GRANDE, COMO ERA GRANDE: “Os outubros de Taiguara — Um artista contra a ditadura: música, censura e exílio”, livro da jornalista Janes Rocha que a gravadora Kuarup lança no dia 9 de outubro, quando ele completaria 69 anos, marcam um revival do cantor e compositor. O pacote de homenagens inclui a reedição em vinil do álbum “Imyra, Tayra, Ipy” (retirado das lojas pela Censura na época de seu lançamento, em 1976, e lançado em CD em 2013) e o álbum “Ele vive”, com canções inéditas de Taigura recuperadas de fitas cassete do artista

CD com inéditas e livro jogam nova luz sobre Taiguara

Um dos mais perseguidos pela Censura, músico caiu no esquecimento

 Gravado por Erasmo carlos, Cauby peixoto e Agnaldo Timóteo, Taiguara é autor de canções populares, como “Hoje” e “Universo no teu corpo” Foto: Divulgação
Gravado por Erasmo carlos, Cauby peixoto e Agnaldo Timóteo, Taiguara é autor de canções populares, como “Hoje” e “Universo no teu corpo” – Divulgação

RIO – Taiguara foi um autor de canções realmente populares, como “Hoje” e “Universo no teu corpo”. O alcance de sua obra foi ampliado em gravações de artistas de diferentes vertentes, como Erasmo Carlos, Cauby Peixoto, Nasi, Agnaldo Timóteo e Fernando Mendes. Teve um forte engajamento político durante a ditadura — postura que, para muitos, se converteu em popularidade ou, no mínimo, pontos positivos entre a intelligentzia. Por que, então, a memória que ficou do compositor é a de uma espécie de one-hit wonder que entrou numa espiral de decadência até morrer esquecido, em 1996?

Não existe uma resposta simples, mas alguns dos caminhos para se entender o que aconteceu com o compositor estão em “Os outubros de Taiguara — Um artista contra a ditadura: música, censura e exílio”, livro da jornalista Janes Rocha que a gravadora Kuarup lança no dia 9 de outubro, quando ele completaria 69 anos. O pacote de homenagens inclui a reedição em vinil do álbum “Imyra, Tayra, Ipy” (retirado das lojas pela Censura na época de seu lançamento, em 1976, e lançado em CD em 2013) e o álbum “Ele vive”, com canções inéditas recuperadas de fitas cassete do artista.

Uma das chaves para se tocar nas razões do esquecimento que paira sobre Taiguara está já no prefácio de João Gabriel de Lima: “Percebido como romântico quando todos eram políticos, e tido como excessivamente político quando todos tentavam ser ‘pop’, Taiguara foi o cara errado nos momentos errados”. Ou seja, Taiguara nunca teria sido visto como “da turma”. Seu radicalismo — não usar jeans, não beber Coca-Cola, não gravar em multinacionais, se afastar da TV, fazer longos discursos políticos em shows — fez mais do que afastá-lo do público. Seu comportamento — e suas letras, é claro, tanto por questões políticas como morais, ligadas a sexo e drogas — foi o responsável por atrair sobre ele a atenção dos censores. Essa vigilância do Estado sobre o artista é a espinha dorsal de “Os outubros de Taiguara”.

— Alcides Ferreira (presidente da Kuarup, que hoje é responsável pela curadoria da obra do artista) me contratou para fazer uma pesquisa sobre as músicas censuradas do Taiguara — conta Janes Rocha. — Acabei levantando que, das 140 músicas dele apresentadas à Censura, 48 foram vetadas. Somando os dois discos que foram inteiramente proibidos depois de lançados (“Imyra, Tayra, Ipy” e “Let the children hear the music”, gravado em Londres) e as anotações pessoais dele, chegamos ao número de 81 canções proibidas. Ou seja, ele possivelmente foi o compositor mais perseguido da ditadura.

A trajetória incomum de Taiguara inclui uma amizade com Luís Carlos Prestes, para quem compôs algumas canções, entre elas a inédita “Ele vive”, lançada agora; e um autoexílio na Tanzânia — viagem que mesclava razões políticas (o destino foi indicação de Paulo Freire) e pessoais (“Teve um sentido de buscar as raízes para ele, neto de um negro com uma índia”, explica Janes).

 

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