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GRANDE, COMO ERA GRANDE: A morte não vai calar a sanfona de Dominguinhos

dominguinhosA morte não vai calar a sanfona de Dominguinhos

Músico estava internado desde janeiro em Sâo Paulo

Paola Correa, do R7

Dominguinhos foi o sanfoneiro mais importante da música brasileira

Nesta terça-feira, aos 72 anos, o cantor, compositor e sanfoneiro Dominguinhos saiu de cena, deixando o som da sanfona mais triste ecoando no coração dos brasileiros. Após quase sete meses internado em coma no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, o cantor não resistiu a complicações infecciosas e cardíacas.

Durante sete anos Dominguinhos, filho nobre de Garanhuns (PE), lutou contra um câncer no pulmão, resistindo a duros tratamentos e a consequência da doença, como insuficiência ventricular, arritmia cardíaca e diabetes. Mas só no limite da doença que chegou a cancelar shows, em 2012.

Foi no dedilhar de sua inseparável sanfona que José Domingos de Moraes, nascido no dia 12 de fevereiro de 1941, ganhou o País e se tornou o principal nome da música nordestina, considerado o grande herdeiro musical de Luiz Gonzaga.

Dominguinhos adorava um papo sem tempo marcado. Sentar na roda de amigos e falar sobre seu amor à música. Mas, mais ainda, sentar e colocar sua sanfona no colo e fazê-la chorar, para alegrar o povo, pra cantar seu povo nordestino. O instrumento era quase uma extensão de seu coração. Foi com ele que Dominguinhos imortalizou sucessos como Eu Só Quero um Xodó, De Volta pro Meu Aconchego e Isso Aqui Tá Bom Demais, entre outros.

O sanfoneiro tinha tanto amor à vida que evitava a todo custo viajar de avião, mesmo em trajetos longos. Tanto que os shows eram marcados com distancias um dos outros, para dar tempo de chegar de carro e chegou até a recusar turnês fora do País por causa do pânico.

DOMINGUINHOS SANFONEIRO

Herdeiro musical de Gonzagão

O amor de Dominguinhos pela sanfona começou em casa. O pai do músico foi um famoso tocador e afinador de foles de oito baixos e instigou o pequeno Neném a se entregar ao choro da gaita.

A influência levou o garoto tomar gosto pela música. Dominguinhos começou a tocar sanfona aos seis anos de idade, juntamente com mais dois irmãos, no interior de Pernambuco. Juntos, eles formaram, mais tarde, o trio Os Três Pinguins.

A vida de Dominguinhos mudou definitivamente quando, aos oito anos, conheceu o mestre Luiz Gonzaga na porta de um hotel. Gonzagão acabou se tornando o seu padrinho artístico. Foi dele que o jovem Domingos recebeu a sugestão da escolha do nome artístico. Gonzaga considerou que o apelido de infância, Neném, não era tão apropriado.

Em 1957, aos 16 anos, Dominguinhos participou da primeira gravação, tocando sanfona em um álbum de Luiz Gonzaga, na música Moça de Feira (Armando Nunes e J.Portela).

Em viagem ao Espírito Santo, em 1957, ele se juntou a Borborema e Miudinho para formar o Trio Nordestino, seu segundo grupo musical.

Depois de se aventurar na gafieira e no bolero, ele fez parte de uma excursão de Luiz Gonzaga ao Nordeste, como sanfoneiro e motorista. Foi dessa turnê que Dominguinhos se aproximou da cantora Anastácia, com quem formou parceria e se casou.

O xodó que conquistou o Brasil

As parcerias musicais de Dominguinhos rendem uma lista gigante. Chegou a trabalhar com Gal Costa e Gilberto Gil, antes de se tornar famoso nacionalmente. E foi da parceria de um ano e meio com Gil que gravou seu maior sucesso, em parceria com a mulher Anastácia, Eu Só Quero um Xodó. Em pouco tempo, a canção teve 20 regravações, inclusive no exterior.

E era só o começo. Foi na década de 1980 que Dominguinhos conquistou popularidades com as canções “De Volta pro Meu Aconchego” (em parceria com Nando Cordel), gravada por Elba Ramalho, e Isso Aqui Tá Bom Demais (parceria com Chico Buarque), que foram parar na trilha sonora da novela Roque Santeiro (Globo).

Ao todo, nos mais de 60 anos dedicados à música, foram 40 álbuns lançados, entre registros ao vivo, em estúdio e coletâneas. O primeiro DVD foi gravado ao vivo, em 2009, no maior teatro ao ar livre do mundo, o Nova Jerusalém, em Pernambuco. O álbum teve participações de Elba Ramalho, Renato Teixeira, a filha Liv Moraes, Waldonys, Cezinha, a mulher Guadalupe e Jorge de Altinho.

Em 2007, participou do primeiro disco solo de sua filha, Liv Moraes, fazendo o arranjo e tocando acordeom em algumas faixas.

Sanfoneiro mais importante do Brasil

O último trabalho de Dominguinhos foi o DVD “Iluminado Dominguinhos”, um projeto que contou com o apoio do Ministério da Cultura, que celebrava os 60 anos dedicados à música. Do álbum, participaram os artistas Elba Ramalho, Wagner Tiso, Gilberto Gil, Yamandu Costa, Waldonys e Gilson Perazzeta.

No mesmo ano, realizou participação especial no CD Sorrir Faz a Vida Valer, de Roberta Miranda, na faixa Forrópeando. O disco chegou a ser indicado ao prêmio Grammy Latino, na categoria Melhor Álbum de Música Sertaneja.

A carreira de Dominguinhos é cheia de prêmios e honras. Em 2002, ganhou o Grammy Latino com o CD Chegando de Mansinho. Em 60 anos de carreira recebeu seis prêmios Sharp.  Em 2008, foi o grande homenageado no Prêmio Multishow, enquanto, em 2010, foi contemplado com o prêmio Shell de Música, pelo conjunto de sua obra. No mesmo ano, participou e foi o homenageado principal do 2º Festival Internacional da Sanfona, realizado em Juazeiro (BA).

Dominguinhos deixa dois filhos, Mauro da Silva Moraes, do primeiro casamento do músico, e Liv Moraes, que é cantora e filha de Maria Guadalupe, sua última companheira.

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