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GRANDE, COMO ERA GRANDE – Morre, em Cuiabá, o artista plástico Nilson Pimenta, aos 60 anos

Acabamos de perder o mais importante artista da arte naife do Brasil, estava entre os 40 melhores do mundo. Nilson Pimenta morreu, vítima de infarto fulminante. Tristeza sem fim na cena cultural mato-grossense, à medida que as pessoas vão sendo informadas desta perda. Grande, Nilson Pimenta era grande. Um mestre pintor.

Nilson Pimenta, nasceu em 1957, na cidadezinha de Caravelas, na Bahia.

Em busca de melhores condições de vida, foi trazido pela família para o Mato Grosso aos seis anos de idade.
Nilson passa a meninice na roça. Desse tempo escreve Aline Figueiredo: “Os campos da Barra do Garças, Brasilândia, Finca-Faca, Irenópolis e Jaciara o viram crescer plantando arroz, feijão, milho, amendoim e mandioca em terra de toco, apenas desmatada e não mecanizada.” Datam daí os primeiros ensaios de desenho no chão, em cancela, onde desse. Percorreu várias localidades trabalhando como peão, lavrador e cortador de cana, antes de ir morar em Cuiabá, em 1978. Começou a desenhar com lápis de cor no mesmo ano e só entrou em contato com as tintas em 1980. O encontro com a pintura levou-o a trabalhar como guarda-vigilante e depois como supervisor do Ateliê Livre da Universidade Federal de Mato Grosso. A imersão da figura humana na sua paisagem de inconfundível grafismo, nos anos 1980 e 1990, não impede que a cor forme com este uma trama cerrada, em que predominam azuis, e verdes, e marrons. Seu trabalho é movimentado por uma crispação dramática, e seu olhar, contemporâneo e ágil nos temas que representa, pode ir desde um casamento no Pantanal até os crimes em série do “motoboy” paulistano. Participou da Bienal Naïfs do Brasil (1988 e 2000) e da “Mostra do Redescobrimento” Brasil 500 (2000). Em 1996, começou a experimentar a escultura.

Pequeno Dicionário do Povo Brasileiro, século XX | Lélia Coelho Frota – Aeroplano, 2005

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