gonçalves cordeiro

GRANDE, COMO ERA GRANDE: Padre Raimundo Pombo, educador e militante político que se destacou na luta pela redemocratização do Brasil, anda esquecido. Enquanto isso, o PMDB de Carlos Bezerra e Silval Barbosa fala em homenagear certas figuras que estavam do lado daqueles que garfaram a eleição de 1982 – e impediram que o Padre Pombo fosse governador de Mato Grosso!

O padre Raimundo Ponto, ao lado de Wilson Barbosa Martins (de óculos), primeiro governador eleitor de Mato Grosso do Sul, pelo PMDB que não conseguiu eleger o sacerdote como primeiro governador de Mato Grosso devido ao que passou à História como um dos maiores roubos de todo o processo eleitoral no Brasil, no período em o País ainda luta para se livrar da ditadura dos militares

O padre Raimundo Ponto, em close e ao lado de Wilson Barbosa Martins (de óculos), primeiro governador eleitor de Mato Grosso do Sul, pelo PMDB que não conseguiu eleger o sacerdote como primeiro governador de Mato Grosso devido ao que passou à História como um dos maiores roubos de todo o processo eleitoral no Brasil, no período em o País ainda lutava para se livrar da ditadura dos militares

Mato Grosso é um estado que não reverencia seus heróis. Penso em Raimundo Conceição Pombo Moreira da Cruz, o padre Pombo. Sim, o combativo Padre Pombo, que disputou o governo do Estado, contra Júlio Campos, em 1982, perdendo uma eleição que a gente sempre ouve dizer que foi vergonhosamente garfada.

Ainda estávamos sob a ditadura dos militares – e, aqui em Mato Grosso, a Arena, partido da ditadura, acabou levando a melhor sobre o MDB, partido da resistência democrática. Quem é que se lembra disso?

São muitos os testemunhos quanto à personalidade honrada do Padre Pombo. Só que quem procurar informações sobre este educador mato-grossense terá à sua disposição poucas fontes de informação. O Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), partido que o Padre Pombo ajudou a fundar e cuja bandeira o Padre Pombo defendeu como ninguém, aqui em Mato Grosso, parece que foi o primeiro a virar as costas para a memória do Padre Pombo.

Basta observar que, em meio às tantas homenagens que marcam o cotidiano de Cuiabá, nesse período de inauguração das obras para a Copa do Mundo, ninguém se lembrou de fazer uma referência sequer ao Padre Raimundo Conceição Pombo Moreira da Cruz.

O que a gente vê é o governador Silval Barbosa, líder maior do PMDB atualmente, em Mato Grosso, falando em prestar homenagens a adversários históricos do seu partido –  como o ex-conselheiro Ary Leite de Campos, que sempre foi um integrante ativo do grupamento político comandado pela família Campos –  sem se lembrar do Padre Pombo, de sua luta, de sua história.

Será que Silval Barbosa sabe quem, foi, efetivamente o Padre Pombo?! Às vezes, tenho minhas dúvidas.

Tenho muitas dúvidas. Vivo com a impressão que o PMDB de Silval Barbosa e Carlos Bezerra anda muito distanciado do velho MDB do Padre Pombo.

Na Câmara de Cuiabá, o vereador Juca do Guaraná, um completo neófito nas coisas de Cuiabá e de Mato Grosso, apresentou proposta para que uma das trincheiras a serem inauguradas, proximamente, tenha o nome de Ary Leite de Campos. Ora, que contradição! O governo do PMDB, partido que o Padre Pombo construiu e sustentou com tanta garra, com tanta coragem, com tanto estoicismo – acabando por ser garfado pela turma da família Campos, nas eleições de 1982, para o Governo do Estado –  esse PMDB, será que vai embarcar nessa homenagem a uma das lideranças que contribuíram para que o Padre Pombo e o PMDB perdessem de forma estranha, suspeita, revoltante, a disputa pelo Governo do Estado, em 1982?

Eu ainda não tinha chegado a Mato Grosso, por isso fico querendo entender, eu fico querendo uma explicação. Mas acho que o PMDB de Carlos Bezerra e Silval Barbosa talvez não tenha explicação. Esse PMDB de hoje talvez não passe de uma dolorosa empulhação.

O PMDB combativo que lançou o Padre Pombo para a disputa contra Júlio Campos em 1982, teve a maioria dos votos, como tantos contam, mas acabou não levando. O PMDB é um retrato na parede. Mas como dói.

Como dói pensar que o Padre Pombo, educador exemplar, militante apaixonado, resta esquecido, enquanto as vivandeiras do poder fazem festa dentro do Palácio Paiaguás.

Por que é que vocês acham que Carlos Bezerra ganhou a disputa em 1986?! Evidentemente por que houve um Padre Pombo, antes dele!

O Padre Pombo é um personagem heróico da moderna história de Mato Grosso. Sim, heróico!

Durante toda sua vida foi educador exemplar, no Colégio São Gonçalo, ajudando a formar gerações e gerações de cuiabanos. Pelo que se conta, sempre tratou seus alunos com a maior distinção, com o maior respeito.

Não passou à História como um padre pedófilo. Pelo contrário, passou à História como um sarcedote apaixonado pela política, sempre engajado nas lutas de sua comunidade, sempre interessado em contribuir para um Mato Grosso melhor.

