GRANDE, COMO ERA GRANDE – Vítima do câncer, morre aos 83 a cantora e apresentadora Hebe Camargo, uma das artistas mais admiradas do Brasil. Ela era malufista – mas nunca deixou de ser uma gracinha.

Morreu Hebe Camargo e o Brasil certamente perdeu uma de suas eternas musas. A tristeza se abate não só sobre seus parentes e amigos mais chegados, como também sobre grande parte do povo brasileiro. Hebe era uma gargalhada sonora na televisão. Hebe era sempre espontânea, alegre, incontrolável – e sempre humilde, apesar da enormidade de sua fama, de sua posição de grande estrela da televisão.

Um amigo me lembra: Hebe era malufista, assumiu sempre posições políticas horrorosas, de combate ao PT e à esquerda. E dai? Nessas horas, eu discordava dela, escrevia contra ela, participava daquela disputa de posições ideológicas mas, como quase todos os brasileiros, nunca deixei de me render ao carisma dessa apresentadora de fala fácil, que dominava completamente a cena, quando ocupava a telinha da televisão.

E se Hebe foi malufista sempre, o Lula e o PT, em São Paulo, são malufistas hoje e nem por isso a Terra deixa de girar, o Sol deixa de ser erguer a cada manhã e a gente continua acreditando que pode construir uma vida de fraternidade neste mundo, onde posições contrárias, no espectro da política possam conviver em criativo conflito, na linha preconizada por Rosa Luxembergo que apontava esse enfrentamento como essencial ao processo de construção do socialismo.

O acordo com o malufismo nas atuais eleições paulistas parece que dará ao PT a chance de enterrar José Serra, eleitoralmente, alterando substancialmente o jogo político brasileiro. Como diria Hebe Camargo: isso não é uma gracinha?

Eu sempre me senti particularmente tocado ouvindo Hebe Camargo cantar. Na voz dela, “Nada além”, aquela canção de Mário Lago e Custódio Mesquita sempre me pareceu perfeita. Enquanto eu viver, gostaria de ter ainda muitas oportunidades de parar para ouvir Hebe Camargo cantar esta canção. (Enock Cavalcanti)

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