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GRANDE, COMO ERA GRANDE: O câncer matou uma estrela absoluta do teatro, da televisão e do cinema brasileiro, a incansável, múltipla e brasileiríssima Marília Pêra. Reveja Marília Pêra aqui, declamando “Amar”, de Drummond

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MEMÓRIA

Morre Marília Pêra

A atriz, de 72 anos, faleceu hoje pela manhã e deixa o marido e três filhos. Dezenas de celebridades compareceram ao velório

Por Veja São Paulo

Morreu nesta manhã de sábado (5), aos 72 anos, a atriz Marília Pêra, que lutava havia dois anos contra câncer no pulmão. Ela morreu em casa, ao lado da família.

O velório acontece hoje (6), desde as 13h, na sala Marília Pêra do Teatro Leblon, no Rio de Janeiro. O enterro está previsto para às 17h, no Cemitério São João Batista, Botafogo.

Marília deixa o marido, o economista Bruno Faria, e os filhos Ricardo, Esperança e Nina. Comovida, sua irmã, Sandra Pêra, disse: “Ainda está muito difícil viver sem ela”. Ela contou que a irmã morreu dormindo, ao lado do marido.

Ao velório, compareceram diversos colegas de profissão como Cássia Kis Magro, Arlete Salles, Zezé Motta, Daniel Filho, Lavínia Vlasak, Andréa Beltrão, Claudia Ohana, Marcos Frota, entre outros.

No dia 12 de novembro, boatos de que a atriz estaria mal de saúde – a jornalista Hildegard Angel chegou a publicar em seu site que Marília estava respirando com a ajuda de um balão de oxigênio – preocuparam os fãs. A Globo, no entanto, afirmou que ela apenas realizava exames de rotina em um hospital do Rio.

Em 2014, a atriz precisou se afastar por três meses das gravações da série Pé na Cova por conta de um “desgaste ósseo” no quadril. Muito ativa, ela era elogiada pela performance em musicais – protagonizou em 2013 a produção Alô, Dolly, do amigo Miguel Falabella. Em entrevista ao jornal carioca Extra, admitiu que “forçou a barra”. “Me comportei como se tivesse 18 anos, fazia sessões duplas de quinta a domingo, subindo escada, pulando, colocando a a perna no alto”, disse.

Mocidade Alegre
Marília Pêra: homenageada do enredo de 2015 da Mocidade Alegre (Foto: Mario Rodrigues)

 

História

Nascida no Rio de Janeiro em 1943, Marília Pêra fez dezenas de peças teatro, novelas e filmes. Filha de atores (Dinorah Marzullo e Manuel Pêra), optou primeiramente pela carreira de cantora e bailarina e desde adolescente atua em musicais. Sua estreia na televisão foi em 1965, na novela Rosinha do Sobrado, da Globo. Também integrou o elenco de Beto Rockefeller, Top Model, Brega e Chique, Lua Cheia de Amor, Rainha da Sucata, Mandacaru, e, mais recentemente, Cobras e Lagartos, Tititi, Loucos por Elas e Pé na Cova.

Nos palcos, deu vida à Carmem Miranda, Maria Callas, Coco Chanel e Dalva de Oliveira. Foi homenageada no último Festival de Gramado pelo conjunto da obra. Suas participações no cinema incluem filmes como Pixote, Central do Brasil, Garrincha – A Estrela Solitária e Nossa Vida não Cabe num Opala. Acumula mais de trinta prêmios de melhor atriz – entre eles, troféus dados pela Associação Paulista dos Críticos de Arte, dois Kikitos de Ouro e os prêmios Sharp e Shell.

Marília Pêra foi casada com o músico Paulo da Graça Mello – pai de seu filho Ricardo -, com o ator Paulo Villaça e com o jornalista Nelson Motta – da união, nasceram as filhas Esperança e Nina.

