Cinema perde a arte visceral de Ernest Borgnine

Ernest Borgnine e Lee Marvin travam um dos mais espetaculares duelos do cinema no filme "O Imperador do Norte" (1973), dirigido por Robert Aldrich. O filme se passa durante a Depressão Americana, da década de 30, quando alguns desempregados que vagueiam pelo País, buscam uma forma de tentar a sorte no Norte. Mas não esperavam que Borgnine estaria disposto a matar qualquer vagabundo que tentasse viajar clandestinamente no trem que está encarregado de fiscalizar. Borgnine incorpora o burocrático e violento guarda da esquina, que aparece no caminho de Lee Marvin e do jovem Keith Caradine para embaraçar a busca por uma saída em meio à debacle capitalista.

GRANDE, COMO ERA GRANDE! – Morreu o ator Ernest Borgnine, aos 95 anos, em Los Angeles, segundo depoimento de um porta-voz à agência Associated Press. Ele ganhou o Oscar de melhor ator em 1955, por sua atuação no filme “Marty”, dirigido por Delbert Mann, ganhador da estatueta de diretor pelo mesmo longa.

Ernest Borgnine, nome artístico de Ermes Effron Borgnino (Hamden, 24 de janeiro de 1917 – Los Angeles, 8 de julho de 2012), foi um ator norte-americano de cinema, teatro e televisão, filho de imigrantes da região de Módena, na Itália. Foi iniciado em 1931 na Ordem Demolay.

Após servir por dez anos na Marinha e participar da II Guerra Mundial, Borgnine cursou a escola de teatro Randall School of Drama no estado de Connecticut, estreando na Broadway em 1949, já com 32 anos, num pequeno papel de enfermeiro, na peça de sucesso Harvey. Em 1953, já vivendo em Los Angeles, com seu rosto rude e físico de boxeador, teve seu primeiro grande momento no cinema interpretando o cruel sargento “Fatso” Judson no filme vencedor do Oscar daquele ano, A Um Passo da Eternidade / Até à Eternidade, com Burt Lancaster, Deborah Kerr e Frank Sinatra.

Ernest Borgnine, em foto de 2004

Em 1955, Ernest Borgnine conquistaria fama e reconhecimento mundiais ao ganhar o Oscar de melhor ator por seu trabalho como o tímido e sensível açougueiro Marty Piletti no filme Marty, também vencedor do Oscar de melhor filme e da Palma de Ouro do Festival de Cannes e que se tornou o filme de maior sucesso de crítica daquele ano. A popularidade e o sucesso conseguidos aumentariam nas décadas seguintes, em filmes como Os Vikings, O Vôo da Fênix, Os Doze Condenados, o lendário western Meu Ódio Será Sua Herança, O Imperador do Norte, o primeiro ‘filme-catástrofe’ O Destino do Poseidon e Fuga de Nova York, entre outros.

Borgnine também tornou-se um astro da tv americana nos anos 60, estrelando a popular série cômica McHale’s Navy, no papel de um marinheiro – que ele foi na vida real por uma década antes de se tornar ator – pelo qual recebeu uma indicação ao prêmio Emmy de melhor ator de comédia.

Maçom, casado por cinco vezes, duas delas com atrizes famosas como Katy Jurado e Ethel Merman (este casamento durou um mês), nos últimos anos, já semi-aposentado, (em janeiro de 2007 completou 90 anos) emprestou sua voz aos filmes animados de Bob Esponja e apareceu como ele mesmo na série Os Simpsons e em comerciais da tv americana.

Por sua contribuição às artes e à indústria do cinema, Borgnine, que participou como ator principal e (coadjuvante/secundário) em mais de 100 filmes em cinquenta anos de carreira, foi agraciado com uma estrela na famosa Calçada da Fama de Hollywood.

Em 2005, numa de suas últimas declarações públicas, ele, que fez ao longo da carreira diversos papéis de militares e cowboys durões, proferiu um comentário famoso e divertido sobre o filme Brokeback Mountain, que relata a relação homossexual entre dois vaqueiros: “Eu não vi o filme e ele não me interessa, mas acho que John Wayne deve estar rolando de raiva dentro de sua sepultura”.

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