GRANDES, COMO ERAM GRANDES: Literatura perde Günter Grass, escritor alemão, de “O Tambor” e Eduardo Galeano, uruguaio, de “Veias Abertas da América Latina”. As mortes de dois dos mais respeitados escritores contemporâneos foram anunciadas hoje. Grass morreu aos 87 anos. Galeano tinha 74 anos

O uruguaio Eduardo Galeano, à esquerda, e o alemão Günter Grass, à direita

O uruguaio Eduardo Galeano, à esquerda, e o alemão Günter Grass, à direita

 

Manhã de tristeza para a literatura mundial. Dois dos mais renomados e respeitados escritores contemporâneos morreram nesta segunda-feira. O alemão Günter Grass, Prêmio Nobel de Literatura e autor de obras como “O Tambor”, faleceu aos 87 anos, anunciou sua editora no Twitter. O site da editora publicou várias fotografias em preto e branco do escritor com sua imagem “clássica”: bigode espesso, cachimbo aceso e óculos sobre o nariz. Em Montevidéu, no Uruguai, foi anunciada a morte, aos 74 anos, do escritor, jornalista e ensaista Eduardo Galeano. Ao longo da carreira, Galeano escreveu mais de 40 livros, traduzidas para diversos idiomas.

Os dois autores eram de esquerda. Polêmico, homem que nunca deixou de confrontar o passado nazista da Alemanha, Grass foi o escritor alemão mais conhecido no exterior na segunda metade do século XX. O porta-voz do ministério das Relações Exteriores afirmou em uma entrevista coletiva que as autoridades alemãs estão “profundamente afetadas” com a notícia “trágica”. O escritor britânico Salman Rushdie expressou no Twitter sua “tristeza”. Era “um verdadeiro gigante, um inspirador, um amigo”.

“Toca o tambor por ele, pequeno Oskar”, escreveu, em referência ao herói de “O Tambor”, um sucesso mundial que foi adaptado para o cinema por Volker Schloendorff e premiado com a Palma de Ouro em Cannes e o Oscar de filme em língua estrangeira. Quando a obra foi publicada em 1959, a revista Der Spiegel escreveu: “Deu origem, em um livro, à literatura alemã do pós-guerra”.

“Sem as intervenções incessantes de Grass no debate público, a Alemanha seria outra Alemanha”, completou a publicação. Entre suas obras, escritas em uma linguagem exuberante, mas precisa, repletas de fantasia e de ironia, estão “A Ratazana”, “Passo de Caranguejo”, “Meu Século” e “Um Campo Vasto” (que provocou grande polêmica na Alemanha).
Grass nasceu em 16 de outubro de 1927 em Dantzig, que mudou de nome para Gdansk, na atual Polônia. Ele era filho de uma mãe que pertencia à minoria eslava da Prússia e de um pai alemão. Um livro de condolências será aberto na casa de Grass, em Lübeck.

Galeano ganhou reconhecimento internacional pela obra de 1971 “As veias abertas da América Latina”, na qual denunciou a opressão no continente e que foi oferecida por Hugo Chaves a Barack Obama durante um encontro entre os dois líderes de Estado. Sobre o livro, Galeano comentou: “não me sinto mais ligado a esse livro como era. Quando escrevi, tinha 19, 20 anos. As veias abertas da América Latina tinha de ser um livro de economia política mas eu não tinha o conhecimento necessário para isso. A realidade mudou muito e eu também mudei”. Questionado se Obama seria capaz de entender As veias abertas, ele respondeu: “nem Chavez nem Obama”. O livro, um ensaio sobre o efeito da colonização e da hegemonia americana sobre o continente publicado em 1971, se tornou um clássico entre a esquerda do continente.

Em agosto do ano passado, Galeano participou da II Bienal Brasil do Livro e da Leitura de Brasília, quando fez a palestra que abriu a mostra. Na ocasião, ele falou sobre futebol e ditaduras na América Latina, disse que os especialistas no esporte são perigosos para a sociedade e que os times do continente foram sequestrados pelos interesses econômicos da indústria da bola. “Os clubes foram sequestrados pelos dirigentes, pela política. Mas está surgindo esse movimento de recuperação dos clubes para que voltem a ser o que eles querem ser: um conjunto de pessoas ligadas por um amor a uma camiseta e não por interesses econômicos”, declarou.

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