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Marília Pêra: apresentação de Vítor ou Vitória, que entrou em cartaz em 2001 (Foto: Divulgação)

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Marília Pêra no cinema, na TV e meus dois encontros com a atriz

Vi duas vezes Marília Pêra sem ser para divulgar um filme, uma peça, uma novela. A primeira, em 1999, na inauguração da casa noturna Credicard Hall, quando o “anfitrião” João Gilberto deu aquele famigerado piti e encerrou o show ainda no início. Fui atrás de Marília, uma das convidadas, para saber o que ela havia achado da atitude do cantor. Como sempre, foi gentil, simpática, política. “Ele é um mestre, pode tudo”, respondeu.

 

Na outra ocasião, ainda mais singular, vi Marília em Paris. Ela tinha acabado de brilhar como Gioconda, na novela Duas Caras, e deve ter ido descansar na capital francesa, em 2008. Em Saint- Germain-des-Près, Marília, abraçada com o marido, passou por mim. E, só me dei conta de quem era, quando ela já estava longe.

Darlene, de Pé na Cova: seriado de Miguel Falabella é exibido às terças

Quando alguém do peso e do quilate de Marília Pêra morre, é preciso fazer um balanço da estrela que passou por nós. Embora minha “praia” seja cinema, as primeiras imagens que tenho da atriz são, mesmo, da televisão. Beto Rockfeller, Uma Rosa com Amor, O Cafona e, sobretudo, Bandeira 2 foram telenovelas que marcaram minha infância. No cinema, seu primeiro grande papel foi em O Rei da Noite, de Babenco, em 1975. Pixote, porém, foi o filme que a tornou conhecida mundialmente. Pelas mãos de Hector Babenco, Marília brilhou na pele da prostituta Sueli, ganhou prêmios internacionais e chegou até a fazer cinema nos Estados Unidos – Mixed Blood, de Paul Morrissey.

Marília em Central do Brasil: pequeno grande papel

Ao contrário de muitas atrizes de sua geração, Marília sempre gostou do mix cinema-teatro-TV e, não à toa, nas décadas de 80 e 90, surgiu em várias mídias. Na TV, como esquecer a Rafaela de Brega & Chique ou sua participação na minissérie O Primo Basílio? E, no cinema, foram tantos papéis geniais que fica até indelicado lembrar apenas de alguns. Mas gosto de Marília em Anjos da Noite, drama paulistano de Wilson Barros; da Mary Matos de Dias Melhores Virão, ao lado de Rita Lee; de sua Perpétua em Tieta do Agreste (sorry, Joana Fomm); e, mesmo num pequeno papel, como a Irene, de Central do Brasil, na companhia de outra diva, Fernanda Montenegro.

Com Sonia Braga, na versão para o cinema de Tieta do Agreste

Os anos 2000 já não foram tão receptivos para Marília e, puxando pela memória, a diretora Ana Carolina (com o filme Amélia), o grande amigo Miguel Falabella (no longa-metragemPolaroides Urbanas) e Eduardo Coutinho (no docudrama Jogos de Cena) deram a Marília boas oportunidades no cinema.

Vejo Marília todas as terças no seriado Pé na Cova, também de Falabella. Darlene, sua personagem, uma maquiadora de cadáveres, era viciada em gim e em dizer as verdades “na lata”. Cortava os esses das palavras, esquecia o nome de artistas e tinha um perfil tragicômico, que combina muito bem com o Brasil de hoje. Darlene é deliciosamente divertida e politicamente incorreta – e é assim que quero me lembrar de Marília Pêra.

 

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3 Comentários

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  1. - IP 189.59.49.124 - Responder

    Marília Pera foi visionária, ao enxergar antes de muitos os caráter autoritário do PT.

    • - IP 179.185.70.27 - Responder

      Esse José deve ter levado chifres de algum petista de mau gosto, pois até em assuntos de morte de uma atriz querida por todos, ele acha jeito de coçar os próprios cornos….

  2. - IP 191.33.160.3 - Responder

    O Ademar, se esquece que ela foi malhada à exaustão porque se recusou a endossar as campanhas do PT.

    A ironia é que ela ficou do lado de Collor, se antecipando ao resto do PT que uma vez no governo se aliou ao mesmo Collor, demonstrando que eles são todos a mesma coisa.

    Collor e PT se merecem.

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