vão cruzar os braços. Na próxima sexta-feira, dia 6, no período da tarde, fazem novo assembleia para definir um calendário de mobilizações pelo cumprimento da Lei 540, já com a categoria paralisada. Para a sindicalista Genima Evangelista, a atitude do governador é inaceitável, tanto que, além da greve, a categoria também ingressou com mandado de segurança contra a pretensa suspensão da validade da Lei. Ele e seus companheiros avaliam que essa será uma greve difícil e, por isso, a unidade de todos os escrivães é fundamental. “O Sindicato não faz a luta sozinho, vamos precisar de casa um para vencer mais esta batalha. Me lembro que na última paralisação que fizemos eu estava grávida e foi uma luta muito dura”, contou.

 

 

O sindicalista Cledison Gonçalves comandou a assembleia unificada, que acabou com decisões divergentes. Investigadores de Polícia resolveram não fazer greve agora

O sindicalista Cledison Gonçalves comandou a assembleia unificada, que acabou com decisões divergentes. Investigadores de Polícia resolveram não fazer greve agora

 

Na Assembleia, com muitos pronunciamentos de revolta contra a atitude do governador, policiais civis mandaram um recado para Pedro Taques, que apareceu estampado em algumas camisetas

Na Assembleia, com muitos pronunciamentos de revolta contra a atitude do governador, policiais civis mandaram um recado para Pedro Taques, que apareceu estampado em algumas camisetas

Categorias:Cidadania

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