Pois o padre Raimundo Conceição Moreira da Cruz, que deveria ter estátua em praça pública, que deveria ser sempre lembrado e reverenciado como um lutador incansável que desafiou a ditadura militar e participou intensamente do esforço pela redemocratização do Brasil, este homem que morreu pobre, largado, contando apenas com a fraternidade dos seus irmãos salesianos e de uns poucos amigos cuiabanos – e continua esquecido, como que condenado ao eterno esquecimento.

Isto não está direito! Isto não é correto!

O Padre Pombo merece respeito.

O Padre Pombo deve ter sua história e sua memória resgatados.

Silval Barbosa, faça alguma coisa!

Carlos Bezerra, faça alguma coisa!

Vocês não podem colaborar com esta indignidade que é a destruição da memória do Padre Pombo!

Os militantes do velho PMDB, que conheceram e conviveram com o Padre Pombo, não podem se omitir numa hora dessas.

Aqueles e aquelas que foram alunas do Padre Pombo que também se manifestem!

8 Comentários

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  1. - Responder

    Concordo plenamente de que uma das obras da Copa,seja por parte do Governo Estadual ou Municipal,seja dada o nome do Padre Raimundo Pombo,professor de muitos integrantes do Colégio Salesiano S.Gonçalo de Cuiabá, membro da Academia Matogrossense de Letras, e Presidente do Conselho Estadual de Educação,, e por três vezes candidato a eleições livres e democráticas no Estado de Mato Grosso, em 1978,para o Senado federal, em 1982,para o Governo de Mato Grosso, e em 1986 novamente para o Senado,.Embora não logrando êxito em nenhuma delas, não deixou de dar a sua colaboração a democracia do Brasil.Por estas razões apoio a justa homenagem. Fomos adversários em dois pleitos (1978,1982),mais estivemos junto em 1986,e ele morreu nosso correligionário,aliado politico, e demos todo apoio quando abandonado lá no Patronato Santo António,no Coxipo de Ponte ,pelos seus antigos aliado,que siquer por ocasião da sua doença e do seu sepultamento fizeram-se presente.

  2. - Responder

    Na eleição ao Senado o Padre Pombo foi, disparado, o mais votado. Não foi eleito por causa da imoralidade da chamada sub-legenda. O Enock tem razão, Padre Pombo foi um homem que marcou a história deste estado e não pode ser esquecido.

  3. - Responder

    Grande Enock! Só mesmo você para meter o dedo na ferida dessa maneira. Enquanto isso, as obras da Copa vem sendo batizadas com os nomes de alguns cidadãos que pouco ou quase nada contribuíram para o desenvolvimento deste Estado ou do seu Povo, como é o caso de pessoas ligadas a uma poderosa rede de comunicação privada da Capital (leia-se Gazeta). Revoltante!!!

  4. - Responder

    Pe. Raimundo Conceição Pombo Moreira da Cruz, já faz tempo merece ser homenageado por esse estado que tanto amou e onde dedicou o melhor de si principalmente como grande educador que foi. Esse foi um homem, justo, coerente, culto e sobretudo ético. Acredito que por ter sido ético e coerente, não logrou êxito na área política, onde foi vítima de todo o tipo de malandragem, traição e demais atitudes insidiosas que essa atividade exercida de maneira deformada nesse país, impõe a quem nela quer prosperar.
    Tenho certeza que o Pe. Pombo foi vitorioso nas urnas em 1982 para o governo de Mato Grosso, mas a prática malandra de exercitar a politica o impediu de levar a vitória. De todo modo acredito também que de onde ele esteja hoje, ficaria mais feliz por ser lembrado como alguém que atuou na educação e cultura deste estado.

  5. - Responder

    Acorda governador Silval Barbosa! Padre Pombo merece sim ser reverenciado com seu nome em alguma obra relevante.

  6. - Responder

    Cuiabano de nascimento e com 58 anos, sou testemunha ocular da participação política do Padre Pombo como educador e líder político. Testemunha ocular não só como cuiabano, mas também como ativo militante político que fui no PMDB, desde o ano de 1.978. E apesar de toda contribuição do Padre Pombo ao MDB e depois PMDB, ainda em vida, velho e doente, amargou o ostracismo num apartamento no Edifício Maria Joaquina, na Praça Alencastro, Centro Histórico de Cuiabá, abandonado pelo partido e suas lideranças. Morreu esquecido por aqueles que se auto intitulam a própria história do Partido, sem reconhecer lideranças como o Padre Pombo, Bezerra Neto e outros expoentes. É a cabal demonstração da mediocridade e do caráter e do interesse mesquinho de quem transformou o PMDB numa espécie de propriedade particular e balcão de negócio.

  7. - Responder

    Eu, Marco Aurélio Mendes, filho de Ana Pompeu Mendes e José Mendes; neto de Ulisses Pompeu de Campos e Thereza Monteiro de Campos, dou meu testemunho deste cidadão brasileiro, Padre Pombo, que tive o privilégio e conhecer e estudar no Colégio São Gonçalo,onde o Padre Pombo foi Diretor, este HOMEM, íntegro; bondoso e de personalidade marcante. Endosso todos os elogios existentes no que se refere ao redator e os depoentes desta matéria.Devemos elevar a memória do Padre Pombo, com uma homenagem póstuma, pois ele é merecedor de homenagens,neste nosso país tão carente de heróis verdadeiros.

  8. - Responder

    Eu votei em padre pombo em 1982,e acho que foi roubada a eleiçoes dele.

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